Eu, André, me confesso

Os meus pais escolheram o meu nome porque, além de gostarem, não havia muitos. E durante anos fui o único André: na escola, na universidade e entre os meus amigos. Não havia outro. Ao pé dos Carlos, Nunos, Joões, Paulos, Pedros, eu era o André. Sabia bem.

Só poucos anos depois de iniciar a minha vida profissional comecei a conhecer outros Andrés. Primeiro, um, e achei piada. Mas depois outro, e estranhei; e outro e outro, e aos poucos fiquei rodeado deles. Como eram todos mais novos, dei–me conta que, anos depois de eu ter nascido, o nome se tornara popular. Atrás de mim havia uma catadupa de Andrés. Não eram milhares, mas dezenas de milhares. A singularidade do nome desapareceu.

Quando nasceu o meu filho, escolhemos um nome do nosso agrado e que, ao mesmo tempo, não fosse muito comum. Todos os anos volto à lista dos nomes mais escolhidos no ano anterior e temo o pior. Ainda não foi desta e o miúdo vai-se safando. Caso o nome se banalize, a probabilidade de pertencer a outra geração ajudá-lo-á.

As modas massificam, matam. E não há muito a fazer a não ser aceitar. O problema é que o nome, pelo menos esse é o meu entendimento, é o mais pessoal que podemos ter e, ainda por cima, dado pelos nossos pais. Não há presente maior. E o que me impressiona, não posso deixar de dizê-lo, é a forma como se escolhe algo tão importante sem que se o eleve acima da moda. Nestes dias admiro mais quem tenha a coragem de escolher Vanessa ou Guiomar porque gosta do que os que vão para Martim ou Matilde porque sim.

Advertisements

6 thoughts on “Eu, André, me confesso

  1. André, eu não daria André por mais singular que fosse, e não deixaria de dar João* por mais comum que fosse (e é, eu sei) – são os meus gostos e as minhas heranças familiares. Deixar de dar um nome por ser moda também não é viver ‘acima’ das modas. É a minha opinião 🙂
    *O meu pai é João e o seu avô era João do Carmo. Considero esta última hipótese para o tornar mais singular sim, mas do ‘João’ não abdico.

  2. Pingback: POLITEIA

  3. Euro2cent

    > as minhas heranças familiares.

    O neto leva o nome do avô, caso arrumado. Sobretudo agora, com dois filhos em vez de oito.

    Os romanos fizeram um império com duas dúzias de nomes próprios, metade deles os altamente imaginativos quinto, sexto, sétimo, oitavo, etc. Tinham mais com que se entreter.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s