O primeiro Presidente dos EUA anti-americano

Numa entrevista com Bill O’Reilly, Donald Trump disse que “respeita” Vladimir Putin, embora tenha acrescentado que “respeita muita gente” e nada garante que se vá dar bem com o presidente russo. De seguida, O’Reilly perguntou-lhe como podia Trump respeitar Putin, tendo em conta que ele “matou pessoas”. Perante a pergunta, Trump respondeu que “há muitos assassinos. Nós temos muitos assassinos. Acha que o nosso país é assim tão inocente?” Ou seja, como qualquer adolescente apaixonada por um rapaz de comportamento duvidoso confrontada com carácter deste, Trump logo se apressou a defender o objecto da sua paixão, não hesitando para o efeito fazer uma equivalência moral entre o país a que preside e o regime de um criminoso brutal, que assassina regularmente os seus críticos e terá até conduzido um ataque a cidadãos do seu próprio país para, ao levar os russos a crerem que havia sido um atentado terrorista, consolidar o seu poder interno. No fundo, Trump faz aquilo que, ao longo de anos, todos os esquerdistas e simpatizantes de carniceiros fizeram, para defender os regimes mais abomináveis ou porque o seu antiamericanismo visceral para isso os empurrou: dizer que os EUA são tão moralmente condenáveis como um ditadura. Foi isso que disseram na II Guerra, foi isso que disseram na Guerra Fria, foi isso que defensores do papel fundamental dos EUA no mundo – como eu – tiveram de ouvir aquando da guerra do Iraque ou – de forma bem mais nojenta – enquanto cidadãos inocentes estavam a morrer nos atentados de 11 de Setembro. Hoje, é o próprio presidente dos EUA que, ou por dever algo a Putin ou aos seus oligarcas, ou porque pura e simplesmente tem uma profunda admiração pelo seu brutal autoritarismo, papagueia este aspecto central da propaganda com que o Kremlin justifica internamente esse mesmo autoritarismo: os EUA, a sua democracia e o seu papel no mundo não são diferentes da nossa corrupção, repressão e brutalidade. Barack Obama foi um mau presidente, e a sua política externa, em particular, foi desastrosa. Mas Donald Trump é o primeiro Presidente dos EUA antiamericano, que acredita profundamente, e repete incessantemente, os chavões que jovenzinhos do Bloco de Esquerda ou comentadores da RT têm sempre na ponta da língua. Pelos vistos, há quem tolere, e até quem goste. Não é o meu caso.

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26 thoughts on “O primeiro Presidente dos EUA anti-americano

  1. Ó Bruno, achas mesmo que as muitas centenas de milhar de mortos, da Jugoslávia ao Iraque, da Líbia à Síria ou à Ucrânia , existiriam sem a russofobia militante que atravessa o maistream político e mediático ocidentais do pós queda do muro de Berlim? A sério? Achas que Trump teria ganho as eleições se não estivesse já tanta gente farta dessa mania?

  2. A.R

    Obama não lançou guerras desnecessárias, ou seja por motivos fúteis, na Líbia e na Síria e pelos quais estamos a ser ocupados por alguns refugiados e outros que aproveitam a boleia? Não ia explodindo com o Egipto apoiando a sua irmandade? Não fez milhares de ataques com drones?
    Trump tem razão se se referir a Obama

  3. André Miguel

    Dizer o que pensa é anti-americano? O politicamente correcto continua a fazer estragos em muita alma supostamente liberal…

  4. Pensei que este post tinha sido escrito por alguma esganiçada mas afinal foi pelo Bruno Alves.

    Um panfleto anti-Trump que é uma mão cheia de nada. Uma histeria anti-Trump porque ele disse numa entrevista que respeitava Putin. Trump também disse à saída da reunião com Obama na Casa Branca que se aproveitavam algumas coisas do Obamacare. A 1ª coisa que fez quando tomou posse foi acabar com o Obamacare todo.

    O que me parece é que Trump mente aos outros políticos mas não tem mentido ao eleitorado que o elegeu. É refrescante embora estranho para quem, como o Bruno, critica as mentiras dos políticos mas fica perturbado quando aparece um que faz o que diz.

    Trump tomou posse no passado dia 20, não completou sequer 2 semanas de mandato, e ainda ninguém apresentou argumentos válidos que justifiquem as críticas às suas medidas. Eu próprio só discordo das restrições nos Vistos porque não creio na sua eficácia para o efeito pretendido.

    O alegado respeito de Trump por Putin não é nada comparado com as homenagens do Parlamento português ao ditador cubano Fidel Castro. Esse fez bem pior do que Putin.

