Como fabricar um défice

“O governo conseguiu o menor défice orçamental dos últimos 40 anos. Está de parabéns. Mas se o número serve intentos políticos, não serve para mais nada, foi construído para Bruxelas ver.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. O título diz (quase) tudo.

Advertisements

19 thoughts on “Como fabricar um défice

  1. Luís Lavoura

    Não percebo a mensagem deste post.
    O governo fez um orçamento. Depois, as receitas estimadas nesse orçamento não se concretizaram. Perante este facto, o governo decidiu cortar nas despesas, por forma a que o resultado final se mantivesse. O que quereria o Ricardo Arroja que o governo tivesse feito? Que tivesse apresentado um orçamento alternativo?

  2. A seu tempo julgaremos a centelha do centeno.
    De habilidades está o sítio cheio. Ainda agora está um feirante muito esperto a vender cobertores.
    Vende três cobertores pelo preço de um e ainda dá um chupa chupa.
    A gorducha agarra logo a encomenda
    “Ó Eufémia, olha que te faz mal!”. Diz a amiga.
    “Deixa lá, por agora sabe bem, depois logo se vê!”

  3. JP-A

    Só num país de gente estúpida e mentalmente atrasada de séculos é que uma discussão pode vir a público por obra e graça de um governo sobre se se contabiliza ou não uma determinada coisa para o défice, como se isso alterasse em um único cêntimo tudo aquilo que se deve e há para pagar. E aparecem uns tipos na TV a sorrir, todos contentinhos, quando o conseguem. Por vezes tenho a sensação de viver num manicómio.

  4. LUIS LAVOURA : “O que quereria o Ricardo Arroja que o governo tivesse feito? Que tivesse apresentado um orçamento alternativo?”

    Em termos de execução, é efectivamente um orçamento alternativo áquele com que o governo se comprometeu inicialmente.
    Não foi indispensável um orçamento rectificativo porque o governo começou desde cedo a fazer o contrario de muito do que estava inicialmente previsto, em particular no que se refere ao investimento (redução) e à despesa (cativações).
    O que teria sido desejável é que a postura do governo ao longo do ano tivesse sido mais transparente e menos mistificadora !
    O governo que se apresentou como sendo aquele que iria aumentar o investimento publico e acabar com a contenção das despesas em serviços públicos essenciais fez exactamente o contrario !!

  5. JP-A

    Diz que não queria prestar contas na AR:
    “Dívida pública cresceu 9,5 mil milhões em 2016” (Observador)

    Enquanto isto o presidente vai tirando selfies aqui e ali.

  6. Ricciardi

    O que distingue um governo cumpridor, doutro, é a capacidade de conseguir atingir os objectivos quando os pressupostos se alteram.
    .
    É louvável que se tenham cumprido objectivos orçamentais quando alguns pressupostos macroeconómicos saíram ao lado.
    .
    O governo anterior optou (mal) por implementar medidas extraordinárias como cortes nos salários, sobretaxas e corte na pensões. Extraordinárias porque foram medidas ilegais, logo temporárias de acordo com os acórdãos produzidos.
    .
    O governo actual é mais realista. Optou por cumprir as determinações legais e compensou os desvios encolhendo o investimento público qur, como sabemos, é estéril. Optou também por garantir que atingia objectivos cativando verbas orçamentais. E fez muito bem. Não há outras formas de termos a certeza de cumprir.
    .
    Mas fez ainda melhor. Elaborou um programa de recuperação de dívidas fiscais com garantia de receitas por dez longos anos.
    .
    Tudo isto sem prejudicar o emprego e a confiança empresarial e dos consumidores. O volume de negócios da indústria e serviços subiu 7%. Valor muito bom que indícia um futuro melhor.
    .
    A dívida externa líquida diminuiu 6 mil milhões de euros. Excelente.
    .
    A dívida pública líquida, que indica a real consolidação orçamental desceu pela primeira vez desde há mais de 7 anos.
    .
    Os inquéritos aos exportadores apontam para mais crescimento.
    .
    Os fundamentais da economia estão deveras melhor hoje do que há um ano.
    .
    Centeno está de facto de parabéns.
    .
    Se se resolver o problema herdado do crédito malparado na banca, o crescimento disparará e, com isso, as notações de rating podem melhorar.
    .
    Rb

  7. JP-A

    O assunto “Trump agora e sempre” dá imenso jeito: “Carris concorre este mês a fundos comunitários para novos autocarros”

    Mais carga nos filhos, netos, bisnetos e seus descendentes. O que é preciso é que o Medina dê e entre pelos olhos dentro de manhã, à tarde e à noite. É sempre a bombar 🙂

  8. JP-A

    Para memória futura:
    «Fernando Medina: “Carris não voltará a acumular dívida”»

    Já se ouviu disto aquando dos saneamentos dos caminhos de ferro e outros negócios do Estado nos anos 70 e 80.

