Benoît Hamon e o fim da social-democracia

Benoît Hamon, vencedor das primárias do PS às presidenciais francesas é uma novidade importante a reter. Até agora, e este fenómeno é muito visível em Portugal, os socialistas fazem depender as políticas sociais do crescimento económico e este da produção e do consumo. Ironia das ironias, o socialismo é hoje o grande defensor do consumismo desenfreado em cima do qual se constroem tantos castelos de areia. É aqui que Hamon inova num partido que se quer social-democrata: com ele os socialistas querem apoio social, o rendimento universal, sem crescimento económico. A economia é secundária. O que interessa é distribuir e que essa distribuição passe pelos corredores do poder. O que se perde hoje recupera-se amanhã em direitos e políticas publicas que fortalecem o Estado. Hamon é uma novidade para a social-democracia, mas ao inovar desta forma a social-democracia tem os dias contados.

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24 thoughts on “Benoît Hamon e o fim da social-democracia

  1. lucklucky

    É assim que tem funcionado a Social Democracia. Nada de novo.

    Não me diga que acabar com alguns feriados e mexer na TSU dá crescimento…

  2. “Ironia das ironias, o socialismo é hoje o grande defensor do consumismo desenfreado”

    Não há ironia nenhuma – o socialismo tradicional seja fez a apologia do consumismo (não usando necessariamente o nome “consumismo”, mas sempre identificando progresso com fundamentalmente o aumento do bem estar material); mesmo o comunismo tradicional pretendia ser pró-consumista (a miséria de bens de consumo nos países comunistas era porque o sistema fracassou, não porque o objetivo não fosse a abundância material). Quem era contra o consumismo era o que nos anos 60 se chamava a “nova esquerda” (o “nova” não era por acaso – era exatamente para evidenciar a rotura em muitos aspetos – incluindo esse – com a esquerda tradicional) – ou seja, há alguma ironia quando o BE ou o Syriza defendem o estimulo à economia pelo consumo, mas não quando os PS’s (ou mesmo os PC’s) o fazem.

  3. Este agora acha que o Plano Quinquenal foi para a malta do proletariado esbanjar que nem burgueses em Ipads e pacotes turísiticos.

  4. lucklucky

    “o socialismo tradicional seja fez a apologia do consumismo (não usando necessariamente o nome “consumismo”, mas sempre identificando progresso com fundamentalmente o aumento do bem estar material)”

    O socialismo tradicional contesta o consumismo quando está na oposição e o contrário quando no Governo…..

    Mas não era o Socialismo tradicional que estava no poder no UK depois da II Guerra?
    Ora por lá defendiam o fim de boa partes dos produtos, racionamento sem necessidade mesmo no Governo…

  5. mariofig

    Hamon deve-se ter inspirado no PS português quando este se aliou ao BE e ao PCP. Provavelmente foi um dos que pediu o vídeo da Mariana Mortágua a falar no rentrée do PS com o Galamba sentado logo ali ao lado dela. Aqueles aplausos todos dos socialistas quando ela disparou que o PS não tem de ter vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro, mudaram para sempre a vida de Hamon.

    A mim, calha-me bem um socialismo mais à esquerda. Já é tempo de acabarmos com a governação socialista que tem praticamente dominado a Europa desde a segunda guerra mundial. E nada melhor do que mostraram a sua verdadeira cara. Uns anitos deles e o povo finalmente vais aprender o que é a esquerda.

  6. Zazie – o objetivo proclamado a longo-prazo dos Planos Quinquenais era esse (bem, não a parte dos Ipads, que não existiam). As carência materiais na URSS eram, primeiro escondidas, e quando se tornava impossível esconder a pobreza, justificada com o argumento “infelizmente o ponto de partida era muito recuado, devido a séculos de feudalismo obscurantista, mas em breve alcançaremos e ultrapassaremos o capitalismo em termos de bem-estar material e abundância de bens de consumo”; não eram justificadas com argumentos “nós estamos a construir outra sociedade assente noutros princípios que não o consumismo materialista” (se calhar até haveria mais essa conversa entre um certo tipo de oposicionistas, como Soljenitsine).

  7. Então e a cena do capitalismo?

    V. acha que sem dinheiro, sem propriedade, numa luta de classes do proletariado contra quem produzia, servia para se chegar a nova sociedade ainda mais capitalista?

    Não diga disparates, homem. Ao menos leia a porcaria da teoria marxista-leninista e não invente.

    Consumismo não é viver sem falta. É inventarem-se tretas para gastar dinheiro como forma de vida.

    A Rússia antes de Outububro não tinha a carência que a trampa comunista gerou ao expropriar tudo e matar quem tinha propriedade privada.

  8. Mas, se quer ir por aí em relação ao programa do seu BE e até do PCP, sim.
    V.s pura e simplesmente querem ser os ricos dentro do Estado, sem precisarem de serem os porcos capitalistas que fazem qualquer coisa de útil.

    Querem capitalismo de Estado sendo v.s os apparatchicks

  9. Esta cena está a extremar-se e não tarda nada a História repete-se.

    Descobriram que podiam atingir o mesmo pelo voto e pela cenoura aumentando a dependência estatal.

    Querem chegar ao comunismo por via burguesa.

