Um modelo totalitário de educação sexual

Educação para a Sexualidade: Desafios à Liberdade em Portugal. Por Fernando Adão da Fonseca.

O facto de uma determinada escola poder desenvolver determinado tipo de abordagens à sexualidade com as quais as famílias discordem, sem que estas, por seu turno, tenham sequer o direito básico de trocar os seus filhos para outra escola onde porventura pudessem encontrar uma abordagem a esta questão que estivesse em linha com aquilo que desejam para os seus educandos, é pura e simplesmente uma forma encapotada de ditadura que desrespeita de forma muito perigosa aquela que é a principal conquista que a revolução de 74 pretendeu garantir aos portugueses: a liberdade.

O conceito de “Estado Educador”, que constrange através do seu poder político e financeiro as liberdades filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas dos portugueses, opõe-se à própria liberdade, assumindo totalitariamente o seu desprezo pelo direito constitucional à liberdade de educação dos alunos e das suas famílias.

Se isto é claro e linear no que diz respeito ao direito de ser livre para ensinar e para aprender, mais claro é ainda quando aplicado a matérias fracturantes como é a da sexualidade, por se tratar de uma área estruturante e essencial na formação da personalidade humana e na identidade futura dos alunos portugueses.

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26 thoughts on “Um modelo totalitário de educação sexual

  1. Os professores ensinam que o sexo às vezes é bom, mas é preciso usar preservativo. Os miúdos experimentam, não raro dentro das escolas, em lugares esconsos, e chegam à conclusão que o preservativo afinal não é assim tão bom e volta tudo à estaca zero.
    “Revista The Lancet divulgou relatório sobre VIH no mundo desde 1980 até 2015. Portugal aparece entre os países da Europa com mais novos casos no ano passado”. Julho de 2016.

  2. mariofig

    Configura-se na Europa, em particular França e Espanha, com ecos em Portugal, uma nova ditadura de princípios assente num discurso do politicamente correcto e imposta via legislação, que está a polarizar opiniões e a tornar difícil a convivência em sociedade entre aqueles que concordam e discordam. São na realidade todo um conjunto de ferramentas legislativas que forçam o que não se pode forçar (o conjunto de valores e crenças pessoais que definem o carácter de um individuo e as suas escolhas pessoais em sociedade) e que estão a fracturar as nossas sociedades e a contribuir para um clima de instabilidade social.

    O tema da educação sexual é um dos casos, juntamente com a imposição do aborto que passou de legalizado para quase-obrigatório a julgar pela forma como rapidamente se tornou ilegal ser-se pró-vida em França. Temos também todo o debate do género já a decorrer em Portugal e que tem assumido dimensões perfeitamente assustadoras, sendo talvez um dos temas onde se encontra maior ódio e violência verbal junto dos seus defensores. E temos outros assuntos de menor dimensão mas exactamente com a mesma matriz de imposição por via da lei do que têm sido até agora normas sociais, tais como a recente aprovação de uma lei para filas de espera que roça o patético, até à recente demonstração de disponibilidade do nosso governo em imitar a lei espanhola e igualmente patética sobre as horas de trabalho e os contactos fora delas.

    O que certamente não é menos interessante de observar é que para muitos destes casos a forma como estas leis são feitas em cima do joelho, sem qualquer auscultação ao batimento cardíaco da sociedade e por pessoas sem qualquer sensibilidade sociológica e profundamente amarradas a preceitos ideológicos, é que o tal discurso do politicamente correcto onde muitas destas leis assentam atenta contra a liberdade mas também contra a igualdade e contém muitas práticas discriminatórias: Legislasse pró-aborto mas ilegalizasse pró-vida; Defende-se neutralidade de género impedindo a diferenciação de género; As senhoras com crianças ao colo passam à frente, mas um(a) jovem com 38 graus de febre não; É necessário criar quotas de igualdade em relação às mulheres, mas não é preciso em relação aos homens.

