a limpeza que não se quer fazer

“(…) a regeneração da banca será claramente ineficiente se não for acompanhada por uma regeneração do tecido empresarial, expurgando aquelas que manifestamente só se mantêm à tona à custa de um tratamento preferencial e de uma teia de interesses de natureza diversificada. A nacionalização do Novo Banco servirá para esconder este problema estrutural, da mesma forma que a injecção de capital na Caixa – sem a realização da auditoria forense – irá perpetuar o “status quo” de desresponsabilização dos grandes devedores, colocando o ónus no Estado e nos contribuintes.”, Celso Filipe, editorial de hoje 16/01 no Negócios.

O texto em cima reproduzido sobre o NB é muito acertado. Na minha opinião, seria também um poderoso argumento a favor da sua liquidação. Quanto à Caixa, a ver vamos se teremos mesmo auditoria…

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4 thoughts on “a limpeza que não se quer fazer

  1. jo

    O problema é que haver gente que manifestamente só se mantêm à tona à custa de um tratamento preferencial e de uma teia de interesses de natureza diversificada, não é uma especificidade portuguesa.
    É o modo de funcionamento do capitalismo se não regulado.
    Se os detentores do capital fossem uns santos não existirão nem concentração em excesso nem abusos de poder. Mas como os santos não existem…

    Os nossos liberais lembram-me constantemente os comunistas ortodoxos:
    Defendem uma sociedade perfeita, que não existe nem pode existir, em vez de se preocuparem em trabalhar com a sociedade que realmente existe.

  2. mariofig

    1. Quantas empresas, como a minha, solicitaram com sucesso financiamento bancário, para depois se verem na falência graças à crise da dívida soberana e consequente crise económica entrando forçosamente em incumprimento, quando antes eram um modelo de bons pagadores?

    2. Quantas empresas lutam inutilmente para efectuar análises de risco com um mínimo de coerência, quando o sistema fiscal está longe de ser estável e quando o governo mente sucessivamente sobre a sua performance e a performance da economia e finanças do país?

    3. Quantas empresas que contam com o estado entre os seus clientes viram os seus investimentos caírem por terra e entrando em dificuldades financeiras devido à má gestão da dívida do estado?

    Se é certo que o clientelismo é um problema da banca, não deixa de ser também verdade que muita empresa (como a minha) entrou em incumprimento nesse país devido à má governação. Muitos dos problemas que a banca enfrenta hoje têm a sua origem no Estado, e não nas empresas incumpridoras. Essas são muitas vezes apenas o sintoma. E é preciso ainda não esquecer que grande parte da dívida pública se encontra na banca. É caso para dizer, a tal empresa que mais beneficia do clientelismo e que mais precisa de ser limpa é o Estado.

    A banca sempre viveu num clima de incumprimento. Essa é a natureza do seu negócio. As chamadas imparidades chegam a atingir níveis elevados sem que isso coloque os bancos em dificuldades. Em climas económicos favoráveis, os bancos têm mecanismos de investimento suficientes para cobrir as imparidades e também pressionar quem não cumpre, tendo inclusive a capacidade de forçar a liquidação parcial ou total dos seus clientes, obtendo daí património com algum valor. Mas quem vai liquidar o estado? A crise da dívida é isso mesmo, poder-se-á dizer. Mas é uma crise, não uma solução para a dívida. Está mesmo muito longe de ser uma solução e é antes um grande problema para a banca. Veja-se inclusive como a crise da dívida soberana está agora a ser usada como arma de arremesso pela esquerda que defende a sua renegociação e contra os legítimos credores que contribuíram para o desenvolvimento deste país.

    E quando não há economia, não há nada que se possa fazer. De que adianta liquidar a empresa do Joaquim ou da Maria se nem cadeiras eles hoje têm para se sentar?

    Tem muita empresa que precisa de ser limpa, no âmbito do sistema de clientelismo em Portugal. Concordo inteiramente com o artigo. Mas tem também muito banco a precisar de ser limpo, no mesmo âmbito. E isso implica necessariamente liquidar o NB. Já!

    E necessariamente tem uma grande empresa neste país, que sozinha é a maior responsável pelas dificuldades da banca; o estado. Essa também tem de ser limpa. Nem que seja a catanada.

  3. “E necessariamente tem uma grande empresa neste país, que sozinha é a maior responsável pelas dificuldades da banca; o estado. Essa também tem de ser limpa. Nem que seja a catanada”.

    Não chega. Estão bem protegidos, têm polícia e serviços secretos próprios, alimentam-se da ignorância, do futebol e dos reality shows.
    Os merdia (Ho, Ho – global media) todos os dias vomitam patranhas, calúnias engolidas pelos intectuais feitos idiotas úteis. Entendam uma vez por todas, santos da casa não fazem milagres. Só se…

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