Fontes credíveis s.f.f., ou falta de Rigor com Rigor se paga

Meu caro amigo Rodrigo Adão da Fonseca (RAF) como reparaste e destacaste no teu último post eu usei os números do INE. O Instituto Nacional de Estatística. Usei uma fonte credível. 
Fi-lo porque são os únicos números que nos permitem ter uma análise relativa do Porto no contexto nacional e da Região Norte. E fi-lo também porque são os únicos possíveis ter para o Município do Porto apresentando o disclaimer, como pessoa intelectualmente honesta que me considero ser, de que eram dos poucos valores que havia disponíveis para fazer o contraponto da tua acusação de falta de rigor do candidato à Câmara do PSD. Se outros dados existissem te-los-ia usado, para relativizar o declínio (ou não) da minha cidade natal.

Mas se as exportações e o número de edifícios construídos/licenciados não satisfazem a realidade alternativa a este declínio “factual” que pretendes construir, não faças posts com o erro de não citar a fonte dos números da Derrama Municipal no gráfico usado (que enferma dos meus pseudo-defeitos de formatação).  

Poderias partilhar connosco, ávidos leitores d’O Insurgente, de onde retiraste estes números da Derrama que aparecem no teu post? Qual é a fonte? Não deve ser o INE …

É que eu fui à net e consultando o Relatório de Gestão da CM Porto de 2014 e de 2015,  que já são mandatos do Rui Moreira, descobri na página 68 do primeiro destes relatórios, que a Derrama Muncipal cobrada no ano de 2013 , último mandato de Rui Rio, tinha sido de 16.654 milhares de Euros.

Mas, ooops , “surprise”, o valor de 2016 afinal é um valor … abaixo do cobrado em 2013 ! 

E fica cerca de 10% abaixo do orçamentado para 2016 (coincidente com o último ponto do teu gráfico), ao contrário do crescimento que afirmas no teu post.

Ou seja em vez de crescer 41,86% acumulados no período, afinal a verdade (sem truques e com uma fonte credível como deve ser um relatório de Gestão Anual da Câmara) é que a Derrama que nas tuas palavras dizem “…alguma coisa de relevante” e que “…não discrimina o tipo de actividade económica…” mostra uma descida de 10% após 3 anos de gestão de RM. 

Talvez também seja interessante entender se no contexto nacional e da Região Norte tal evolução negativa da Derrama no Porto tem algum paralelo para contextualizar esta queda.

Recuso-me a aceitar que tenhas cometido, como pessoa competente que és, este lapso. Esta minha forma de pensar acerca das tuas capacidades, está nas antípodas da tua forma algo deselegante de argumentar . 

Mas cá estou eu para encaixar o “fogo amigo”, como bom cristão e teu amigo, dou-te a outra face. 

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5 thoughts on “Fontes credíveis s.f.f., ou falta de Rigor com Rigor se paga

  1. Se permitem diria que a vossa discussão é algo estéril pois nas últimas décadas a cidade/município do Porto tornou-se uma cidade pós-industrial. Antes a cidade organizava-se de modo a que os Portuenses e os dos concelhos ao seu redor viessem gastar os seus rendimentos obtidos trabalhando na indústria. Hoje em dia isso já não acontece e a cidade do Porto está organizada para actividades mais hedonistas e nalguns casos fruto da procura turística está “Disneylizada” basta ver por exemplo a Rua das Flores que respira um ambiente tipo Disney para turista consumir e das vezes que lá fui os únicos Portugueses que lá encontrei era eu e a minha mulher. Atenção que isto do turismo não é eminentemente mau pois permitiu tirar da podridão muitos imóveis. Embora a grosso dos turistas venham em low-cost e gastam “dez tostões”, é muito comum ver turistas sentados na foz a comer e beber o que vão comprar ao Continente ou ao Pingo Doce. Portanto, os dados com os quais estão os dois a esgrimir argumentosterão de ser levados em consideração com o cenário que anteriormente descrevi. Rui Moreira cavalga sobre isto e o Porto tem montes de pessoas que poderiam fazer gestão idêntica ou melhor do que dele. Não voto no Porto mas se votasse não seria nele pois não aprecio um presidente da câmara que se mete em discussões televisivas sobre bola nem que mantém colunas de opinião em jornais diários. Rui Moreira é uma fotocópia em formato reduzido de Miguel Sousa Tavares, ou seja, fala, fala mas vai-se a ver a maior parte é palha.

  2. Jaime Ferreira

    Quanto à discussão sobre a derrama ou sobre qualquer outro indicador, experimentem comecar a pôr os últimos 10 ou mesmo 14 anos (desde a adesão ao euro e com uma inflação mais controlada).

    E já agora comecem a fazer isso para todo e qualquer indicador que apresentem. Ja estou cansado de ver posts com gráficos em que a escala ou o período de tempo são minunciosamente escolhidos para atender à tese apresentada.
    Quem o faz deixa de ser economista, engenheiro, politico, ou qualquer outra coisa, para passar a ser um mentiroso que distorce a realidade.

    Se os dois gostam de rigor, deixem-se de truques e apresentem as coisas como deve de ser!
    De caminho passem a mensagem a quase todos os vossos colegas de blog, independentemente da cor partidária.

    Lembrem-se, podem pintar a realidade como quiserem, e até podem enganar toda a gente. Mas no fim do dia a realidade está lá e vai ajudar ou prejudicar toda a gente. Bem sei que não querem saber disso, desde que estejam no lado certo da equação.
    Mas se calhar já começávamos todos a remar para o mesmo lado… No fim do dia, a maioria das pessoas só quer fazer a sua vidinha sem stresses…

  3. Pingback: Guia básico para procurar informação na net – O Insurgente

  4. Caro Jaime Ferreira,
    Da parte que me toca, tenho preocupação com o rigor, e não tenho nenhum interesse em manipular a realidade. Se por alguma razão, alguma vez erro nas análises que faço, é porque o blogue não é para mim modo de vida, e o que aqui escrevo, faço-o nos tempos livres, com as limitações próprias de uma plataforma que não é profissional. Não tenho truques, e aquilo que escrevo, assino, subscrevo, e aceito contraditório.
    Se tem perspectivas distintas das nossas, pode sempre argumentar, construir os seus gráficos, e contribuir para o debate. Mas pedir e dizer como devemos fazer, quando aqui ninguém escreve por profissão, fazendo insinuações, é pedir um bocado demais, não?

  5. Pingback: Execução da Derrama no Porto no periodo 2010-2015 – correção de erro – O Insurgente

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