  3. A liberdade não é o que muita gente pensa.
    Eu tenho a liberdade de ter uma casa, mas tenho que pagar IMI, taxa de televisão, imposto de esgoto, etc. valores que o Estado define. A fachada da casa também não pode ser a que eu quero, pois é o Estado que define a gama de cores e de materiais que posso usar.
    Eu até posso ter um cãozinho só meu, pois sou multado, e muito bem, se o meu cãozinho fizer uma poia à sua porta.
    Democracia é a subordinação dos indivíduos à vontade da média dos eleitores que votam.

  4. Filipe Costa

    Educação sexual ao meu filho, renego que seja dada na escola,os pais educam conforme acham mais adequado.

    Antigamente havia a disciplina de Religião e moral, mas era opcional, e bem, tal como a educação sexual o deve ser.

    Educação escolar não é isso, isso é para preguiçosos que não querem perder tempo, a escola deve singir-se ao essencial, discipllinas uteis, como a matemática, fisica, linguas estrangeiras (opcionais) ou português (meros exemplos).

  5. mariofig

    @manoloheredia, não confunda democracia com liberdade (e já agora também não a confunda com igualdade). A democracia é um sistema de governação e, portanto, completamente transversal a estes princípios. Poderá ou não adoptá-los em maior ou menor grau consoante os desejos de quem elege e, principalmente, de quem é eleito.

    Não é por acaso que muitos sistemas democráticos, particularmente de esquerda e do centro, são frequentemente denunciados ao atentarem contra a liberdade individual dos seus cidadãos. Não porque com isto se está a fazer uma critica implícita à democracia como forma de governação, mas porque os seus representantes escolhem de forma declarada impor regras e princípios a toda uma sociedade que não pertencem de modo algum à esfera do estado. Tais como a educação sexual.

    Liberdade atinge-se com menos Estado. Não com mais. E isto é independente do sistema de governação em vigor. Com menos estado você ainda paga multa pelo seu cão, porque as liberdades de cada individuo terminam sempre onde começam as do outro e pagará também impostos porque mesmo com menos estado os serviços que ainda são prestados têm de alguma forma ser mantidos. Estes assuntos nada têm a ver com liberdade. Liberdade não é anarquia. Mas com menos estado o que verifica é que este não se intromete nem procura controlar os seus princípios, as suas crenças e as suas escolhas desde que estas sejam legitimas e não atentem contra as liberdades dos outros.

  6. Oh Mário, o que este post diz é equivalente a dizer que em todos os concelhos devia haver um matadouro kosher, para que os judeus sentissem a liberdade de comer a carne segundo a sua convicção.
    Não pode ser porque é inviável economicamente.
    O Estado Democrático tem como missão, entre outras, fornecer aos cidadãos serviço público gratuito de ensino, igual para todos os que o frequentarem, com matérias horários, etc definidos na Assembleia da República.
    Quem quiser dar aos seus filhos educação diferente deve procurar outras escolas. Não é possível ter em todas as freguesias escolas públicas com matérias que agradem as diferentes sensibilidades educativas; católica, protestantes, islâmicas, ateas, sá para falar nas sensibilidades religiosas. Nos EUA existem escolas que ensinam o criacionismo ignorando séculos de ciência…

  7. mariofig

    @manoloheredia,

    Você continua a confundir as coisas. Liberdade não é haver matadouros kosher em cada concelho. Liberdade é permitir criar matadouros kosher se, na sociedade onde se inserem, a prática da Shehita não atentar contra a cultura e costumes da população nativa. Se eles depois são criados ou não, isso depende de quem deles precisar. Liberdade não é providenciar. Liberdade é o permitir existir.

    A Educação não é uma ferramenta do Estado. É uma ferramenta da população. O Estado não pode usar a educação como um modelo de doutrinação. Tanto mais que desta forma as naturais mudanças governativas em cada ciclo eleitoral levam necessariamente a que diferentes ideologias sejam constantemente adoptadas e outras abandonas. E a escola pública tornasse um brinquedo da governação e impossibilita qualquer modelo educativo coerente capaz de suportar uma geração de alunos da primária ao final do secundário.

