Nacionalizar o Novo Banco? Não!

“A venda do Novo Banco está num momento crítico e está em marcha um plano mediático a favor da nacionalização. Discordo. O Estado não deveria nacionalizar, mas alterar o modelo de venda.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre o NB: não à sua nacionalização, mas, ao mesmo tempo, por um modelo de venda diferente.

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10 thoughts on “Nacionalizar o Novo Banco? Não!

  1. Luís Lavoura

    O Ricardo Arroja quer que os outros bancos tenham palavras a dizer na venda do NB. Mas isso não é justo, dado que eles até agora não meteram dinheiro nenhum no NB. (O Fundo de Resolução ainda não recebeu dinheiro praticamente nenhum dos bancos.) Como podem estar os outros bancos a vender algo que não lhes pertence?
    Além disso, vai contra as noções mais óbvias de concorrência, que os outros bancos decidam de que forma é vendido um banco. Pois que eles têm interesse próprio nisso.

  2. Luís Lavoura

    O Ricardo Arroja propõe vender o NB aos bocadinhos. Mas isso terá que ser feito pela calada e sem que ninguém diga que é essa a estratégia, caso contrário, o ativos a vender serão desvalorizados.
    O que eu digo é que, venda-se por atacado ou venda-se aos bocadinhos, o melhor é primeiro nacionalizar, para que os compradores nunca saibam se o vendedor tem pressa em desfazer-se dos ativos.

  3. mariofig

    Luís Lavoura. A nacionalização do NB será dramática para as finanças do país. Não tenho dúvidas algumas disso. É mais que sabido a total falta de incapacidade da governação portuguesa em gerir a banca. Basta apenas olhar para toda a história da CGD. Quando se diz que o NB deverá ser nacionalizado, o que se está realmente a defender é uma solução do tipo empurrar o problema coma barriga. Porque não existe nenhuma garantia que o NB será correctamente administrado nas mãos do governo e que não se vai rapidamente tornar em mais um pesadelo para as finanças do país e para os contribuintes. Nem o estado poderá argumentar que tem algum plano. Todos os planos da CGD falharam em mais de 40 anos de existência. Eram todos grandes planos.

    Não se trata somente de procurar soluções fora da nacionalização. Trata-se de fugir da nacionalização como da lepra, porque a gestão do estado não oferece qualquer credibilidade e é um grande risco para o país.

  4. mariofig

    Por outro lado, discute-se a nacionalização sem qualquer plano para o banco. Sem ninguém quer o NB, por alguma razão é. É porque o banco não presta. É neste ponto que discordo do Ricardo. O NB pura e simplesmente não presta. O plano do NB falhou e hoje o banco é um grande risco.

    E o Luis Lavoura acha mesmo que deveria ser o governo e pegar naquilo que ninguém quer? Onde é que realmente acha que isso nos vai levar tendo em conta toda a triste história dos últimos 40 anos de gestão bancária do estado? É que ainda por cima se está a querer nacionalizar um banco que ninguém quer sem sequer ainda ter discutido um plano para esse banco. O nível de irresponsabilidade bate no tecto.

  5. LUIS LAVOURA : “O Ricardo Arroja quer que os outros bancos tenham palavras a dizer na venda do NB. Mas isso não é justo, dado que eles até agora não meteram dinheiro nenhum no NB. (O Fundo de Resolução ainda não recebeu dinheiro praticamente nenhum dos bancos.) Como podem estar os outros bancos a vender algo que não lhes pertence?”

    Não me parece que, na forma e no conteúdo, seja mesmo assim…
    Quem meteu dinheiro no NB foi o seu accionista, o Fundo de Resolução. E quem meteu dinheiro no FR foram os bancos. Para mobilizar esse dinheiro, os bancos contrairam dividas, naturalmente inscritas nos respectivos balanços. Quem tem as cabeças nos cepos são mesmo os bancos. Por isso é perfeitamente logico e razoável que, como sugere o Ricardo Arroja, os bancos tenham um palavra importante na venda de um activo que lhes pertence (pelo menos pertence-lhes menos indirectamente do que pertence ao Estado, que é apenas um credor do FR).
    Nacionalizar significa, na prática, uma venda (forçada) do NB ao Estado por um valor pelo menos igual áquele que o Estado emprestou ao FR destinado ao NB.
    Ou seja, no minimo, um péssimo negócio para os contribuintes e, nesta altura, um alivio para os bancos.
    Não deixa de ser curioso que muitos dos que costumam dizer que é preciso “ir buscar o dinheiro onde ele está” e em particular aos bancos e que “os erros da finança devam ser pagos pela finança” defendam agora uma “solução” para o NB que desresponsabilizaria financeiramente … os bancos !…

  6. É um bom exemplo da transparência democrática que ninguém saiba o que está escondido na banca portuguesa. Há opiniões de que a CGD, pura e simplesmente, não necessita de recapitalização. Talvez esta opacidade seja essencial para que os depositantes não levantem o dinheiro todo já amanhã.
    Os compradores do BANIF, e do NB, querem garantias. Ao contrário do colunista, não é a opinião deles que está em causa, é o dinheiro. Que me desculpe o Ricardo Arroja, mas devem ter acesso a informação mais detalhada, e têm equipas inteiras a vasculhar as contas. Pelo que se viu até agora, os números e declarações do Estado, CMVM, BdP, media, valem ZERO – no caso BES e BANIF estava tudo bem, até que estava tudo mal. Eu também não confiava nisso, queria garantias.
    Essas garantias são também fruto da nossa “justiça” – cada dia é-me mais difícil dizer a palavra sem rir ou chorar. Ninguém com juízo se dispõe a décadas de litígio – as garantias são um modo de rodear o problema se as coisas correrem mal.
    Depois, as garantias só são um fardo para o Estado se forem accionadas. Se o NB está tão bom, nunca serão accionadas – nem eram pedidas.
    Finalmente, o que o Ricardo Arroja propõe é que seja o Estado a fazer um trabalho que a Lone Star faz muito melhor. Contratem a Lone Star. Aliás, as resoluções dos bancos não resolveram até agora, nada. Mais vale liquidá-los. E o caso NB é exemplar – a parte boa, saudável, lucrativa do BES, é um mono.
    Porque não há liquidações? Será por um amontoado de mentiras? Talvez os depositantes não estejam protegidos. Talvez os créditos sejam incobráveis. Talvez que numa liquidação apareçam esqueletos muito comprometedores para muito boa gente. E assim vamos pagando, para esconder qualquer coisa, fortunas, talvez.