  9. RICCIARDI : “O que distingue um governo cumpridor, doutro, é a capacidade de conseguir atingir os objectivos quando os pressupostos se alteram.”

    O objectivo dos partidos da geringonça era acabar com a austeridade … Não acabou !!
    O objectivo dos partidos da geringonça era crescer mais … Crescemos menos !!
    O objectivo dos partidos da geringonça era “bater o pé à Troika”, recusar as metas de redução do déficit a qualquer custo (por exemplo, reduzindo despesas públicas e cortando investimento publico), de modo a podermos previligiar o crescimento … Não “batemos” coisa nenhuma e previligiámos muita coisa (por exemplo, as “devoluções” às clientelas dos partidos da geringonça) menos o crescimento !!
    O objectivo dos partidos da geringonça era reduzir a divida para pagarmos menos juros … A divida aumentou e pagamos mais juros !!
    Este governo só cumpriu os objectivos que lhe permitem continuar agarrado ao poder de modo a bloquear as reformas estruturais de que o pais precisa urgentemente de modo a poder crescer muito mais e ter contas verdadeiramente e duradouramente sustentáveis !!

  10. RICCIARDI : “Tudo isto sem prejudicar o emprego e a confiança empresarial e dos consumidores.”

    “Sem prejudicar” é um reconhecimento de que com o governo anterior o desemprego diminuia e a confiança empresarial e dos consumidores voltara depois dos anos da bancarrota e da recessão ??!…
    Seja !…
    Mas então, onde é que estão, como anunciado e prometido, os crescimentos mais fortes no emprego, nos investimentos público e privado, e no consumo ??!…
    E porque será que o desemprego baixa a um ritmo menor (e baixa ainda apenas porque o governo Costa, felizmente, até agora não mexeu muito no essencial das reformas laborais introduzidas pelo governo anterior) e o investimento e o consumo privados crescem a um ritmo menor (por isso é que o crescimento é menor) ??!….
    “Tudo isto” para termos uma economia mais estagnada e custos de financiamento cada vez mais elevados ??!…
    E “o diabo” nem sequer ainda chegou !!!!….

  11. RICCIARDI : “Os fundamentais da economia estão deveras melhor hoje do que há um ano.”

    Os únicos fundamentais que estão um pouco melhores são aqueles que já vinham melhorando graças à politica de ajustamento do governo anterior e que ainda resistem à progressiva degradação das condições da actividade económica em resultado das reversões e dos impasses da politica do governo actual : basicamente, o desemprego e as exportações.

    Mas estariam bem melhor se a politica do governo fosse mais criteriosa no que se refere às finanças públicas e mais favorável ao investimento privado !!
    Em contrapartida, os indicadores que dependem essencialmente da acção do governo actual, básicamente o nivel de confiança dos investidores e dos mercados financeiros, estão hoje piores : o aumento dos juros da divida pública é o sinal mais evidente e visivel dos receios crescentes relativamente ao futuro da nossa economia.

