O “milagre” orçamental de 2016

O “PERES” Natal e os números de 2016. Por Joaquim Miranda Sarmento.

O milagre orçamental de 2016 resultou exclusivamente de medidas pontuais, como o PERES, e de corte no investimento.

Se não tivesse havido o programa de recuperação de dívidas fiscais (o “PERES”, um verdadeiro “Pai Natal” do governo), bem como o programa de reavaliação de ativos, o défice de dezembro seria 700 milhões de euros mais elevado. E se o investimento não tivesse sido cortado em 400 milhões de euros, o défice em caixa ter-se-ia agravado em 1.100 milhões de euros (0,6% PIB).Ou seja, confirma-se que o “milagre orçamental” resultou exclusivamente de medidas pontuais e de corte no investimento.

O valor do défice em caixa é 2,3% (tal como o valor anunciado para o défice em contas nacionais). Assim, como as medidas atrás descritas valem 0,6 pontos percentuais, o défice em caixa seria de 3%. Como em Contabilidade Nacional há um conjunto de ajustamentos temporários (entre os quais a devolução de ‘pre-paid margins’ dos empréstimos Europeus e a venda dos F-16) no valor de 800 milhões de euros (0,4% PIB), o défice em nacional sobe assim para 3,4%.

O número que sempre referi como central, e o número que espelha a verdade das contas públicas. E os mercados, que não são cegos, refletem isso no agravamento dos spreads. Desde o final de 2015, Portugal viu o seu spread face a Alemanha quase triplicar (passou de 150 bp para cerca de 400 bp).

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21 thoughts on “O “milagre” orçamental de 2016

  1. jo

    Antes 3,4 que os 5 ou 6 do anterior governo antes das medidas extraordinárias.

    Há outra mudança bem vinda:
    Este governo é um trapalhão nas finanças, mas pelo menos faz um orçamento por ano. Era cansativo ouvir sempre o governo gabar-se que tinha cumprido no fim do ano os objetivos do orçamento que tinham sido revistos em outubro.

  2. Manuel Assis Teixeira

    Leiam o artigo do Raul Vaz no Negocios. Vale a pena! O embuste de Costa e dos seus aparatchiks começa a ser visivel. Ainda é só o topo da piramide mas começa! Os buracos estão a abrir e não sabem como os tapar! As reversões e o adiamento das despesas do estado começam a produzir os seus efeitos. Nas escolas nos hospitais, em tudo o que é serviço publico. Um ano de regabofe e aí estão os resultados! Espero que a oposiçao se una e reforçe a denuncia! E o Presidente? Há esse continua igual a si mesmo: selfies; aulas a criancinhas em Belem; Doutoramentos honoris causa e tudo o mais que seja folclore ! É a descrispação senhoras e senhores! É a descrispaçao… que pronuncia a bancarrota! Pobre país!

  3. JO : “Antes 3,4 que os 5 ou 6 do anterior governo antes das medidas extraordinárias.”

    Não é comparável … em 2016 não houve despesa extraordinária com a banca … Imagine-se o que seria se António Costa não tivesse apressado a resolução do BANIF para ficar no orçamento de 2015 e não tivesse empurrado com a barriga a recapitalização da CGD para não entrar no orçamento de 2016 !!….

  4. @JO

    AHAHAHAHAH

    Vocês parasitas esquerdalhos são uns cómicos, portanto um orçamento que foi feito mas em que nada do que lá consta foi cumprido é que é bom?

    Para filhos da puta como tu, não interessa que o orçamento para 2016, tal como foi aprovado, não passe de mero exercício de fantasia quando comparado com o que foi a realidade do ano que passou, o que interessa é que a geringonça não fez nada para corrigir essa fantasia?

    Não te cansa seres tão estúpido?

