“malthusianismo profissional”

Em baixo, transcrevo na íntegra o post de ontem 27/01/2017 do eurodeputado Vital Moreira, intitulado “Mercados protegidos”, no qual aquele se atira à corporação dos médicos. Um texto que, aliás, subscrevo inteiramente.

“A notícia de que «mais de metade das vagas de especialidade [médica] ficaram por preencher» exibe mais uma vez a rotunda falácia dos “médicos a mais” periodicamente alimentada pela Ordem dos Médicos e pelos sindicatos médicos para justificar a reivindicação de redução do numerus clausus no acesso aos cursos de medicina, apenas para manterem uma escassez deliberada no respetivo mercado profissional, em benefício próprio.

O malthusianismo profissional é um dos traços mais evidentes da cultura corporativista que continua a prevalecer entre nós, que procura a benção do Estado para proteger os interesses económico-profissionais estabelecidos contra a entrada de novos profissionais ou operadores económicos. Enquanto perdurar a defesa de mercados protegidos (seja nos táxis, seja nos médicos), nunca teremos uma verdadeira economia de mercado baseada na liberdade de entrada e na concorrência nos serviços profissionais.”

Ainda sobre este tema, recupero a minha série “corporativismo no seu esplendor” e recupero também, à atenção de Vital Moreira, a mais recente trafulhice do partido que o colocou em Bruxelas: “a martelo e à traição”.

Advertisements

2 thoughts on ““malthusianismo profissional”

  1. mariofig

    Se aceitarmos que, apesar da pressão política no sentido contrário, ainda lá vamos vivendo no esboço de um estado livre e de direito, seria de esperar que quaisquer interesses corporativistas, muito em particular aqueles que afectam directamente questões sociais nucleares como é o caso de carreiras profissionais e empregabilidade, seriam facilmente derrubados. Num estado livre e de direito, esses são os primeiros a sair derrotados. E com a mesma facilidade de quem atira um papel amarrotado para o balde do lixo.

    Para tal, bastaria a exposição impiedosa da injustiça para que rapidamente se tomassem medidas por força da pressão mediática.

    Mas, em vez disso, o que é que assistimos? Os media a agirem como eco dos factos e a não desempenharem o seu papel de fiscalizador. Assim, a única notícia que existe é que há médicos a menos ou que há médicos a mais, consoante a fonte. E em momento algum a notícia é sobre a gritante contradição. São portanto, pequenos blogs e uma parte minúscula da sociedade civil com pouca expressão mediática, que permanentemente procuram fazer esse papel.

    Ora, existe um outro tipo de sociedade onde tal acontece, onde os media somente acompanham a vozes ditas oficiais e apenas existe um grupo muito reduzido de cidadãos a fiscalizar e denunciar, em formatos (os únicos possíveis) de muito reduzida exposição pública. É a sociedade autoritária onde o estado livre e de direito foi progressivamente substituído pelo controle da sociedade e, muito em particular, dos media. Para lá caminhamos.

  2. André Miguel

    É o reflexo do país que somos, toda a gente puxa a brasa à sua sardinha e o vizinho que se lixe. O egoísmo é uma das maiores expressões do socialismo.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s