  12. Ricciardi

    Fernando S, o mérito do governo está precisamente no facto de a economia não ter crescido como esperava e, mesmo assim, cumpriu as metas orçamentais.
    .
    A dívida pública líquida, em qualquer análise, só pode ser avaliada em termos relativos. Em função do PIB ou qualquer outro indicador equivalente. Assim sendo a mesma desceu.
    .
    Pode não gostar do resultado, mas a realidade comprova que a consolidação orçamental foi real. A uma redução forte no défice (de 4,4 para 2,3, em funcao do PIB claro) a dívida pública liquida seguiu o mesmo padrão. Com um desvio maior devido à despesa com o banif.
    .
    O crescimento econômico não dependeu do governo. Ainda bem. Pelo contrário, foi a iniciativa privada a puxar pela economia, dado que o investimento público baixou.
    .
    Isto é que é boa notícia. A economia real, das empresas, está em franco crescimento e isso pode ser aferido pelo crescimento do volume negócios na indústria e serviços.
    .
    Concomitantemente a dívida externa baixou bastante.
    .
    Não vejo más notícias. Pelo contrário.
    .
    Argumentar que prometeu menos austeridade e a austeridade se mantém é mera questiuncula política.
    .
    A austeridade mudou claramente de tom. E bem. Aliviar impostos directos e agravar impostos indirectos (principemte aqueles que incidem sobre produtos importados) parece me bem é recomendável.
    .
    E depois, bem, e depois não há alternativa alguma. A geringonça optou por devolver rendimentos num ano e meio. Os pafianos prometiam o mesmo em 3 anos. Ou seja, este ano e para os próximos dois ainda não tinha reposto a legalidade constitucional. E isso sim, é fingir que se consolida.
    .
    Tendo por base o crescimento do volume negócios e outros indicadores parece me que também o 4 trim vai ser muito bom. E isto evidência uma dinâmica de crescimento e não um relapso como se comprovou a meio de 2015.
    .
    Até lhe digo mais, a crescer como no 3 e 4 trim, este ano pode vir a surpreender muita gente. A católica já prevê um crescimento de 1,7%. Mas eu creio que será melhor, ceteris paribus.
    .
    Se assim for o governo tem um orçamento conservador.
    .
    Rb

  13. Ricciardi,

    “Questincula partidária” foi, como fizeram os actuais apoiantes da geringonça, incluindo o Ricciardi, ter contestado a necessidade e a inevitabilidade da austeridade levada a cabo pelo governo anterior quando o pais estava às portas da bancarrota e em recessão, e vir agora, num contexto bastante mais favorável, de crescimento economico e de contas públicas consolidadas, que se verifica sobretudo devido à politica e à acção do governo anterior, admitir a manutenção da austeridade a um nivel global práticamente equivalente mas com uma configuração mais injusta e económicamente nefasta.
    Ou seja, o que era inaceitável num contexto dificil passou a ser normal num contexto bem mais favorável !…
    Sim, globalmente, a austeridade continua. Houve algumas mudanças, algumas transferências de recursos de certos sectores para outros, mas globalmente as restrições orçamentais não desapareceram.
    As mudanças foram sobretudo em beneficio de certas categorias socio-profissionais que, grosso modo, constituem as principais clientelas eleitorais dos partidos do governo.
    Mas, em contrapartida, o resto da população, dos mais desfavorecidos e do grosso da classe média até aos aforradores e investidores passando pelos trabalhadores mais produtivos e os empresários mais dinâmicos, pagou estas “devoluções” através da degradação imediata e a prazo dos serviços do Estado e de aumentos de impostos indirectos e patrimoniais.
    A nova configuração orçamental é não apenas moralmente e socialmente mais injusta como é ainda menos eficiente em termos do que pode favorecer o dinamismo da economia que, como sabemos, depende essencialmente dos privados e tem a ver com as empresas e o investimento.
    Ou seja, o governo da geringonça, apesar de ter herdado um pais em melhores condições, fez muito pior do que o governo anterior e está a comprometer sériamente o prosseguimento da recuperação da economia e das contas públicas nos anos que se seguem.

  14. RICCIARDI : ” o mérito do governo está precisamente no facto de a economia não ter crescido como esperava e, mesmo assim, cumpriu as metas orçamentais.”

    1. A economia não cresceu como era previsivel que crescesse prosseguindo e aprofundando a politica seguida até 2015 porque o governo do pais passou para as mãos da geringonça.
    Não inverta a ordem do factores !!!

    2. Por esta ordem de ideias, os resultados orçamentais obtidos pelo governo anterior com uma economia em forte recessão foram, esses sim, verdadeiramente espetaculares !!

    3. O governo actual cumpriu as metas orçamentais muito à custa de uma politica assente numa austeridade menos justa e menos eficiente.