  7. mariofig

    “Porque não há liquidações? Será por um amontoado de mentiras? Talvez os depositantes não estejam protegidos. Talvez os créditos sejam incobráveis. Talvez que numa liquidação apareçam esqueletos muito comprometedores para muito boa gente. E assim vamos pagando, para esconder qualquer coisa, fortunas, talvez.”

    É uma excelente pergunta @ABC.

    Porque é que cada vez que se fala na hipótese da liquidação, logo vêm alguns dizer que isso afecta a confiança no sistema e que comprometeria o sistema bancário e que sei lá mais o quê? Tudo uma série de argumentos sem qualquer substância, atirados ao ar em estilo de quem quer meter medo sem ter que explicar muita coisa. É de desconfiar.

    E se uma liquidação não vem ela também sem custos, quais são esses custos comparados com atrelar um banco morto ao orçamento do estado sabe-se lá por quanto tempo? Ninguém me consegue convencer que liquidar o NB não seria a melhor solução. Mas a verdade é porque também ninguém explica. Salvar a merda do banco parece ser a única coisa que interessa, nem que para isso defendam o pior de todos os cenários que é pô-lo nas mãos do pior e mais irresponsável gestor do pais, o Governo. E ouvir gente do PSD e do CDS defender isto dá-me vontade de vomitar.

  8. Ricciardi

    O erro cometido pelo governo anteriir de colocar os bancos do sistema a pagar os erros de um deve ser corrigido rapidamente pelo governo.
    .
    É inadmissível que os bancos sejam obrigados a capitalizar o Novo Banco. Não faz sentido algum. Socializar prejuízos não é coisa útil nem decente sob o ponto de vista de justica. Ficaria bem a um governo socialista de índole marxista. Não ao PSD.
    .
    Estou portanto convencido de que o partido socialista no governo faça o que deve fazer na linha habitual de meter o socialismo na gaveta.
    .
    Deve, portanto, nacionalizar o novo banco para proceder à sua reprivatização daqui a uns 7 anos. Nem precisa de pagar aos accionistas do fundo de resolução. Já assumiu uma garantia que já teve impacto no défice.
    .
    Se o banco precisar de mais capital deve proceder a uma opv a subscrever pelo mercado. Aberta a investidores, particulares, etc.
    .
    Rb

    .

  9. Tiro ao Alvo

    Não entendo como é que o Novo Banco (NB) poderá ainda apresentar um elevado valor de imparidades. Já passaram mais de dois anos desde que foi “limpo”, os gestores que para lá foram recrutados são, todos, tidos por competentes e, posteriormente foram assumidas mais imparidades, de operações que se supõe vinham do passado, uma vez que, forçosamente, as novas operações de crédito terão sido feitas com as necessárias cautelas.
    Por outro lado o tempo decorrido desde a criação do NB parece-me o bastante para que as operações que poderiam correr mal já estejam vencidas.
    Sendo assim, custa a aceitar que o NB esteja mal, mais parecendo que essa “coisa” foi posta a circular para satisfazer interesses inconfessáveis, que não são os interesses dos portugueses, sobretudo dos portugueses pagadores de impostos.
    Por tudo isto, parece-me legítimo que nos devemos questionar a quem servem essas “notícias” sobre o NB. Que interessam aos eventuais compradores, é evidente, mas também podem interessar aos outros Bancos, sobretudo aos Bancos privados, é coisa a ponderar, como também é de ponderar o interesse dos políticos que sonham com a nacionalização de todo o sistema financeiro.
    Numa coisa o Ricardo Arroja tem razão: o Fundo de Resolução não pode ser posto à margem. É, além disso, não podemos esquecer que tudo o que for decidido sobre o NB interessa muito aos outros Bancos concorrentes, incluindo os Bancos estrangeiros que estão a operar em Portugal.

  10. RICCIARDI : “O erro cometido pelo governo anteriir [foi] de colocar os bancos do sistema a pagar os erros de um (…) Não faz sentido algum. Socializar prejuízos não é coisa útil nem decente sob o ponto de vista de justica. (…) [O partido socialista no governo … [] deve, portanto, nacionalizar o novo banco para proceder à sua reprivatização daqui a uns 7 anos.”

    A filosofia do Fundo de Resolução é que os principais bancos se quotizem de modo a se poder socorrer um ou mais bancos em grande dificuldade evitando-se assim uma ruptura de liquidez ou mesmo uma eventual falência.
    Qual é o interêsse e a contrapartida para os bancos, para cada um deles ?
    Desde logo, como é próprio de todos os seguros mutualistas do género, a possibilidade de cada um poder também vir um dia a beneficiar desse tipo de ajuda.
    Mas, sobretudo, ao ser evitada uma ruptura ou mesmo a liquidação de um banco em dificuldade, é assegurada a confiança no sistema bancário no seu conjunto,
    Ou seja, reduz-se o chamado “risco sistémico”.

    Nacionalizar é que é “socializar prejuizos” privados : pagam os contribuintes !

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