Depois da pós-verdade, venha o jornalismo dos afectos

Recomendo este belo momento de Amor e deslumbramento, que merece ser lido com o adequado acompanhamento musical. É bonito ver um jornalista tocado pela Obra de um homem, digo, de um Homem, imbuído dessa coisa enorme chamada “Sentido de Estado”, um homem, digo, Homem, que parece que mente, mas no sentido maquiavélico do termo, para defesa da Causa Comum, porque a sua ingenuidade não pode dar lugar a indignações de quem tem pouco para fazer: nada pode afastar – uau, que sexy! – o Homem desta nobre missão que é a Defesa do “Bem-Comum“. Juicy! Ainda bem que sobre-existem jornalistas que nos recordam como a ética aristocrática não é igual à que se exige aos cidadãos comuns, quando o que está em causa é o “interesse nacional”: em tempo de guerra não se limpam armas, meus caros, ide trabalhar, não tendes mais nada do que fazer que ir atrás – uau, que sexy! – das cartas de um banqueiro competente que foi frito à mesa do Bem-Comum?

Como diria Cervantes, todo o D. Quixote merece o seu Sancho Pança. Leiam, leiam, com acompanhamento musical. Um belo exemplar de um novo tipo de escrita, que muito deve agradar aos nossos responsáveis políticos: o jornalismo dos afectos.

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13 thoughts on “Depois da pós-verdade, venha o jornalismo dos afectos

  1. Ana Catarina

    Será que está a falar do Senhor dos Afectos?
    Ou será do Senhor da Geringonça?
    Ou do Senhor do Pote?
    Pacote 3 em 1
    Esquema das feiras de Gado
    Leva 3 e paga 1
    O cartucho é oferecido e tem desconto no valor do IVA

  2. Vamos lá ver. Mentiu descaradamente. E que importância tem?
    Fazer bem ao país pode obrigar a mentir, pois claro. Fez ele muito bem e vai continuar. Serão os das profecias malévolas, a salvar o país? Claro que não. E os afectos? Que mal tem amar, amar os portugueses, os amigos, as amigas, a democracia e essas coisas todas? Não será o amor fonte da vida e até dos off shores?

  3. lucklucky

    Isto é jornalismo não é nada de novo.

    Já é tempo de as pessoas notarem o que se passa.

    Veja-se esta prosa ainda hoje : “situação que tem sido aproveitada pelos partidos da oposição”

  4. ABC

    Temos então um mentiroso como ministro das finanças. Pode dizer-se que está bem acompanhado.
    Os jornalistas escrevem-lhe declarações de amor? Ora, o amor é uma coisa tão linda. Principalmente quando é correspondido.
    Todos temos que pagar as contas, é o que é.

  5. mariofig

    Diz o “jornalista”: A carta de Domingues a Centeno? O que a insistência partidária neste tema demonstra é apenas a falta de assunto no país. Não por falta de factos, não por ausência de problemas que se aproximam a grande velocidade – o BCE deixará de comprar dívida portuguesa no final deste ano”

    Esta é lógica perigosa de porque há problemas maiores não devemos ocupar o nosso tempo com problemas menores. Uma lógica circular, porque que conduz inevitavelmente aos problemas maiores, porque estes são quase sempre feitos exactamente por pequenos problemas menores.

    Não cabe na cabeça deste jornalista (que também conduz um programa chamado Tudo é Economia na RTP3 e que interrompe constantemente os convidados), questionar-se sobre a fonte do problema maior. Que tem sido exactamente os problemas menores da incompetência, má gestão e má governação que o exemplo de Centeno/Domingos tipifica na perfeição.

    Diz ainda o “jornalista”: Se há coisa de que Portugal não precisa nestes próximos meses – meses duríssimos do ponto de vista europeu e mundial – é de uma crise política grave envolvendo Mário Centeno.”

    Esta é a apologia do medo. Sempre faltando a devida fundamentação, cria-se uma lógica de perigo onde ele pode bem não existir, e quase sempre não existe mesmo. Pode-se facilmente contrapor que em uma situação de subida constante das taxas de juro, a mudança do Ministro das Finanças, poderia ser um sinal positivo para os investidores, principalmente se essa mudança fosse justificada exactamente pela necessidade de criar confiança nos mercados. A confiança política de Mário Centeno está neste momento completamente destruída. Não interessa se junto do PM, ou se junto do povo, ou de “jornalistas”. Estes poderiam bradar o seu amor eterno pelo melhor ministro das finanças na história de Portugal, que dava no mesmo. A quem realmente Mário Centeno interessa é aos investidores, aos empresários, e aos banqueiros. E estes já não lhe têm confiança alguma. Portanto, mudar o ministro poderia ser feito e isso dificilmente seria um perigo. E poderia até ser muito bem feito, já que tanta gente clama pela astúcia e inteligência (já eu chamo-lhe chico-espertice) do PM.