    4. Além de que as metas orçamentais que o governo cumpriu já foram relativamente modestas à partida. Não nos esqueçamos que o governo anterior tinha previsto objectivos para o déficit em 2016 mais ambiciosos do que as metas que foram fixadas e finalmente negociadas pelo novo governo e a UE. Na verdade, o nosso pais deveria ter ido ainda mais longe no esforço de consolidação orçamental para controlar melhor o endividamento e garantir financiamentos com taxas de juro mais baixas. A comparação não deve ser feita apenas relativamente a 2015 (a redução do déficit é de apenas 0,7 pontos) mas sobretudo com o que seria desejável e possivel em 2016 caso a politica tivesse sido mais adequada (mais consolidação e mais crescimento). Este relaxamento no esforço e nos resultados da consolidação orçamental explica em parte a desconfiança dos mercados (a outra parte tem a vêr com o fraco crescimento da economia e com a reversão e o impasse nas reformas estruturais) traduzida no aumento das taxas de juro.

    5. Apesar de tudo, o governo actual até pode vir a cumprir a meta para o déficit negociada com Bruxelas. Ainda bem que é assim e algum mérito deve ser reconhecido ao governo. Tendo em conta o que fora dito nos anos anteriores pelos arautos e apoiantes do governo da geringonça a propósito das metas para o déficit impostas pela Troika e pela UE, e tendo ainda em conta que este governo depende de uma coligação com partidos da extrema esquerda, podia ter sido … ainda pior !…
    Mas este resultado relativamente positivo não nos deve fazer esquecer que o governo actual falhou completamente a esmagadora maioria dos outros objectivos a que se tinha proposto (o fim da austeridade, a redução da divida, um aumento do investimento e da despesa pública, um maior crescimento da economia, do emprego, dos rendimentos mais baixos, do consumo !…), quebrou a acelaração do crescimento economico que se estava a verificar até ao primeiro semestre de 2015 e reverteu e bloqueou as reformas estruturais de que o pais precisa.
    A árvore (o déficit orçamental) não nos deve esconder a floresta (tudo o resto) !!

  15. RICCIARDI : “A dívida pública líquida, em qualquer análise, só pode ser avaliada em termos relativos. Em função do PIB ou qualquer outro indicador equivalente. Assim sendo a mesma desceu.”

    Se a divida pública liquida em 2016 cresceu 5,5 mil milhões de Euros e se se admite que o Pib no mesmo ano possa ter crescido, na melhor das hipóteses, um pouco acima dos 2 mil milhões (1,3% de cerca de 179,4 mil milhões = 2,3 mil milhões), então o peso da divida pública liquida no Pib aumenta em vez de descer, certo ?….

  16. Escreveu Ricciardi:

    «A dívida pública líquida, em qualquer análise, só pode ser avaliada em termos relativos. Em função do PIB ou qualquer outro indicador equivalente. Assim sendo a mesma desceu.»

    Assim sendo? Sendo como? Desceu? Mas tem estado cá ou em Marte? Nem em termos absolutos nem em percentagem do PIB desceu. Subiu! Durante uns diazitos por ano a coisa desce, para logo depois voltar a subir: mas isso é quando são feitos pagamentos avultados aos credores! As subidas e descidas referidas são-no quer em termos absolutos quer em % do PIB.

    Imagine que tenho uma dívida tal ao banco que todos os dias aumenta em 100 euros. Todos os dias. Ao fim de um mês de 30 dias são 3000 euros. Um dia pego em 330 euros que tenho em casa, vou ao banco e digo: “Quero amortizar a dívida com estes trezentos e trinta euros. Nos próximos 3 dias retirem, em cada dia, destes 330 euros, 110 euros para amortizar os 100 euros que a dívida cresce.” Ora bem, naqueles três dias a dívida desceu sempre: 10 euros cada dia. Mas a seguir… volta a aumentar! Faço-me entender? Bolas, é que isto é tão simples. Já no tempo do Passos Coelho, quando salvo erro algures em setembro (mas não me recordo bem) de 2015 a dívida desceu, eu avisei para que não atirassem foguetes, porque isso se devia apenas aos pagamentos de elevadas quantias aos credores (e aliás com um “timing” provavelmente eleitoralista). A seguir a dívida iria crescer e voltaria mesmo a ultrapassar o recorde anterior do montante em dívida incluindo juros (não me refiro, obviamente, ao valor, em percentagem, dos juros da dívida, já que essa percentagem veio sempre mais ou menos descendo até vir a geringonça), quer em termos absolutos, quer em percentagem do PIB, disse eu. Tal e qual!

    «Pode não gostar do resultado, mas a realidade comprova que a consolidação orçamental foi real. A uma redução forte no défice (de 4,4 para 2,3, em funcao do PIB claro) a dívida pública liquida seguiu o mesmo padrão. Com um desvio maior devido à despesa com o banif.»