  10. E retiro o “v.s” fulanizado porque v. é uma pessoa decente e até inteligente e nada tenho contra si.

    É um utópico marado dos cornos mas isso também o são os marados dos libertários.

  11. Era logo dos primeiros a ir para o “campo de reeducação”. Eles não gostam de puristas utópicos- preferem os oportunistas controleiros.

  12. A lógica destes tipos é outra.

    Eles viram que o capitalismo burguês conseguiu atingir níveis de bem-estar e ricos em número suficiente para que uma cambada de inúteis consiga alcançar o poder e garanti-lo pelo roubo a esses que criaram o bem-estar e as sobras que amealham.

  13. Os chineses aguentam-se assim- com um capitalismo de Estado, um totalitarismo controleiro e roubando aos outros as ideias para depois lhas venderem de novo.

  14. André Miguel

    ” para que uma cambada de inúteis consiga alcançar o poder e garanti-lo pelo roubo a esses que criaram o bem-estar”

    O problema é que isso não dura sempre. Só um cego não vê para onde caminha portugal de há 40 anos para cá.
    Há quantos anos Portugal vive uma falta cronica de capital? Há décadas que não temos UM (UM SÓ!) investimento privado de grande escala (ultimo foi auto-europa), os nossos pseudo-capitalistas são todos rentistas e encostados ao Estado, o nosso tecido empresarial é no seu grosso de micro e pequenas empresas, não somos exportadores (por falta de capital, know-how e mentalidade provinciana), sendo isto juntamente com a fixação bruta de capital os grandes responsáveis pelo crescimento nulo do PIB, a emigração continua em força (vão-se os empreendedores e os mais capazes), etc, etc etc…
    ou seja: as pessoas não investem em Portugal (sejam nacionais ou estrangeiros) porque NÃO HÁ RETORNO, é tão simples quanto isto. Caramba ninguém investe por caridade! Só tolinhos e imbecis é que julgam que os iphones, computadores e automóveis que usam no dia a dia foram criados por caridade ou obra e graça do espírito santo!
    Por isso um dia os mentecaptos que nos (des)governam, mais os tolos que neles votam, vão ter uma surpresa. Pena é que até lá eles engordam e o povo leva porrada.

  15. lucklucky

    “Sim Lucky, qualquer dia vemos o PSD e o CDS coligados com o BE e o PCP para derrotar o PS…”

    Não tenha dúvidas André Miguel.

  16. André Miguel, o LuckLucky até vê o PSD e o CDS coligados com o BE e o PCP para a formação de um governo que volte a reverter as “reversões” e as “devoluções” da geringonça …
    Porque para o LuckLucky não há diferença nenhuma importante entre o que foi feito pelo governo Passos Coelho entre 2011 e 2015 e o que está agora a ser feito pelo governo “geringonça” de António Costa …
    Atenção, o Lucky não diz simplesmente que o governo do PSD e CDS não fez tanto quanto deveria ou poderia ter feito ou que o governo da geringonça faz ainda menos e pior …
    Não, o Lucky diz que são todos iguais, que tanto faz ter uns ou outros em todas as possiveis combinações, que as politicas são as mesmas e os resultados também …

    Significa isto que devemos ser fatalistas e desesperar do futuro ?….
    Imagino que não, que o Lucky deve estar a vêr e a trabalhar para uma verdadeira “revolução liberal” que os cidadão vão acabar por exigir e impor e para uma alternativa de governo politicamente viável que se vai constituir para o efeito …
    Mas onde está esse “povo liberal” e onde está essa organização politica “revolucionária” ?…
    Serão os eleitores votantes que na sua esmagadora maioria há pelo menos 4 décadas sufragam regularmente os partidos da grande coligação que vai do CDS ao PCP sob o lema “somos todos socialistas e orgulhosos de o ser e quando nos confrontamos é só a fingir ou para repartir os taxos e o dinheiro dos impostos” ?…
    Serão os abstencionistas, cerca de metade dos eleitores potenciais, que até agora se comprazem na recusa ou na indiferença ?….
    Serão todos estes cidadãos que vão finalmente acordar, convergir e unir-se numa só voz, com uma só vontade e num partido único para acabar verdadeiramente e de uma vez por todas com o sistema estabelecido e inaugurar uma nova era de amanhãs que cantam ?!….
    Certamente que sim, certamente que o LuckLucky tem uma solução milagrosa e perfeita na manga, que só ele e mais ninguém vê mas que há-de existir porque de outro modo não se compreenderia o empenho e a persistência dele em repetir ano após ano, comentário após comentário, que os partidos existentes são todos iguais e todos igualmente marxistas e socialistas !!!

    Uma sincera saudação cordial ao LuckLucky que é talvez o comentador mais antigo que ainda vejo por aqui e com quem tive noutras ocasiões o prazer de convergir nalguns debates, em particular em matéria de anti-marxismo, anti-comunismo, conflitos internacionais (Israel, intervenções militares americanas, anti-islamismo, etc … relativamente aos quais o LuckLucky era então muito pouco libertariano – estes são basicamente pacifistas e não alinhados – e bastante mais neo-conservador !…), principios doutrinais liberais (a discordância aparece sobretudo quando se passa à aplicação dos mesmos a situações concretas, em particular no contexto politico portugês), etc, etc, etc !!

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