As novas Torres de Babel

O problema de manifestações como as que assistimos recentemente, e que a Maria João Marques assume que foram “contra Trump”, é que elas em si mesmas têm muito pouco interesse no quadro das regras da Democracia, tal qual ela existe nos EUA e na generalidade dos países ocidentais, sendo, aliás, um sintoma bem visível daquilo que é a decadência das sociedades abertas ocidentais na forma como as construímos no pós-guerra.

Eu não sei qual a efetiva percentagem de “mulheres maluquinhas” (a expressão é da MJM) e, assumo, a contrario sensu, de “mulheres não maluquinhas” que terão marcado presença nas ditas manifestações. Também não sei, no quadro da pós-modernidade, qual a linha que separa “normalidade” de “insanidade”. O que sei é que numa democracia representativa, ainda por cima complexa, como os EUA, é verdadeiramente indiferente o nível de insanidade do cidadão comum, sendo sobretudo importante que manifestações como a que assistimos tenham representantes no quadro institucional capazes de transformar e agregar toda aquela energia para alimentar um dado projeto político ou da sociedade civil. Ora, aquilo a que assistimos hoje é a uma decadência progressiva das estruturas de mediação social, substituídas por formas difusas de afirmação de um “Eu narcísico” que se esgota rapidamente ao ritmo da desmobilização, seja da manifestação, seja do desabafo nas redes sociais, do taxi, ou de um qualquer evento social onde este tipo de traço de personalidade impede todo e qualquer debate civilizado e construtivo. As mediações desde logo estão em crise porque há toda uma massa humana que não está propriamente preocupada em pertencer a um projeto politico, ou aderir a uma ideia, ou a fazer parte de um movimento, ou simplesmente construir algo tangível em debate com o “outro” – basicamente, preocupada em fazer -, estando apenas disponível para afirmar a sua “micro-causa” ou a sua especial percepção sobre uma realidade que, a mais das vezes, é muito sua. O problema de manifestações como as que assistimos nos EUA é que são profundamente autistas, correspondem muito mais a expressões de afecto do que propriamente àquilo que sempre se pensou ser a “participação popular” ao serviço de um projeto concreto, assente na cooperação entre cidadãos. Seria interessante perceber como é que Tocqueville nos apresentaria, hoje, aquilo que é a América.

Não alinho na ideia de que haverá uma “recusa de Trump” por parte das massas populares, como ensaiou o pitoresco Michael Moore, ele próprio orador na manifestação das mulheres, ela não é compatível com aquilo que foi o resultado eleitoral nos EUA, e explica pouco o que estamos a viver – embora admita que essa ideia seja útil e subsidiária para muitos agentes mediáticos e políticos. Aliás, a criação de uma sensação de caos, a agregação de micro-causas que anunciam o Apocalipse, a cultura mediática do medo, a projeção da ideia difusa que um núcleo de poderosos terá capturado a democracia contra o Povo, toda esta doutrina de acção não é propriamente nova, sendo essa a base dos socialismos de inspiração marxista que alimentam uma parte da nossa sociedade e a justificam há quase dois séculos. Grupos como as Brigate Rosse, a RAF/Baader-Meinhof, ou figuras mais ou menos sinistras como Carlos, o Chacal, nos anos 70, substituídos nas décadas seguintes por associações cívicas, ambientalistas e defensoras de micro-causas mais ou menos excêntricas, e que subsistem até hoje, são a base deste tipo de protestos, seguindo, aliás, as doutrinas e os protocolos de ação tão bem artilhados pelos discípulos de um dos seus principais ideólogos, o filósofo Toni Negri (precisamente o homem-forte das Brigate Rosse). O marxismo e as correntes que nele se inspiram têm uma visão binária – ou “dialéctica” – daquilo que é o funcionamento da sociedade, assente no conflito e na confrontação entre supostos representantes do Bem e supostos representantes do Mal. Tentar explicar aquilo que assistimos nos EUA com base nestas regras binárias que colocam de um lado o malfadado Trump contra essa nova vaga de proletários e oprimidos (neste caso, oprimidas) dificilmente nos permitirá chegar a grandes conclusões, que não aquelas que os filhos do Marxismo tanto apreciam – porque os justificam e perpetuam.

A forma como Donald Trump ganhou as eleições nos EUA é algo que não me merece qualquer simpatia, e o facto de ter sido recompensado com um mandato de 4 anos na Casa Branca é sinal de decadência dos tempos que vivemos. O facto de a sua opositora ser Hillary Clinton, com tudo o que ela representa, e de Obama terminar o seu mandato numa América profundamente deprimida e a digerir a ressaca de um “Hope” and “Change” inconsequentes, é igualmente sinal da fraqueza dos regimes democráticos ocidentais, que continuam incapazes de dar espaço a sociedades civis fortes, e a soluções e propostas políticas que vão ao encontro daquilo que são as aspirações das populações.