    Ouça: se o défice não é tão grande como em outros anos, pode-se dizer, como é óbvio, que o défice desceu. Mas o défice descer não faz descer a dívida. Isto pela simples razão de que ENQUANTO HÁ DÉFICE (por pequenino que seja) HÁ DÍVIDA! E mesmo sem défice pode haver dívida, vinda de défices de anos anteriores!

    Às vezes endividamo-nos a um ritmo mais lento, outras vezes a um ritmo mais rápido. Mas estamos sempre a endividar-nos.
    Endividarmo-nos cada vez menos não chega, Ricciardi. É preciso pararmos de nos endividar e mesmo fazer orçamentos superavitários se não quisermos pagar 160 submarinos/pontes Vasco da Gama por ano aos nossos credores só em juros de dívida pública (8 mil milhões de euros, quase 22 milhões de euros por dia – só em juros da dívida!).
    Já vi muitas vezes vi escrito esse “raciocínio”: o défice desceu, a dívida vai descer, certo? Não, errado! A dívida só desce se o orçamento, mais do que descer, for superavitário. Por que acha que na Grécia o Siryza os faz?

  17. RICCIARDI : “Pode não gostar do resultado, mas a realidade comprova que a consolidação orçamental foi real. A uma redução forte no défice (de 4,4 para 2,3, em funcao do PIB claro)…”

    Em primeiro lugar, se queremos avaliar as responsabilidades directas dos diferentes governos na consolidação orçamental não devemos incluir no déficit de 2015 o que foi gasto com a resolução do Banif, cerca de 1,4% do Pib. Por duas razões : porque foi um gasto excepcional ; porque foi uma decisão da responsabilidade do governo Costa.
    Na verdade, toda a gente percebeu que o gasto com o Banif foi apressado para poder ser incluido nas contas de 2015 e não passar para o ano seguinte. Se tivesse sido o caso, o déficit nominal em 2016 teria sido de 3,7%, isto é, teria aumentado 0,7 pontos percentuais e não diminuido.
    Ou seja, a redução no déficit que conta para efeitos da consolidação orçamental é, na melhor das hipóteses para o governo Costa, de apenas 0,7 pontos percentuais (3,0%-2,3%).
    Este resultado do primeiro ano efectivo do governo Costa, obtido através dos expedientes e do tipo de medidas que se sabe (recuperação de dividas, corte do investimento, cativação de despesas, etc), pode ser comparado com uma média anual de redução de 1,5 pontos percentuais durante os 4,5 anos do governo anterior, um total acumulado de 6,8 pontos percentuais (9,8%-3,0%).

    Está enganado quando sugere que eu não gosto do resultado do déficit orçamental em 2016 : eu prefiro que o déficit orçamental baixe em vez de aumentar. Quem passou os anos entre 2011 e 2015 a dizer o contrario foram precisamente os amigos do Ricciardi.
    O que acontece é que, ao contrário do Ricciardi, eu não considero o resultado orçamental de 2016 como excepcional ou sequer melhor do que vinha sendo feito pelo governo anterior : só foi possivel porque nos anos anteriores foi feito um enorme esforço de consolidação orçamental e porque o governo da geringonça deu o dito por não dito e, em matéria orçamental, fez o contrario do que prometera fazer.
    Para que não restem dúvidas, transcrevo a seguir o que disse num comentário acima :
    Ainda bem que é assim [que o déficit orçamental em 2016 baixa] e algum mérito deve ser reconhecido ao governo. Tendo em conta o que fora dito nos anos anteriores pelos arautos e apoiantes do governo da geringonça a propósito das metas para o déficit impostas pela Troika e pela UE, e tendo ainda em conta que este governo depende de uma coligação com partidos da extrema esquerda, podia ter sido … ainda pior !…
    Mas este resultado relativamente positivo não nos deve fazer esquecer que o governo actual (1) falhou completamente a esmagadora maioria dos outros objectivos a que se tinha proposto (o fim da austeridade, a redução da divida, um aumento do investimento e da despesa pública, um maior crescimento da economia, do emprego, dos rendimentos mais baixos, do consumo !…), (2) quebrou a acelaração do crescimento economico que se estava a verificar até ao primeiro semestre de 2015 e (3) reverteu e bloqueou as reformas estruturais de que o pais precisa.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s