Argumentos contra a nacionalização do Novo Banco

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Usando como base os excelentes artigos do Ricardo Arroja e do António Costa, ambos publicados no ECO, resumo os principais argumentos contra a nacionalização do Novo Banco, que me parecem certeiros:

  • Recordemo-nos que a nacionalização do BPN não iria ter custos para os contribuintes; logo depois, afinal os custos existiam, mas eram baixos, cerca de 3 mil milhões; hoje, e ainda com o processo por fechar (existem litigâncias ainda a decorrer em tribunal), os custos ascendem aos 6 mil milhões de Euros. O BPN tinha menos de 4% de quota de mercado, enquanto que o Novo Banco tem cerca de 15%. É fácil perceber que a nacionalização do NB poderia ser um poço sem fundo para o contribuinte — um ónus que o Estado não deve nem pode assumir;
  • O dinheiro emprestado pelo Estado ao Fundo de Resolução para onerar os custos com o processo de resolução, os tais 3.9 mil milhões de Euros, seria efectivamente  assumido pelo Estado. Note-se que este montante, embora celebrado em direito público e com o aval do Estado, é da responsabilidade dos bancos que compõem o sistema financeiro, não tendo ainda representado qualquer custo para o contribuinte;
  • O Reino Unido e a Irlanda efectivamente usaram um modelo de nacionalizações temporárias, com posterior privatização. Este modelo é interessante, mas não o podemos aplicar a Portugal esquecendo-nos de um factor de contexto relevante: estamos em Portugal. Em Portugal, como a Caixa aliás ilustra, o banco serviria para atender a interesses e caprichos políticos, e é questionável se a gestão sob batuta pública seria mais eficaz. Olhando para a Caixa, a conclusão seria um rotundo não;

Acrescento também um outro argumento político, que me parece encetar a questão:

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7 thoughts on “Argumentos contra a nacionalização do Novo Banco

  1. Pingback: POLITEIA

  2. PBS

    Então se não se deve vender ao desbarato (as ofertas até agora são risíveis), e não se deve nacionalizar, quais são as restantes opções? Estou a perguntar genuinamente, e não a dar uma opinião.

  3. jo

    O ideal era que a administração privada do BES não o tivesse feito implodir ou, pelo menos, que o regulador tivesse visto alguma coisa ou agido em tempo próprio, em vez de andar a contar histórias de cercas que isolavam o GES do BES.

    A treta de que os restantes bancos, que estão praticamente falidos, vão pagar a falência do BES é tão inverosímil que é preciso ser idiota para acreditar nisso.

    Posto isto temos um banco falido e uma carrada de más soluções. A nacionalização é uma delas mas não quer dizer que seja a pior.

  4. @PBS
    Resta a liquidação. Não me parece possível uma absorção como o Bank of America fez ao Merril Lynch. Liquidem-no. Irónicamente, a Lone Star ou a Apollo têm experiência nisso. Provávelmente seria a solução que defendia melhor os interesses de todos – excepto um ou outro vígaro.
    Ou vendam ao desbarato. Comparado com as desgraças que custaram as falências de banquetas como o BPN e BANIF, dois ou três mil milhões de perdas (potenciais, mas nunca superiores) são uma pechincha para os contribuintes.

  5. Rogerio Alves

    Também não percebo o que é “vender ao desbarato”! Se o produto vale assim tanto mais do que as ofertas actuais, como é que não há mais candidatos a oferecer (muito) mais? Isto é uma pergunta retórica que eu, pelo menos, já sei a resposta…

  6. Caro PBS, adie-se a venda (o que acarreta o risco de fazer baixar mais o valor, especialmente se mais imparidades e NPLs que não estavam em balanço forem sendo descobertos), venda-se a este valor, assumindo o custo restante ou liquide-se.

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