Banca para totós

​Porque é os contribuintes portugueses querem comprar um banco (diz uma sondagem do Expresso) que os “privados” domésticos ou estrangeiros não quiseram comprar ao longo dos últimos anos pelos valores pretendidos, tendo à medida que o tempo passou, diminuido o valor que alguns foram apresentando para o adquirir ?

Será que os contribuintes portugueses, ou os seus governantes, avaliarão melhor ou pior do que os privados os riscos, as rentabilidades e as contingências da actividade bancária?

Será que mais um banco nas mãos do Estado garante mais um cordel na “marionetagem” da economia portuguesa de que os decisores políticos tanto gostam, como é abundantemente demonstrado nas suas declarações públicas?

Será que gostamos de ajudar os amigos nas empresas de sectores estratégicos e inovadores com projectos financiados que um dia serão imparidades dos balanços do Banco?

Um euro que não se receba hoje dos privados nesta venda vai ser uma euro que todos vamos pagar amanhã em mais impostos. Já conhecemos o filme com a CGD e o BPN nas mãos públicas e parece que não aprendemos.

O problema já existe nas mãos de quem manda, a nacionalização apenas o adia, o prolonga e o torna pior, ganhando uma dimensão  maior para todos os contribuintes. Os empréstimos de dificil cobrança já existem,  os activos desnecessários já la estão, os passivos errados já oneram os resultados e querem mesmo os portugueses tudo isto por mais uns anos para pagarem do seu bolso, com IVAs, ISP, IMI, etc? 

Ou acharão mesmo que os privados se enganaram nas Contas quando oferecem um valor baixo ou nulo ?

Comparar esta nacionalização com o que se fez no Reino Unido é desonestidade intelectual pois, para além das condições económicas do eclodir da crise financeira face ao momento actual  serem distintas, esquecem-se do caso RBS (ainda detido a 73% pelo tesouro)  quando citam o Lloyds (detido a 9% pela Estado). Ninguem se lembrou de dizer que depois de nacionalizados estes dois bancos continuaram cotados em bolsa.

Ideologicamente sou contra as nacionalizações já o disse aqui no passado, mas para além disso,  o pior que podem fazer ao nosso sistema financeiro é criar processos de sobrevivência artificiais (com dinheiro público) de bancos limpando-os do passado e passando a mensagem que não interessa a dimensão da asneira que se tenha cometido, pois o nosso dinheiro estará sempre disponível para o resolver.

Assim aparecerão no horizonte do Portugalistão novos Salgados e novos Oliveiras, mas com nomes mais modernos como Galambas e Mortáguas (deixasse , claro está, o BCE).

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7 thoughts on “Banca para totós

  1. Luís Lavoura

    Já conhecemos o filme com a CGD e o BPN nas mãos públicas e parece que não aprendemos.

    Que eu saiba, a merda no BPN não foi causada pelas mãos públicas, mas sim pelas mãos privadas que lá estiveram antes de ele ser nacionalizado.

  2. Luís Lavoura

    depois de nacionalizados estes dois bancos continuaram cotados em bolsa

    Há montes de empresas nacionalizadas mas cotadas em bolsa por este mundo fora. Por exemplo, a Statoil norueguesa.

  3. Entendo é imperativo que se lance um recenseamento para apurar quem quer nacionalizar o NB, outro para saber quem quer recapitalizar a CGD, ou outro assunto qualquer que envolva dinheiros privados. Os que responderem que querem isto ou aquilo devem chegar-se à frente e entrar com o seu dinheiro, ficando os outros escusados de tal coisa. Não seria uma nacionalização mas sim uma espécie de colectivização, mas serviria os propósitos de quem quer ter um bocado daquilo.

  4. mariofig

    Ou, melhor, deixar a economia seguir o seu curso natural também no sector financeiro, desregulando o mercado e impedindo de uma vez por todas a intervenção do estado.

    O problema da banca é muitas vezes uma problema a montante. O NB é apenas um problema hoje porque o estado interviu no passado e tem agora um passivo que não pode perder e não quer ver crescer. Tivesse o banco falido no decurso normal de qualquer outro agente económico em dificuldades e não estaríamos hoje com uma grande dor de cabeça a pensar o que fazer do NB.

    E se o problema era naquela altura, como é hoje, o receio do pânico no mercado financeiro, que me perdoem mas esse medo carece de prova física nem me parece que seja líquido que estamos completamente condenados a um sistema financeiro que não pode ver um banco ser liquidado sem que isso coloque em causa todo o sistema. Acaso seja verdade, então mais urgente que salvar bancos ou permitir a intervenção do estado, será reformular o sistema bancário tornando-o mais resistente à queda de um dos seus agentes. Fundos de Resolução foram um passo na direcção certa. Mas, está visto, não são suficientes.

  5. Parece que o Luis Lavoura desconhece o resultado da nacionalização do BPM pata o erario publico. É só esse o ponto. Não prolongar as asneiras dos privados contagiando o contribuinte com mais encargos. Como digo no meu post: os problemas ja la estão e tambem no caso actual são de origem privada.

  6. sim, nos bancos os exemplos não abundam depois da nacionalização. Compreende que este sector é especial? E que manter um banco cotado em bolsa acarreta certas responsabilidades que ler.item depois reprivatizar. E que quem defende as nacionalizações no RU como exemplo se esqueceu desse pormenor?

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