Não tenho propriamente um diagnóstico completo para tudo aquilo que estamos a viver, nem resposta para as perplexidades que o mundo todos os dias nos oferece. E as que tenho não cabem no espaço deste post. Mas recuso-me a ser manipulado por pandemias de medo e de catástrofe que têm a sua origem nos mesmos de sempre, e a cair no jogo binário do “Bem” protagonizado por uma esquerda folclórica e hipertensa, contra o “Mal” corporizado num suposto representante da Direita, profundamente alaranjado, com o qual não me identifico.

O que sei é que enquanto vivermos obcecados na imposição de um igualitarismo que mata a igualdade, por um nivelamento do conhecimento que incentiva a ignorância manipulável, e destruirmos as mediações e as bases de um tecido social que sustenta as sociedades abertas, abriremos espaço de afirmação à mediocridade, à manipulação, à mera explosão dos afectos e à captura da sociedade por figuras mais ou menos pitorescas como as que vemos hoje na Casa Branca, mas também no media e nas ruas da América e da Europa, alienados numa vertigem de factos irrelevantes, a protestar contra coisas que a maioria de nós nem sabia que existiam, a berrar contra si próprios. Não me confundam com Trump, nem me associem a essa gente.

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32 thoughts on “As novas Torres de Babel

  1. ili

    Os mesmos manifestantes contra o machismo de Trum, são os que defendem a livre entrada de “refugiados” islamitas, que como é sabido, têm uma tolerância às mulheres em termos de trato e respeito, muito postiva.

  2. Isto nada tem a ver com igualdade. É uma nova forma de aristocracia.

    Agora, em vez de se acharem uma casta por causa do título de nobreza; basta-lhes dizerem que são “feministas” porque nasceram mulheres ou rabetas.

  3. Euro2cent

    Aqui no blog lucravam em ler menos jornais, como faz o público em geral.

    Ficam num estado nervoso lamentável, e a ignorância corrupta e estúpida infiltra-se insidiosamente.

    Reflictam lá um bocadinho em quem paga a tinta e o salário àquela gente, e o que quer tirar da despesa.

    “Cui bono”, como de costume.

  4. Bem…. se te pagassem, se calhar, sempre tinhas que ler o que escrevias

    Acho que a lógica é mais ou menos essa: eu leio-te- tu escreves; eu passo a escrever também, outro há-de ler para passar a ser pago como nós já somos.

    “:OP

  5. E fica sempre tudo em família mas depois ainda acreditam que são diferentes porque uns são da família de esquerda e outros da da direita.

    Em chegando aos privilégios aristocráticos de minorias, a ver se não são tod@s proletas, sejam bombas muito inteligentes ou mariz@s muito estúpid@s.

  6. mariofig

    “Os mesmos manifestantes contra o machismo de Trum, são os que defendem a livre entrada de “refugiados” islamitas, que como é sabido, têm uma tolerância às mulheres em termos de trato e respeito, muito postiva.”

    É como o Rodrigo diz no texto dele. O apego às micro-causas, acaba por obscurecer o panorama geral. Mais grave, a forma como se exaltam as tais causas, leva a que quando confrontado com as óbvias contradições, o cidadão entra em completa negação, ignorando, fazendo spin, ou explorando todas as ferramentas do pós-verdade ao seu dispor, numa fantástica demonstração de porque é que os políticos não são apenas “os outros”.

    A causa de tudo isto está na forma como se tem feito política ao longo das últimas duas ou três décadas.

    Por um lado têm desaparecido do espectro político as grandes orientações ideológicas que ajudavam a manter uma visão mais abrangente do mundo. A política hoje faz-se também ela de micro-causas, sem grande inspiração ideológica, muitas vezes com pequenas medidas inconsequentes exaltadas como se fossem grandes e importantes mudanças, e muitas vezes contraditória com o que seria de esperar daquele partido político. A degradação de uma política governativa de base ideológica em uma política governativa situacional, fez perder do debate público a discussão sobre grandes princípios orientadores de uma sociedade com o seu lado bom e menos bom. Exige-se hoje portanto o impossível; uma governação capaz de satisfazer todas as necessidades e crenças de um cidadão.

