Destruição criativa?

“Habitualmente, a inovação é valorizada na sua faceta mais benevolente. É a inovação que origina e promove a eficiência e a produtividade na economia. Que faz as nações prosperarem. É aquela que liberta a “destruição criativa” de Schumpeter, a que destrói o “statu quo”, passado e ultrapassado, construindo de seguida um mundo de novas oportunidades. De novas ocupações. De novas empresas. De novos empregos. Que tira milhões da miséria.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre inovação, tecnologia, emprego e populismos.

Anúncios

2 thoughts on “Destruição criativa?

  1. mariofig

    “Porém, e aqui concluo, não deixo de me questionar: se a revolução industrial conduziu à industrialização e a globalização ao comércio, e se as sociedades avançadas evoluíram gradativamente do sector primário para o terciário, para onde nos leva então a digitalização? A um quarto sector? Onde estarão os empregos de amanhã? No planeta Terra ou em Marte?”

    Este será sem duvida o grande desafio ao emprego do século XXI. A globalização por si só não gera desemprego. Pelo contrario potencia-o. No entanto, sem dúvida alguma que a globalização acelerou o desenvolvimento tecnológico dos processos de produção, uma vez que estimulou de sobremaneira a procura por cada vez melhores e eficientes mecanismos de produção. “Produção” aliada à eficiência é o grande catalisador da globalização.

    Há medida que a globalização vai perdendo a sua capacidade para a geração de emprego real, pela deslocalização e depois pela evolução tecnológica, é justo questionarmos que tipo de sociedades vamos construir. O “contrato-emprego” ou o UBI finlandês são primeiras respostas a um problema que os nossos governos teimam em não querer ver.

    É que os processos de produção são imparáveis, tal como a inovação tecnológica. O que está realmente em causa para o emprego do século XXI é a capacidade de as nossas sociedades aceitaram que estão no limiar da velha economia e a caminho na “nova” economia. E que isso implica uma mudança profunda na forma como olhamos o emprego. Estamos a procurar resolver o problema mantendo as mesmas ideias de emprego do passado. Mas a verdade é passados 200 anos da Revolução Industrial essas ideias não mais se podem aplicar.

    Noções de empregabilidade, emprego único, das 9 às 5, subsídios, contratos de trabalho, presença, cálculos salariais, tudo isto e mais tem de ser progressivamente reestruturado para acomodar uma nova realidade que está a chegar. E não se trata apenas do desenvolvimento tecnológico. É também necessário para dar resposta ao aumento populacional, também ele imparável, que não mais se mantém equilibrado com a capacidade de gerar emprego.

    A nível do estado é necessário também proceder a um grande esforço de total liberalização do mercado de trabalho e, em acréscimo, o assumir que é preciso fazer ruir todo o edifício da fiscalidade sobre o emprego, construindo sobre ele um outro modelo onde o estado perderá grande parte do seu papel. Uma boa parte do emprego do futuro será muito provavelmente obtido rapidamente, por email, poderá durar umas poucas horas e será mantido pelo trabalhador ao mesmo tempo que mantém outros “empregos” similares. Nem se poderá dizer que um trabalhador amanhã seja funcionário desta ou daquela empresa. É certo que toda uma geração “fabril” será sacrificada por estas mudanças. Mas esta é precisamente a natureza de qualquer revolução. Existem vitimas. Foi-o também durante a revolução industrial. O sistema de ensino devia começar a actuar na formação de gerações futuras.

    Ainda conseguimos manter viva a revolução industrial hoje. O problema portanto não tem ainda visibilidade que a sua urgência deveria obrigar. Mas tal como as vítimas naturais da revolução industrial, serão aqueles países que mais rápido perceberem a necessidade de revolucionarem também as suas sociedades que mais beneficiaram no fim.

  2. mariofig

    Em retrospectiva, dá talvez a impressão que sou dono de todas as respostas. Não é o caso. Não conheço a funda a natureza do problema, nem tenho a capacidade de estudar, quanto mais perceber, que tipos de soluções precisamos.

    No entanto, acredito que as soluções não estão em procurar velhos mecanismos para resolver problemas novos. É necessário mudar, isso sim, a forma que se olha o próprio emprego. Da mesma forma que não se cura uma ferida com medicamentos para a dor, não se resolve com subsídios o desemprego estrutural de sociedades sem capacidade produtiva ou cuja capacidade produtiva evoluiu tecnologicamente.

    Se a globalização e a consequente deslocalização do emprego não foi suficiente para fazer as sociedades ocidentais perceberem que está na altura de repensar o nosso modelo de Emprego com mais de 200 anos, que seja a revolução tecnológica a fazê-lo. Porque a alternativa será bem pior.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s