    O Manolo diz a única coisa acertada quando diz “não é possível ter em todas as freguesias escolas públicas com matérias que agradem as diferentes sensibilidades educativas”. Concordo! E é exactamente por essa razão que o estado não deve introduzir no currículo escolar temas fracturantes que não pertençam à esfera da educação formativa. A educação sexual, como tema formativo, tem toda a razão de existir no nosso modelo de ensino. O que não pode acontecer é usar a educação sexual como forma de fazer passar a ideologia do estado sobre temas como aborto ou homosexualidade, e outros temas que competem única e exclusivamente às famílias educar e que em muitos casos querem educar os seus menores no devido tempo por si escolhido e na linha contrária a qualquer ideologia partidária que esteja a governar na altura.

  8. Oh Mário, finalmente percebi (sou de compreensão lenta, por vezes).
    Também concordo que devia haver uma plataforma mínima de entendimento sobre temas fraturantes, sobretudo um entendimento quanto à idade em que esses temas podiam ser abordados, consensual para todos os partidos com assento.
    Isto porque, como disse, é um descalabro para a educação mudar de rumo de cada vez que se dá um reviralho direita – esquerda ou vice versa.
    E olhe que fiquei bastante chocado quando, no início do presente ano letivo, um neto meu com 7 anos me respondeu; “menino ou menina” à minha pergunta se já tinha namorada lá na escola.
    Ainda vou investigar a origem deste conceito, para saber se lhe terá sido transmitido por colegas ou pela professora.
    Não ficaria admirado se o conceito de homossexual lhe tivesse sido instruído por colegas, dada a publicidade enorme que tem sido feita a este tema. Mas os profs também são vulneráveis a essa visibilidade e se a Assembleia da República autoriza que homens casem com homens e mulheres com mulheres não choca muito que certos professores considerem esse tema atual, e que é importante tirar as crianças da ignorância…

  9. lucklucky

    Manuel Heredia

    Não é a palavra da Liberdade. Isso deveria incluir poder dizer Não a contribuir quer para a Escola quer para os matadouros kosher.

    Note-se no entanto que para existir uma comunidade é preciso um nucleo de regras que todos tem de cumprir mas esse nucleo deve ser o mais diminuto possível.

    Cada lei, cada regra é primeiro uma violencia sobre quem não concorda. Um voto em democracia é sempre deixar a outra parte derrotada.
    E uma lei e uma regra são sempre pretextos para o Estado(ou alguém que tem lá contactos) usar violencia sobre alguém. E com a quantidade de regras como voce disse desde a cor das paredes; provavelmente cada portugues tem alguma coisa fora da lei e provavelmente faz qualquer coisa ilegal a cada dia.

    Nos EUA:
    http://volokh.com/2013/01/21/ham-sandwich-nation-due-process-when-everything-is-a-crime/

    Para mim é preferível que não haja derrotados excepto nas coisas essenciais. O que é um homicídio, o que é um roubo, onde termina a nossa liberdade e onde começa a do outro.

  10. Chega de invenções e de fazer dos alunos cobaias de vendedores da banha da cobra. Uma aula semanal de “Saber, civismo e cidadania” onde caberia esse tema e outros de conhecimentos e cultura geral. Vamos lá cambada!

  11. A.R

    A Educação em Portugal segue um ideal marxista: os pais estão na retaguarda para sustentar o corpo eles marxistas fazem o resto. Na Califórnia vai-se legalizar a prostituição infantil!

    A técnica é simples: subtraindo os pais da formação moral pode-se fazer com uma pessoa e tirar dela tudo o que se quer. Por isso as nossas crianças estão cada vez mais e compulsivamente numa máquina educativa com o modelo socialista: marxista/nazi.

  12. Bem, no seguimento do “post” lê-se que o aborto é “quase obrigatório” e agora que prostituição infantil é ou vai ser legal na Califórnia!!! Malta, metam mais tabaco nisso 😉 !

  13. citizengo.org/pt-pt/ed/node%3Anid%5D-unesco-quer-implementar-doutrinacao-lgbt-para-criancas-em-todo-o-mundo

    citizengo.org/pt-pt/fm/node%3Anid%5D-pela-supressao-do-cargo-ombudsman-lgbt-na-onu

  14. Lista de países que integrarão o Conselho dos Direitos Humanos da ONU em 2017: Arábia Saudita, Venezuela, China, Cuba, Iraque, Qatar, Burundi, Bangladesh, Emirados Árabes Unidos.

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