    Por outro lado, os partidos não mais governam para fora. Perdeu-se a governação para o povo. As regras mediáticas do sector partidário de uma sociedade ditaram que hoje um partido deve governar para a sua base eleitoral. Nem sequer para quem votou nele, mas para as bases que permitiram o aglomerado de votos. É aliás uma das razões porque os partidos abandonaram os preceitos ideológicos em troca das pequenas causas. Esta alienação da sociedade, leva a que muitos sintam a necessidade de se fazer representar nos seus princípios. E é aqui que certas organizações civis exploram o sentimento popular como forma de oposição à governação. Em Portugal, como nos Estados Unidos, praticamente todas as organizações civis de carácter reivindicativo têm orientação política e partidária. Se o apoio não é expresso, é no mínimo implícito. E esse apoio acontece nos dois sentidos, sendo depois utilizado para doutrinar os seus elementos. Entretanto a reivindicação nas ruas permite explorar o mediatismo como forma de iludir a consciência de uma sociedade em que existe realmente um grande descontentamento (que não existe) e procurando atingir a governação por contágio. É pois a razão porque estas organizações civis sem quaisquer escrúpulos e sem qualquer real interesse em defender as suas causas num panorama mais abrangente, precisam de as reivindicar de uma forma agressiva e visível.

    E lá vamos nós andando. Sem boa governação, não se tem boa sociedade. É assim desde a Mesopotâmia.

  7. Bem, se é ordinário repetir uma frase dita pelo Trump em privado; não sei então o que é escreverem-na em cartazes e virem para a rua com barretinhos de pachachinhas à conta disso.

    Mas isto sou eu que nunca tive pachorra para fitinhas apalermadas

  8. Achei foi uma pena a mania de só usarem o vernáculo em “americano”. Se calhar é para defesa da abertura das fronteiras que matam e evitar nacionalismos dizendo pachacha.

  9. Não era para aqui, mas enganei-me. E mais abaixo lá vinha censura democrática das elites que merecem tratamento especial por terem nascido mais mulheres que outras e o mostrem enfiando barrete anatómico

  10. André Miguel

    É a sociedade dos 140 caracteres e indignações expresso (tão depressa nascem como morrem). A malta hoje não lê nem pensa por si, andam a atirar pedras uns aos outros, mas aposto que nunca leram nem entendem nada daquilo que dizem defender. Trump, pelo menos, está a fazer com que a merda venha à tona.

  11. São os 15 minutos de fama à mão de qualquer um desde que nivele tudo por baixo.

    Nesta treta da manif contra o Trump em nome do “feminismo”- o que mais curto morder são as donas que eram todas pró Bush e guerra em defesa da América e agora apoiaram uma semi-mulher encornada na Casa Branca e aliam-se às mastronças da escardalhada.

  12. Mas pronto, como sempre se disse- tricas de mulheres no lugar da política. É fácil, é barato e sempre dá nas vistas.

    Espantoso seria conseguirem que um presidente eleito se demitisse à conta destas porteirices. Há uns gajos-soja que lhes dão uma forcinha. Para parecerem homens à boleia.

  13. Se quer que lhe diga, estas coisas metem-me impressão. Conheço uma rapariga que já está assim e conheço a mãe e digo-lhe que há uma geração que criou estas monstruosidades.

  14. Elas ficam assim porque também já não há homens. A feminilidade precisa da masculinidade. Quando se igual tudo, ficam soja.

    Por isso é que disse que por trás delas há uma falta e em todas as que conheço há, mesmo que esteja preenchida por um palerma.

  15. Meu caro, tanto palavreado para contar aquilo que a gente já sabe : a esquerda só aparenta aceitar a democracia pluripartidária qdo está no poder. Qdo passam à oposição a esquerda mostra a sua veia anti-democratica e revolucionária. A retórica do Obama, Hilária, George Soros, media corrupta, palermas de hollywood e companhia fomenta a violência de rua e a guerra civil. Felizmente que existe uma maioria silenciosa respeitadora da lei. A caravana passa e os cães raivosos ladram.

  16. Mas tudo bem- quem nasce para fufa que o seja. O que se torna cretino é transformar isso em militância política.

    Passam a ter o sexo como único cv a atirar à cara dos outros, como as profissionais- deixam de ter vida íntima.

  17. André Miguel

    “Ficam soja” Lol

    É a sociedade que temos. Hoje não se pode ser másculo, tem de ser escovadinho, senão leva logo carimbo machista, grunho, bronco e afins. Paneleiro vai tendo mais status social que hetero, e se este for branco e católico então está fod$#d@. Já reparou que um tipo hoje nem pode dizer palavrões?!

  18. Só falam em vagina contra pirilau e fezes. São os grandes temas da actualidade e ainda há quem acredite no Darwin.
    Um tipo não pode ser presidente porque falou em privado no mesmo que elas usam em público, como rábula de vitimização.

  19. ili

    Sou contra as manifs, têm sempre um lider e esse, geralmente agarra a teta publica até morrer.

    Digam um que trabalhe, desde a greenpeace até o PAN, passando por toda a politica e associativismo, sindicalismo ou o raio que parta.