    O que o Mundo mais tem é ditadores. Democracias verdadeiras contam-se poucas.

  5. lucklucky

    Hahah

    Não vimos semelhante discurso com Obama e Fidel Castro…

    “Perante a pergunta, Trump respondeu que “há muitos assassinos. Nós temos muitos assassinos. Acha que o nosso país é assim tão inocente?”

    Isto foi dito por Obama com outras palavras mas para mostrar subserviência.
    Foi aplaudido pelo mundo inteiro como palavras sábias.

    Obama foi Primeiro Presidente Anti-Americano porque odeia a ideia de América.
    Foi com Obama que:

    -Liberdade mais se reduziu na esfera publica.
    -A violação aberta e admitida das leis existentes desde há décadas foi mais evidente.
    -Onde a exploração racista e sexista de “Identity Politics” foi mais incentivada pelo Presidente

    Esta ultima é a parte de Obama que marca um retorno aos tempos de segregação. Agora são chamados “Safe Spaces”

    Com o fundo Marxista de Obama é apropriado usar a expressão de Marx :

    “History repeats itself, first as tragedy, second as farce.”

  6. Isto está a tornar-se um verdadeiro National Geographic da neotontice.

    Foram-lhes ao dogma- a Santa Liberdade e agora andam que nem baratas tontas.

    Ai que lá se vai o húmus da seita.

  7. Estão a ser ultrapassados pela História. Andam com uma cartilha com a mesma idade que a socialista e a realiade está a mostrar-lhes que caducou.

  8. Ainda bem que advogar o uso de tortura não é “anti-americano”, ao contrário de dizer (mais) banalidades diplomáticas…

  9. O fenómeno impressionante é geracional. Estes neotontos falam tal e qual como os escardalhos- andaram todos a ser doutrinados na escola pública e continuaram-na nos media.

    Eles nunca pensam os actos, nem propões acções- eles apenas vivem de palavras e “analizam” e “escalpelizam” palavras em tom moralista.

  10. O problema tem de ser sempre algum adjectivo. Alguma suposta intenção malévola escondida por trás de uma palavra que está no ìndex.

    E depois resumem toda a bondade e maldade (de forma maniqueísta) da acção política pela quantidade de palavras boas e más que os dirigentes proferem.
    O catálogo é de lei e de papel passado e aprovado pela ONU, UE, UNESCO e lobbies que a vendem- é a tabela da ditadura do politicamente correcto.

  11. Fora isso, a coisa é mais básica que a dos marxistas- têm o dogma do internacionalismo global por causa do dogma da Santa Liberdade que leva a prosperidade em Igualdade e Irmandade a todo o Mundo.

    Quando a coisa sai deste espartilho ficam assim- maluk@s esganiçad@s a arrepelarem os cabelos.

  12. Boas Bruno,

    O seu comentário faz-me pensar, sim mas….

    Toda a sua análise faz sentido “Trump não deveria usar essa justificação”. (quero pensar que essa questão se fosse respondida como deveria ser deitava por terra qualquer aproximação, o jornalista sequestrou o seu presidente)

    Mas, devo concordar com o Trump, que não é entrar em guerras com a Russia que nos vai fazer mais seguros. Existiram muitos erros no passado.

    Mais, ainda não sei quem tem razão o putin ou a europa no que diz respeito a todas as guerras comerciais de energia. Porque o antagonismo da russia perante a europa e as primaveras, que enfraqueceram a russia económicamente, pode fazer sentido.

    Será que a europa não está a ser hiteleriana com a russia?

  13. Tenho recebido petições de ONGs internacionais a pedir assinaturas contra Trump. Vejamos, eu não gosto do presidente Marcelo, mas como português, não gostaria de receber uma petição iniciada por um estrangeiro, no estrangeiro, a pedir a sua exoneração ou a criticar a sua propensão para a tolice infantil.
    Certo, Trump está num cargo que pode afectar o mundo. Mas também Putin, e NUNCA recebi nenhuma petição para assinar NADA contra esse. Nada contra a Coreia do Norte, nada contra Cuba, nada contra a China.
    Trump é um populista. Bem, o que é Marcelo? Foi eleito com uma maioria esmagadora sem fazer campanha, sem explicitar um programa, fugindo a questões delicadas, como a sua relação com Ricardo Salgado, básicamente foi eleito pela fama que grangeou num talk-show. E é um desbocado potencialmente perigoso, como se viu esta semana acerca da Fitch.
    A maior diferença que encontro entre Marcelo e Trump é que nós somos tão insignificantes que na práctica só conseguimos prejudicar-nos a nós mesmos. O que estamos a fazer admirávelmente.
    Chegará talvez um tempo em que o mundo será forçado a tomar posição acerca de Trump. Até lá, temos cá por casa bastante com que nos preocupar.