    Por outro lado coloca-se a questão se não é mesmo desejável que se inicie uma pequena crise governamental que poderia assumir maiores dimensões e levar à queda de um governo que obviamente não tem agradado aos investidores e financiadores. Certamente esse é um desejo legítimo da oposição e faz parte do combate político. Não vale a pena criticar a oposição de anti-patriotismo. Isso é demagogia pura. Principalmente se nos lembrarmos dos constantes pedidos de demissão feitos contra o último governo do PSD, durante um período ainda mais “perigoso” que foi o da troika. Mas principalmente, porque se fossemos abrir o grande livro da Democracia ocidental, precisaríamos de uma máquina calculadora para contar quantas crises políticas e eleições antecipadas conduziram a governos estáveis e maioritários e à resolução de graves crises sociais, económicas ou financeiras.

    Há mesmo quem defenda (a meu ver bem) que na democracia actual, a legitimidade de um governo só é realmente assegurada quando se submete às suas segundas eleições. Independentemente se PS ou PSD ganhassem as eleições, seria inegável para a esmagadora maioria dos Portugueses (mais de 80% nas últimas eleições) que todos estaríamos bem melhor sem as limitações impostas pela extrema esquerda.

    Portanto pode vir o “jornalista” apelar ao medo do povo para defender um dos piores ministros das finanças dos últimos 40 anos, mas a mim não me convence. Muito pelo contrário; Sem Centeno estaríamos todos bem melhor junto dos financiadores e investidores dentro e fora do país.

  6. André Miguel

    “Mas isso é falar de barriga cheia recusando compreender o contexto.”

    Um filho da puta não diria melhor. Que nojeira de artigo.

  7. André Miguel

    Por falar afectos no DN, nao querem pegar nisto?

    http://www.dn.pt/dinheiro/interior/portugal-e-o-pais-da-ue-com-salario-minimo-mais-proximo-do-salario-medio-5659852.html

    O titulo é um must: “somos o país com salário minimo mais próximo do salario médio”. Ena ena! Parece coisa boa…

    Mas começamos a ler e percebemos que afinal temos é o salário médio mais próximo do mínimo… Bolas! Mas assim não ficava tão bonito…

    Para vermos o nível de manipulação leia-se:

    “No entanto, aponta o Eurostat, “o salário mínimo também pode ser medido em termos relativos, ou seja, como proporção do salário mensal bruto médio”, e entre os Estados-membros para os quais há dados, apenas três países tinham em 2014 um salário mínimo superior a 60% do salário médio bruto, designadamente Portugal (64%), França e Eslovénia (ambas com 62%).”

    Mas nuestros hermanos dão a coisa assim:

    “Otra forma de medir el salario mínimo es cuando se compara con el sueldo mediano (aquel más frecuente en cada país). De esta forma, solo tres países europeos tienen una retirbución mínima que supera el 60% de la mediana: Portugal (64%), Francia y Eslovenia (ambos 62%).”

    Aqui: http://www.hoy.es/economia/trabajo/201702/10/salario-minimo-luxemburgo-duplica-20170210121043-rc.html

    Ora salário mensal bruto médio, não me parece que seja o mesmo que o salário mediano… Pois.

  8. Buiça

    Sem novidade, este jornaleiro já apareceu mencionado em várias escutas do marquês da bandidagem. A rede está toda em funções, ninguém foi preso, o advogado do “capo” Salgado e do engenheiro técnico controla vários jornais, desses jornais saiu gente para a rtp, para a lusa, a TVI é da Prisa de outro amigo do xuxalismo, continuamos a espera da prometida lista que o Espesso prometeu publicar com os jornaleiros a soldo do Panama, uma réstia de independência sobrevive no observador, as vezes no Publico, e nos jornais do Sobrinho desde que não se fale de angola. Mas todos eles têm imensos “projectos” de “investimento publico” onde ninguém de mínima sanidade mental arrisca um tostão, portanto não podem avançar enquanto a Caixa não tiver massa (nossa) para torrar, uma chatice, e o sacana do Passos que não alinha nem sai de cima. Então vai-se andando, sobram os jobs para os amigos, que já é bem bom para a maioria dos geringoncos, emprego para a vida ou indemnizações chorudas caso haja algum precalco e umas comissões simpáticas de concessões e licenças turísticas. Quando caírem estará tudo minado, marios nogueiras por todo o lado, despesas eterna e constitucionalmente obrigatórias, os hospitais logo descobrirão que falta tudo e caem de podre, as escolas voltarão as greves, etc.
    Em paralelo o PR amigo do “capo” vai soltando umas graçolas, distribuindo uns afectos, aguentando a geringonça em troca de a justiça ir “evoluindo” para um modelo “mais justo”, que não penalize os pobres coitados que nela tropeçaram. Não há país, nem governo, há um aparelho de sugar suor a quem ainda não trabalha directamente para a máquina, acumula-lo num bolo de onde primeiro se servem os bandidos e com o que sobra se tenta montar um teatrinho cada vez menos credível chamado Portugal.

  9. Nuno

    Esta parte é especialmente cínica:

    “Confrontado com essa decisão difícil, não gastar, contrariar os ministros, recusar, chumbar, negar, mandar para trás e devolver à procedência os pedidos – sem que isso ganhasse dimensão noticiosa…”

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