  20. mariofig

    Ainda em meados dos anos 90, numa das minhas primeiras experiências numa Internet ainda desprovida do qualquer obstáculo à liberdade de expressão, deparei-me com um website que explorava o gore. Foi nesses website que se publicou, penso que em 1997 o primeiro e único vídeo de acesso público da decapitação por radicais islâmicos de um ocidental. Tratava-se de um jornalista que cobria a o radicalismo islâmico, apoiando inclusivamente a sua luta. Ficará para sempre marcado na minha memória aqueles 3 minutos em que assisto alguém a ser decapitado vivo com vários golpes de espada. Só nesse momento deverá aquele jornalista (penso que era britânico) ter percebido que ser-se simpatizante não impede de ser ser infiel. Tal como estes LGBT que grande parte do Islão não hesitaria em lhes decapitar vivos.

    Dirão estes ignorantes do LGBT que o radicalismo islâmico não é representativo do Islão. Mas não percebem que o que chamam islamofobia é a reacção ao Islão radical, mas também ao Islão permissivo. Que deveria ser o Islão e não o Ocidente a combater a praga que deixou crescer dentro de si. De pouco adianta alguns clérigos moderados virem denunciar como atrozes os actos de islamismo radical, quando o radicalismo mantém a sua presença nos países onde o Islão está institucionalizado e o Islão dito moderado é ele mesmo cravejado de ideias à muito abandonadas pela sociedade ocidental. A hipocrisia desses clérigos só é superada pela sua desonestidade. Da Arábia Saudita à Indonésia, os islamismo radical está profundamente enraizado nos países onde o Islão é a força religiosa (e muitas vezes política) dominante. Não é apenas o Estado Islâmico que decapita ou que promove leis discriminadoras de todo o tipo. De uma forma geral, o Islão dito moderado só o é por comparação aos terroristas islamistas. Em comparação directa à sociedade ocidental, o Islão não tem nada de moderado e é ainda medieval e arcaico na forma como lida com a diversidade. Cunhar uma parte do Islão como “moderado” é uma das maiores mentiras que se fizeram.

    Mais importante do que exigir a igualdade e diversidade no ocidente em relação ao Islão, deveria ser exigir do Islão precisamente o mesmo. Só assim eles ganham o direito de ver o seus direitos defendidos no mundo ocidental.

    E não é porque conheço um ou outro islamista honesto, simpático e bom trabalhador que reconhece nos outros o direito à sua própria fé ou às suas práticas, costumes ou orientações sexuais, que de repente passo a confundir o anedótico com a realidade mais vasta de como o islamismo se faz representar nos nossos dias. Razão pela qual, independentemente da minha simpatia para com esse tipo de islamitas, defendo a Islamofobia como uma boa e sensata prática, e passo ao Islão o dever de lidar com os seus problemas.

  21. “figuras mais ou menos pitorescas”

    Pitorescas, mas perigosas.
    Para quem vivia em 1930 na Alemanha Hitler também era uma pessoa pitoresca e vejam o que aconteceu!

    É evidente, que as atitudes dos comunistas e socialistas da época também propiciaram que grande parte da direita se convertesse a Hitler.

    Queira Deus que o mesmo não aconteça com Trump.

    ver detalhes aqui: http://marques-mendes.blogspot.pt/2016/09/do-republicans-risk-becoming-neo-nazi.html

  22. MARQUES MENDES : “Para quem vivia em 1930 na Alemanha Hitler também era uma pessoa pitoresca e vejam o que aconteceu!”

    A Lei de Godwin a funcionar !…

    “A Lei de Godwin conhecida também como A Regra das analogias nazistas de Godwin (ou ainda em inglês Godwin’s law ou Godwin’s Rule of Nazi analogies, como é mais conhecida no meio virtual), tem por base uma afirmação feita em 1990 por Mike Godwin,[1] um advogado americano conhecido por formular essa “lei”,[2] que diz[3]:
    “ À medida que cresce uma discussão, a probabilidade de surgir uma comparação envolvendo Adolf Hitler ou o nazismo aproxima-se de 1 (100%). ”
    Há uma tradição em listas de discussões e fóruns segundo a qual, se tal comparação é feita, é porque quem mencionou Hitler ou os nazistas ficou sem argumentos. Portanto, considera-se que perdeu a discussão quem usou essa comparação num argumento.”

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Godwin

  23. Deixemos o Trump nas suas lides.
    Temos assuntos bem mais candentes a decorrer nos tribunais.
    A nuvem espalha-se pelas vastas planícies do oeste ianque.
    Que não ofusque os píncaros da desvergonha cá por casa.

  24. Pingback: elogio do medo – O Insurgente

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