  14. Bruno, será mesmo ? repare que o Trump não é um politico profissional que toda a vida ensaiou discursos e respostas ou que chuta para canto qdo a pergunta é inconveniente. Trump chegou agora, está a aprender e irá enganar-se e dar respostas destas muitas vezes. É natural. Agora vamos aplicar a sua “sentença” ao Obama. Quem foi o presidente que disse ” o excepcionalismo americano não existe”, “os EUA são um país igual aos outros” ? Quem foi o presidente que assim que tomou posse iniciou um périplo pelo mundo a pedir desculpas pelos crimes da América ? quem foi o presidente cuja 1ª dama disse várias vezes que tinha vergonha de ser americana ?. Resposta : Obama. O que tb é natural, afinal teve um mãe de extrema esquerda que odiava os EUA e casou com 2 homens de raça negra ( mas quem teve de criar Obama acabaram por ser os avós brancos). Obama foi influenciado por uma visão terceiro mundista – marxista que via os EU como o opressor racista e imperialista ( ler suas autobiografias) e nunca se conseguiu livrar dessa visão durante os últimos 8 anos. Será Trump, tanto ou mais anti-americano que Obama ?

  15. O que o Trump disse é verdade e é isso que incomoda o Bruno Alves. Só na guerra do Iraque, justamente criticada por Trump, morreram centenas de milhares de iraquianos mas isso não incomoda Bruno Alves. A NATO matou dezenas de milhares de civis no Afeganistão. Não se lembram dos casamentos bombardeados pela aviação da NATO? Claro que essas vidas nada valem para o Bruno Alves. Os EUA têm um histórico de mortes que começou logo com os índios que viviam no que hoje são os EUA e que morreram aos milhões. Mas essas vidas nada valem para o Bruno Alves. Os direitos humanos para o Bruno Alves só valem para alguns.

  16. A.R

    “Ainda bem que advogar o uso de tortura não é “anti-americano”, ao contrário de dizer (mais) banalidades diplomáticas…”
    Realmente …. que maçada, que trabalho, que canseira!

    Um gaseamento como no Teatro de Moscovo seguido de tiro na testa, uma dose de material radioactivo para deixar alguém fluorescente, uma picadela de guarda-chuva por agente búlgaro, um tirito conveniente em jornalista … é mais higiénico.

  17. Xin22

    Quando vi o título do post assumi que, naturalmente, só se podia referir ao ex, Obama.
    Quando começo a ler constato que se trata apenas de (mais um) a falar mal do actual e, mais um vazio de conteúdo, de substância.
    Um post muito fraquinho..

  18. Deve ser tramado chegar-se atrasado em novo a uma coisa fora de prazo:

    “Temos uma coisa muito preocupante, já agora que estamos em dia de pessimismo. Eu nunca vi um bom romance de ficção científica que previsse uma sociedade liberal”.

    Jaime Nogueira Pinto
    😛

  19. Ele esqueceu-se de referir que o único que se lembrou disso e ainda alinhavou um pouco que nunca acabou foi o Galton.

    😛

    Tramado- pela eugenia fechava-se o ciclo que começou com o darwinismo.

  20. O Rui A lembrou-se ali ao lado do Starship Troopers. Ora isso é mais variante da Thelema rabelaisiana que é a primeira distopia irónica.

  21. Buiça

    A guerra do Iraque e o 11 de setembro na mesma frase ilustram bem a insanidade deste Bruno… so faltaram as armas de destruição massiva.
    No fundo para continuar a pensar a preto e branco diz o que for preciso para os EUA poderem continuar de branco virginal, caso contrário todo o seu universo desaba… Continuam a não responder ao envio semanal de CV lá da fox news?

  22. lucklucky

    “A guerra do Iraque e o 11 de setembro na mesma frase ilustram bem a insanidade deste Bruno…”

    “Ó Bruno, achas mesmo que as muitas centenas de milhar de mortos, da Jugoslávia ao Iraque, da Líbia à Síria ou à Ucrânia , existiriam sem a russofobia militante que atravessa o maistream político e mediático ocidentais do pós queda do muro de Berlim?”

    …mas a guerra contra o colonialismo e cá só os 1.5 milhão de mortos do 25 de Abril já foi bom…

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