A política dos anúncios

Hoje neste mesmo blog Rodrigo Adão da Fonseca defende  que Álvaro Almeida está afastado da realidade quando afirma que, fora o turismo, o Porto está em declínio económico, “argumentando” com
um conjunto de anúncios sobre investimentos futuros.

Como a realidade que me interessa é a dos números, e não a do marketing de Rui Moreira, ou dos seus apoiantes , vejamos o que dizem os dados do INE sobre a atividade económica
na cidade do Porto.

Dados do INE sobre atividade económica a nível municipal, atualizados pelo menos a 2015, não existem muitos, mas conseguem encontrar-se pelo menos
dois tipos de dados.

Os dados sobre “Exportações de bens por localização geográfica”, que já estão atualizados a Dezembro de 2016, e que mostram a seguinte informação (valores
em milhões de euros):

 

Portugal

Norte

Porto

2016

50290

20508

1044

2012

45213

16792

1385

2016/2012

11%

22%

-25%

 

Ou seja o Porto retrocede nas exportacoes quando o país e a Regiao Norte contribuiram para a recuperação das  contas externas portuguesas. Muito mal para um cidade de sucesso que estivesse para além do turismo.

Os dados sobre construção (recordando que a maior parte do investimento passa pela construção) que existem atualizados são sobre “Edifícios licenciados
para obras de edificação”, e são os seguintes (em número de edifícios licenciados):

 

Portugal

Norte

Porto

2015

13766

5518

42

2012

19627

7192

277

2015/2012

-30%

-23%

-85%

 

Nesta dimensão as variações percentuais neste mandato autárquico portuense falam por si mesmas.

Conclusão, os dados objetivos do INE mostram inequivocamente o declínio da atividade económica no Porto, quer em termos absolutos, quer em termos
relativos face ao país e à região Norte nesta duas importantes variáveis. 

Que Rodrigo Adão da Fonseca, como “laranja” assumido no próprio blog, queira apoiar Rui Moreira, que por sua vez é apoiado pelo partido da Rosa é um assunto que só a ele diz respeito. 

Provavelmente acreditará numa realidade ausente de números objectivos como os do INE, tal como muitos socialistas nacionais acreditam nos números do Centeno.  

Eu no que me diz respeito , como economista, acredito mais na realidade dos números do INE que mostram que a cidade está em declinio fora do surto turístico. Seguindo a senda dos exemplos dados e a par da anunciada entrada da Critical Software no Porto há o exemplo contrário com a saída da Phillips da cidade com a perda de 150 postos de trabalho para Gaia, governada, por sinal por socialistas. Talvez quando medirmos o número de parquímetros espalhados pela cidade consigamos encontrar taxas de variação bem mais elevadas, daquelas que gostaríamos de de ver nas outras duas variáveis medidas pelo INE.

Com amigos laranjas destes, o PSD não precisa de inimigos cor de rosa. 

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3 thoughts on “A política dos anúncios

  1. Muito bem ter desembainhado a sua espada. Rui Moreira não tem metade da capacidade que nos querem vender, cavalga a onda do turismo e pouco mais. A caixa de comentários deste postal serie pequena para discutir a razão porque alguns laranjas são transversalmente apoiantes de Rui Moreira que é apenas um pedante armado pingarelho de grande gestor.

  2. Pingback: Quando a ansiedade conduz à falta de rigor, e a amizade troca os pés – O Insurgente

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