Trump, Costa e Le Pen

De Trump a Costa, por Paulo Tunhas.

Se quisermos manifestar a nossa virtude e a excelência dos nossos princípios (uma pessoa fica surpreendida coma quantidade de gente que aparentemente os tem ininterruptamente presentes ao espírito) há objectos de oposição bem mais urgentes do que Trump, até porque os americanos sabem tomar muito bem conta de si, como tomaram durante muito tempo conta de nós. Em França, por exemplo. Uma vitória de Marine Le Pen nas presidenciais francesas seria incalculavelmente mais nociva para nós do que a vitória de Trump nos Estados Unidos. A ideologia e a tradição são completamente diversas, e é disso que se deve ter medo. Gritar “populismo, populismo” como se a palavra abarcasse tudo e quisesse dizer sempre o mesmo não adianta nada. E esse medo tem mesmo uma razão de ser razoavelmente definida, até porque as trapalhadas em que se encontra François Fillon por causa dos supostos pagamentos chorudos à mulher, bem como a escolha socialista de Benoît Hamon, um esquerdista absurdo, facilitam, e muito, a vida à filha de Jean-Marie. Não se compare isto, por favor, com Trump ou o Brexit. A vitória de Marine Le Pen e da velhíssima tradição que, por mais camuflada que seja, ela traz consigo seria, de facto, o fim do mundo como nós, os europeus, o conhecemos.

Ou então, por razões mais comezinhas, Portugal. Costa e os seus, na ficção incongruente que construíram, estão a levar-nos disciplinadamente para o precipício. It’s a way of life. Os juros da dívida a dez anos, que para Marcelo parecem suaves prestações mensais, são um entre muitos outros sinais. Vai uma aposta? Mais depressa Trump fará coisas boas pelos Estados Unidos, e até pelo mundo, do que Costa o fará por Portugal. Mais depressa? Muito mais depressa.

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7 thoughts on “Trump, Costa e Le Pen

  1. Concordo genéricamente com a opinião mas no que diz respeito à mulher de Filon e considerando que o contrato terá tido a duração de 15 anos e não 8 como se adiantou, os cerca de 900 mil euros corresponderiam a cerca de 4500 euros mensais… Em França e para um lugar de assessor politico não me parece nada de exagerado…

    Não deixa de ser curioso que relativamente a Fillon tenham “descoberto” isto agora, na antecâmara das eleições presidenciais onde parte como favorito, e também que o Parlamento Europeu tenha descoberto agora uma divida da Marie Le Pen no valor de cerca de 300 mil euros… Podem ser só coincidências mas do candidato socialista pelos vistos ninguém descobriu nada…

    Quanto aos juros da divida pública, se o Presidente “Martelo ” diz que não é grave, é porque não é grave… O mandato de Costa é que tem de ir aos 4 anos.. Se o esquerdista Sampaio pensasse da mesma forma, o Santana teria cumprido o seu mandato, num parlamento onde PSD+CDS tinham maioria absoluta… E Sócrates não teria vindo arruinar as Finanças Públicas como veio…

  2. Por muito que me custe, tendo a concordar com esta análise num ponto: a meu ver, a actuação de Trump visa, precisamente, tentar obter o tipo de reacções descabeladas a que se têm assistido. Recordo que o homem não teve o apoio à sua candidatura de praticamente um Senador ou Congressista Republicano. A maior parte qualificou-o de “palhaço”, ou pior. Mas, perante o espectáculo de toda a América liberal em fúria, a condenação unânime dos “especialistas”; as manifs de lésbicas marxistas afro-nativo-americanas “tree-huggers”, e o choradinho das estrelas de Hollywood, estão criadas as condições para um “nós ou eles”, em que mesmo o mais moderado político republicano vai ter de tomar o partido de Trump, ou ser linchado pelo seu eleitorado.

  3. jo

    “Ou então, por razões mais comezinhas, Portugal. Costa e os seus, na ficção incongruente que construíram, estão a levar-nos disciplinadamente para o precipício. It’s a way of life. ”

    Metade das vezes Costa é um aldrabão porque diz que mudou a política em relação ao governo anterior sem mudar nada. A outra metade das vezes destruiu a política do governo anterior e está a levar-nos ao abismo.
    Vejam lá se se decidem.

  4. JO : “Vejam lá se se decidem.”

    Em relação à politica do governo anterior, Costa, ao contrario do que disse que faria, não mudou certos aspectos, o que embora seja um embuste politico não deixa de ser preferivel, mas, através de “devoluções” e “reversões”, mudou outros suficientemente importantes para degradarem a economia e as finanças do pais.

    Costa não acabou globalmente com a austeridade conseguindo assim cumprir metas para o déficit orçamental negociadas com a UE, o que é naturalmente melhor do que o contrário.
    Mas, para financiar algumas devoluções de rendimentos a clientelas politicas, mudou a composição da austeridade tornando-a mais injusta e, sobretudo, económicamente mais ineficiente (por exemplo, para pagar mais aos funcionários e reduzir alguns impostos indirectos e sobre o rendimento, cortou despesas de funcionamento e investimentos nos serviços públicos e aumentou alguns impostos que agravaram custos de contexto dos operadores económicos).

    Costa, resistindo ainda às pressões dos seus aliados comunistas e esquerdistas no governo, não mexeu por enquanto no essencial da legislação laboral. O que é positivo e contribui certamente para manter um minimo de crescimento da economia e para o prosseguimento, mesmo que mais lento, da diminuição do desemprego.
    Mas, em paralelo, Costa reduziu administrativamente o numero de horas trabalhadas anualmente e aumentou o salário minimo sem levar em conta a evolução da produtividade, degradando assim as condições que favorecem o investimento e a competitividade da economia.
    Acresce ainda que Costa parou ou reverteu outras medidas de carácter estrutural para a economia, como sejam algumas privatizações e concessões a privados e como sejam os processos de liberalização em alguns mercados, o que criou incerteza e desconfiança prejudicial ao investimento e ao dinamismo da economia em geral.

    Assim sendo, no final de contas, não é de admirar que a economia se tenha ressentido negativamente verificando-se uma desacelaração do ritmo de crescimento e de criação de emprego, e que, no plano financeiro, as condições do financiamento da divida pública e a situação do sistema bancário se tenham degradado.
    Ou seja, a politica de Costa interrompeu a dinâmica de crescimento que estava em curso e voltou a aumentar os riscos e os custos do financiamento das contas públicas e da economia em geral.

    Não sei se é “o abismo” mas não é certamente nada de bom !!

  5. Ana Catarina

    Um pacote bem embrulhado.
    Pedindo desculpa pela desproporção dos segmentos
    Le pen 1 cateto mediano
    Trampa outro cateto maior
    Costa a hipotenusa alongada
    Aqui sim.
    Justificava-se um bom MARTELO que desconjuntasse a soma dos quadrados dos catetos e desconchavasse de uma vez por todas a hipotenusa

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