  5. Ricciardi

    ODiminuir o investimento público não é uma medida extraordinária. É tão ordinária que Coelho a usou fortemente. Em 2011 o investimento público estava nos 6,2 mil mhies. Em 2015 acabou nos 2,7 mil milhões.
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    O Peres só é medida extraordinária na parte que diz respeito ao ‘sinal’ que os contribuintes tiveram de dar para aderir ao perdão. De resto foi uma medida bem pensada para perdurar no tempo. Dez anos de receitas efectivas não é extraordinário.
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    O governo geringoncino não usou fundos de pensões da PT nem dos bancos para mascarar o défice.
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    Conseguiu cumprir os objectivos propostos pela primeira vez desde 2011. Em ano algum se cumpriu com o objectivos, excepto o ano de 2016.
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    O défice herdado por coelho em Março de 2011 era de 7,7%. De dezembro 2010 para março foi reduzido violentamente. De março até dezembro de 2011 coelho conseguiu reduzir o défice 0,3%, fixando-o em 7,4%.
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    O objectivo inicial era chegar a 2015 com um défice abaixo de 2%. Foi sendo substituído o objectivo e acabou por se elevar para 2,7%. Coelho deixou o défice de 2015 nos 4,4%. Na verdade em setembro de 2015 era de 5,8%.
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    A geringonça prometeu e cumpriu. Desviou-se no valor da dívida. Mas não podemos levar a mal porque não contava com o problema do banif.
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    Em todo caso a dívida pública líquida parece que baixou. Como baixou bastante o desemprego. Como baixou a dívida externa líquida. Como aumentaram fortemente o volume de negócios da indústria e serviços (7%).
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    O lado negativo do ano que passou foi o nível das yields. Mas tenho esperança que, quando os mercados perceberem que centeno cumpre os objectivos com que se compromete, quando perceberem em março que o défice está controlado, que o sistema bancário está a ser resolvido (depois dum período de total incúria na gestão dos mesmo), dizia, estou convencido que deixarão de penalizar a dívida e começarão a respeitar os resultados.
    .
    Rb

  6. RICCIARDI : “… quando os mercados perceberem que centeno cumpre os objectivos com que se compromete …”

    O compromisso do governo era o de acabar com a austeridade (não acabou !!), aumentar o crescimento económico (baixou !!), diminuir a divida pública (aumentou !!), diminuir os juros (aumentaram !!), aumentar o investimento publico (baixou !!), aumentar a quantidade e a qualidade dos serviços públicos (baixaram e pioraram !!),…

    Os mercados não são parvos e não vão na cantiga do bandido !!

  7. mariofig

    Ricciardi, os teus números não batem certo. O PSD não encontrou um défice de 7,7 e o deixou em 5,8. Apenas os números do Eurostat são oficiais, publicados me Março de cada ano. E nesses, o PSD encontrou um défice de 9,8 e deixou um de 4,4%. Este governo a única coisa que fez foi reduzir o défice em 1 ponto percentual… e vamos ver em Março quando então os valores finais e oficiais forem anunciados pelo Eurostat se realmente assim foi.

    Mas, olha. Vai uma ginginha à conta da casa pelo teu esforço de tapares a vista à malta. Manda beijos ao camarada Costa, um abraço ao Centeno e quando puderes gostava mesmo que me mandasses aquele selfie teu com o Marcelo. Vai ser bom recordar mais tarde estes teus posts.

  8. Alain Bick

    Prometeu Agrilhoado; Esquilo

    «Novos senhores
    Governam o Olimpo
    E, com leis novas,
    Zeus rege sem regra
    Ε destrói, agora,
    Os fortes de antanho».

  9. Ricciardi

    A geringonça baixou o défice em (4,4%-2,3%) 2,1% num único ano.

    Já os pafianos baixaram o défice em (9,8%-4,4%) 5,4% em 4,5 anos. O que dá uma média anual de 1,2%.
    .
    De salientar que é mais difícil fazes baixar um défice baixo do que fazer baixar um defice excepcionalmente alto.
    .
    É como os hiper obesos que decidem perder peso. No início perdem dezenas de quilos, depois andam a contar quilinhos.
    .
    O crescimento econômico está em clara aceleração depois dum segundo semestre de 2015 em rota de encolhimento. No terceiro trimestre foi até o mais elevado de toda a Europa. Está com uma dinâmica de crescimento e nao com uma dinâmica de encolhimento como se viu em 2015.
    .
    A universidade católica prevê mesmo que para 2017 possa crescer 1,7%.
    .
    Se o Malparado na banca não for resolvido não vejo forma de se poder crescer mais do que o PIB potencial. Sim, a banca foi destruída pela política de desvalorização interna levada a cabo pelo coelho.
    .
    PS. No outro comentário atingi o nível de 36 unlikes. Claramente abaixo do objectivo de 42. Isto não é nada bom sinal.

    Rb

  10. “PS. No outro comentário atingi o nível de 36 unlikes. Claramente abaixo do objectivo de 42. Isto não é nada bom sinal.”

    Se é esse o seu objectivo, estamos conversados. Obrigado por me fazer poupar saliva.

  11. RICCIARDI : “A geringonça baixou o défice em (4,4%-2,3%) 2,1% num único ano. Já os pafianos baixaram o défice em (9,8%-4,4%) 5,4% em 4,5 anos. O que dá uma média anual de 1,2%.”

