Ser independente

Há os que trabalham porque precisam de dinheiro para viver; há os que trabalham porque querem ganhar dinheiro ou construir algo. Por fim, há os que trabalham só porque querem ser independentes. O meu artigo hoje no ‘i’.

Ser independente

“Gente Independente” (Cavalo de Ferro), de Halldór Laxness, é um livro sobre a vida de um homem, um islandês chamado Bjartur, que quer ser independente na Islândia do início do século XX.

Para ser independente trabalha no duro durante 18 anos para uma família, poupando e juntando tudo o que pode; prescinde do que um homem precisa para existir, de forma a conseguir o que um homem precisa para viver: um pedaço de terra onde tenha as suas ovelhas, trate delas e elas depois tratem de si: “O homem que possui a sua própria terra é um homem independente” (pág. 18). Não precisa de luxos, desdenha o luxo, um encargo, que o desfoca do seu objetivo: ser independente.

Não ser livre. Ser livre passa por não assumir compromissos, que é o contrário do que a independência reclama. Um homem independente não prejudica ninguém. Não é um peso, um empecilho. Não causa impacto porque alguém assim não quer influenciar a vida dos outros.

E como é que se ganha a independência? Sem dívidas. Laxness escreveu este livro nos anos 30. Além de tremendamente bem escrito, é actual. E como é que se vive sem dívidas? Com obstinação. Viver sem dívidas exige muito de nós. É preciso teimosia, viver obsessivamente um fim. Não pactuar com o provável. Esperar sempre o pior. Com resiliência e em silêncio. “(…) agora era proprietário de terra escriturada no notário (…), era rei no seu reino, e os pássaros eram os seus convidados”(pág. 46). A independência é algo tão nosso que apenas nós a valorizamos.

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5 thoughts on “Ser independente

  1. A independência – originada na propriedade. Privada.

    Aquela que certa forma de engenharia social [que não pode ser nomeada] pretende erradicar. Em prol do bem comum.

    É por não compreenderem a natureza humana que alguns não entendem que “anticomunista primário” não é um insulto.

  2. Nã, nã isso de ser independente não dá. Logo na na escola percebi que aprender dá uma grande trabalheira. Nos intervalos uma volta pelas tascas à tarde e pelas discotecas à noite.
    Os pais são uns tótós: “Vê lá o que andas a fazer!…”.
    “Conselhos de velhotes, eu…”
    Falo de alto, aprendi uns motes, sei escolher as companhias, sei. Os jotas em primeiro lugar. Quais? Os que dão mais lastro. Dos 17 aos 20 foi um ápice. Sempre pronto para as manifs, associações de estudantes é trunfo, hoje aos 24 estou como quero. Só tenho medo que me façam deputado. Quando desato a língua sai desigualdade, demucracia, ética e não sei que mais. Pulhítica a rigor mais um servicinho ali, uma informação acolá. Não há almoços grátis e eu gosto de comer bem. Qual iva. imi, irs, irc! Não brinquem comigo, eu sei do assunto. Explicar? Nã, não há lugar para todos.

  3. “A independência – originada na propriedade. Privada.”

    Corolário – a concentração da riqueza (seja no Estado ou num pequeno grupo de privados) acaba com a independência de grande parte das pessoas.

  4. Pingback: Vergonha em tons multiculturais V – O Insurgente

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