Geringonça no eucaliptal

A assinatura do acordo de constituição da geringonça foi feita num produto nefasto, oriundo da exploração do eucalipto pelo grande capital
A assinatura do acordo de constituição da geringonça entre Heloísa Apolónia e António Costa foi feita num produto nefasto, oriundo da exploração do eucalipto pelo grande capital

O Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) tem a arte de existir, possuir um grupo parlamentar sem nunca se conhecer a quantidade de votos expressos em qualquer urna de votos, desde que existe, decorria o mês de  Dezembro do ano de 1982.

Este partido claramente democrático e de votações expressas muito constantes, criado pelo PCP durante a Guerra Fria por forma a acudir aos desejos ambientalistas de Moscovo e a enganar algum ecologista militante mais distraído, comtempla a “ecologia como concepção  política”. No fundo, como “portadora de uma nova forma de pensar o mundo e a organização das  sociedades. A ecologia política toma a espécie humana como uma componente da Natureza, tal  como outras espécies, constatando a sua dependência em relação a elementos naturais  imprescindíveis à sua sobrevivência – como o ar, a água, o solo, a fauna e a flora.” O PEV descobre mesmo o  demónio no planeta Terra (pois deconhece-se a sua acção noutros planetas):“os modelos liberais e  neo-liberais, que têm imperado no mundo, têm resultado no esgotamento e na delapidação dos  recursos naturais, corporizando formas de organização económica que fomentam a produção  intensiva e descontrolada e o consumismo desregulado, concentrando e intensificando sempre mais  a riqueza nas mãos de uma pequena minoria, sem pudor na negação de direitos a largas faixas da  população e na generalização da pobreza a biliões da seres humanos.” A solução apontado é o “eco- desenvolvimento”.

Quero acreditar que a convergência política na geringonaça é possível com o investimento de milhões na indústria de papel e a exploração económica do eucaliptal. As palavras do Primeiro-Ministro, António Costa são, como é costume, claras como o petróleo verde:

(…) Assinados os contratos de investimento, que vão permitir criar a maior unidade de descasque e destroçamento de madeira da Europa, o primeiro ministro plantou a ideia de reconstruir o setor florestal e explicou como fazê-lo: “valorizando os nossos recursos autóctones, que são decisivos para a riqueza do país, mas também necessariamente a plantação do eucalipto”.

Portugal precisa de melhorar a produtividade da Floresta e com isso melhorar a produtividade do eucalipto. É “o grande desafio que temos pela frente”, assume António Costa, que acrescenta que “a produtividade média por hectare é baixíssima. Não são só os matos que estão ao abandono, há muita área de eucalipto que também o está”.

Uma melhor produção de eucalipto permite responder à procura das indústrias e aumentar a produção de pasta de papel, setor onde Portugal dá cartas e que ajuda a equilibrar a balança comercial. Tal como está previsto desde 2015, na estratégia florestal nacional, a área prevista para a plantação de eucaliptos permitirá responder àquilo que é a procura crescente por parte da indústria, permitindo aumentar a produção de pasta e de papel”, afirma.

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3 thoughts on “Geringonça no eucaliptal

  1. mariofig

    Investimento de milhões na indústria do papel, tem piada. Tanta piada como “investimento de milhões” em qualquer outra indústria em Portugal quando sai da boca do governo.

    Portanto, a Portucel não é nada? Não existe já em Portugal um dos maiores grupos de produção de pasta de papel assente na exploração de eucaliptos? A Portucel, com lucros anuais a rondar os 200 milhões e facturação na ordem de um bilião, controla também a marca Navigator, uma das maiores marcas de papel de escritório no mundo, dá emprego directo a perto de 3.000 pessoais e detém aproximadamente 1.500 Km quadrados de floresta.

    Portanto, exactamente o que quer o governo fazer? Ajudar a Portucel ainda mais do que já tem feito, financiando assim o clientelismo que é tradição neste país? Ou talvez criar uma nova empresa, porque isto de empresas do estado nunca são demais, principalmente porque no fim todas acabam por ir abaixo por má gestão. Ou talvez ainda criar um fundo de apoio a empresas que queiram operar no sector, porque viver de subsídios é outra grande tradção Portuguesa.

    Dirá o governo, apoiar o investimento. Direi eu, servir os interesses estabelecidos sob a mentira do apoio ao investimento num sector da indústria que não carece de forma alguma de ajudas do estado.

    Entretanto, lá para os lados de Paços de Ferreira, outra indústria que já foi o orgulho de Portugal, e também assente na exploração florestal, está a morrer. Mas essa é constituída por pequenas e médias empresas e portanto menos interessante para qualquer governo assente nos pilares do clientelismo.

  2. lucklucky

    O partido Ecologista os Verdes nasceu para proteger os mísseis nucleares SS-20 da União Soviética.

  3. JP-A

    Se calhar há por aí uns jovens de boas “famílias” a sair da universidade e a precisar de um emprego na indústria da pasta 🙂

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