    Se quer fazer as contas assim … vamos a isso !…
    No déficit de 2015, 1,4% (a resolução do Banif) é já da responsabilidade do governo Costa. Este valor deveria ter sido contabilizado em 2016 pelo que o déficit nominal efectivo teria sido de pelo menos 2,3% (admitindo que seja confirmado em Março) + 1,4% = 3,7%. Ou seja, uma aumento de 0,7% no primeiro ano de governação Costa (e ainda a procissão vai no adro).
    Em contrapartida, durante o governo Passos Coelho, 6,8% de baixa acumulada do déficit nominal em 4,5 anos, dá uma média anual de baixa de 1,5%.

  12. RICCIARDI : “De salientar que é mais difícil fazes baixar um défice baixo do que fazer baixar um defice excepcionalmente alto.”

    De maneira nenhuma … antes pelo contrario !…
    Um déficit excepcionalmente alto significa que as contas públicas estão completamente descontroladas. Era a situação em 2011. O pais estava na bancarrota.
    Acresce que naquela altura a economia entrava a grande velocidade numa recessão profunda, com tudo o que tal implica em termos de maiores despesas sociais e menores entradas fiscais.
    É como um comboio sem travões numa descida … é muito mais dificil reduzir a velocidade do que quando já roda num plano.
    O governo Passos Coelho recebeu um pais em recessão e com contas a afundar.
    O governo da geringonça recebeu um pais a crescer e com contas a melhorar.

  13. RICCIARDI : “O crescimento econômico está em clara aceleração depois dum segundo semestre de 2015 em rota de encolhimento. (…). Está com uma dinâmica de crescimento e nao com uma dinâmica de encolhimento como se viu em 2015. A universidade católica prevê mesmo que para 2017 possa crescer 1,7%.”

    O crescimento economico estava em clara acelaração em 2014 e no primeiro semestre de 2015 (no primeiro trimestre cresceu 0,5%, o que projectado para o ano poderia chegar a 2%, bem acima da média europeia). Naquela altura já se admitia que o crescimento pudesse superar largamente os 2% em … 2016 !…
    Mas então o que é que aconteceu para se ter verificado um brusco e inesperado abrandamento em 2015, ainda ligeiro no 2° trimestre e mais claro no segundo semestre ?
    Aconteceu muito simplesmente que os agentes económicos em geral e os investidores em particular começaram a perceber que havia uma possibilidade real das eleições naquele ano não darem uma maioria de governo suficiente para que a politica económica e financeira que estava a ser seguida até então pudesse ser continuada e, em consequência, suspenderam ou reduziram muitos projectos e os investimentos respectivos. A economia ressentiu-se progressivamente e ainda mais acentuadamente a partir do momento em que ficou clara a inevitabilidade da mudança de governo.
    Ou seja, a perspectiva e a realidade de um governo da geringonça quebrou o ritmo de acelaração do crescimento economico então em curso, com tudo o mais que tal impicava então.

    (Cont)

  14. (cont)

    Não foi por acaso que em 2016 a economia cresceu menos do que em 2015 (de qualquer modo agora abaixo da média europeia, média esta que, por sinal, já foi em 2016 superior à de 2015 !…), cerca de metade do que poderia ter crescido em 2015 (sem a perspectiva da geringonça) e ainda menos do que poderia ter crescido em 2016 (sem a realidade da geringonça).

  15. (cont)

    Portanto, mesmo que se admitisse como realista a tal previsão de 1,7% de crescimento do Pib para 2017, estariamos apenas a falar de uma taxa de crescimento apenas equivalente áquela que se verificou em 2015 (ou mesmo inferior se não tivesse havido mudança de politica).

    (cont)

  16. RICCIARDI : “a banca foi destruída pela política de desvalorização interna levada a cabo pelo coelho.”

    Toda a gente sabe que a banca na generalidade dos paises, incluindo Portugal, começou por sofrer em resultado da crise mundial inicada em 2008.
    Em Portugal, as condições agravaram-se ainda mais em consequência da crise económica e financeira que resultou das politicas dos governos Sócrates e que se tornou critica em 2011 quando o pais chegou a uma quase bancarrota e a uma forte recessão.
    Repita-se : foi o governo Sócrates que lançou o pais num “credit crash” e numa forte recessão e a banca portuguesa foi naturalmente sériamente afectada por isso.
    A politica de ajustamento levada a cabo pelo governo Passos Coelho, inevitável até porque exigida pelos nossos credores, permitiu ao pais sair da situação de emergência financeira e de recessão económica em que se encontrava.
    Se não fosse assim a situação da banca portuguesa teria sido e seria hoje ainda pior.
    Em meados de 2015, as perspectivas de recuperação e consolidação dos principais bancos portugueses eram então bem mais favoráveis.
    A chegada do governo da geringonça e da sua politica inconsequente voltou a escurecer o panorama : o Banif foi uma vitima imediata, o Novo Banco perdeu ainda mais valor, a CGD ficou ainda mais frágil !!

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