A indústria mais competitiva do país

No sector mais competitivo do país a precariedade laboral é total. Qualquer um pode perder o emprego de um dia para o outro e não existem contratos sem termo. Não existem progressões automáticas e o normal até é um trabalhador ganhar menos a partir de certa idade. Quase não existem greves. Os conflitos são resolvidos por orgãos de justiça próprios, estando pouco expostos à lentidão normal da justiça portuguesa. A desigualdade salarial é extrema, porventura a maior de qualquer indústria, mesmo dentro da mesma empresa (ou sociedade anónima desportiva). É um sector onde as offshores são usadas livremente, estando quase imune à crítica por parte dos sectores políticos habituais. É também um dos sectores que mais facilita a mobilidade social. A meritocracia reina. Coisas como apelidos e redes de contactos são muito menos importantes do que noutras indústrias. Sem quotas, conta entre o grupo de melhores e mais bem pagos trabalhadores com muitas pessoas de raça negra, etnia cigana, madeirenses, açorianos e muitos jovens pouco qualificados. É das poucas indústrias privadas que floresce em Portugal. Foi, mais uma vez, uma indústria vencedora em 2016. Que sirva de lição.

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13 thoughts on “A indústria mais competitiva do país

  1. “Qualquer um pode perder o emprego de um dia para o outro…”

    Tenho a ideia que nesses casos normalmente ganha o ordenado que era suposto ganhar até ao fim do contrato, não?

    Por outro lado, penso que é das menos flexiveis no outro sentido (penso que não se verifica o “Qualquer um pode se ver sem empregados de um dia para o outro”).

  2. Miguel Madeira, eu acrescentaria outra dúvida na mesma linha: a FPF, indirectamente retratada na imagem que encima o post, não é mantida com uma catrafada de subsídios públicos?

  3. Tiro ao Alvo

    “Tenho a ideia que nesses casos normalmente ganha o ordenado”, mas não esquecer que recebe apenas o ordenado base. Nada de prémios e outras achegas – direitos de imagem, etc.

  4. Carlos Guimarães Pinto

    Pedro, Miguel, vamos lá ver então:

    1. Flexibilidade laboral: a maioria dos jogadores de futebol, mesmo nas ligas profissionais tem valor de mercado próximo do zero e passa a carreira com contratos de 1 ano. Passar a carreira com contratos de 1 ano é o que normalmente se chama precariedade que mata. Mesmo aqueles que valem mais e assinam contratos mais longos podem ser colocados fora da equipa principal de uma semana para a outra, perdendo prémios, prestígio e oportunidades futuras. Na práctica, estão a ser despedidos.

    2. Sobre flexibilidade em sentido oposto: também acontece: as greves de zelo não são pouco comuns. E as janelas de transferências estão abertas mais de metade do ano

    3. Sobre o prejuízo: as empresas têm prejuízo contabilístico, mas a indústria tem um enorme lucro económico. Se contarmos com o que ganham todos os stakeholders (jogadores, empresários, dirigentes), o lucro económico é gigante. Basta pensar por exemplo qual é o custo de oportunidade de um jogador como Cristiano Ronaldo em estar a jogar futebol (ser empregado de mesa em Machico?) para ver quanto é o lucro económico dele

    4. Subsídios à FPF: não sei. tinha ideia até que a FPF dava lucro. Mas qualquer que seja o subsídio recebido é certamente uma gota de água no lucro económico da indústria como um todo. A fotografia está lá apenas para ilustrar a ideia, não porque a FPF seja o maior exemplo. Acho que a imagem do Jorge Mendes a levantar um cheque era menos apelativa graficamente.

  5. jo

    Uma industria livre de corrupção,
    tirando umas “frutas de dormir” aqui e ali, uns “Vales e Azevedos” uns “Arlindos Ferreiras Torres”, uns presidentes da FIFA e vários outros que nunca se ouvem.

    Uma indústria que não é subsidiada,
    tirando os campeonatos do Mundo, da Europa, os Jogos Olímpicos, os Estádios de futebol, as isenções fiscais por interesse público desportivo, as vantagens e facilidades nos negócios imobiliários, os perdões fiscais, só há mais algumas coisas que o zé contribuinte paga.

    Uma indústria que não depende da política nem tenta promover o poder,
    tirando os pequenos-almoços do Figo, as celebrações nas sedes dos Paços de Concelho, e alguns milhares de subsídios ao “clube da terra”.

    Uma indústria onde todos pagam os seus impostos,
    tirando as estrelas milionárias que têm o dinheiro em off-shores e os clubes que declaram prejuízos de milhões consecutivos sem nunca falirem.

  6. “Acrescento só que é também a única ‘indústria’ onde as discrepâncias salariais, a precariedade laboral ou a ostentação de riqueza não chocam, nem nunca chocaram ninguém.”

    Eu tenho uma teoria sobre isso (já agora, no cinema e na música também tendem a ser toleradas; na música as grandes indignações até costumam ser contra falta de precaridade laboral do que por excesso:aquelas histórias que de vez em quando surgem de fulano que estará prisioneiro da companhia discográfica) – que as indignações contra a “desigualdade económica” são uma capa para o que é na realidade indignação contra a desigualdade de poder de decisão (quase que apostaria que, para o mesmo nível de rendimento, os assalariados são mais pró-redistribuição do que as trabalhadores por conta própria). Ao contrário de gestores e empresários, futebolistas, cantores de rock, estrelas de Hollywood, etc. normalmente não têm poder para tomar decisões que afetem grandemente a vida de muitas pessoas (bem, sempre há aqueles traumas que os adeptos sofrem quando a estrela do clube se transfere….), e portanto ninguém se incomoda com o que eles ganham. Já o CEO que decidiu a remodelação que levou a que alguém tivesse que mudar de departamento… qualquer pretexto serve para lhe cair em cima.

  7. Acrescento também que muito dos Portugueses emigram para países onde a precariedade laboral é total, ganham mais pois os bons funcionários ganham mais que os maus funcionários. Inglaterra e o norte da europa é o destino de muitos emigrantes portugueses, e nem existe salário mínimo.

  8. Prezado Sem Norte

    Essa é realmente uma questão que nunca é respondida. Se fossem realmente boas as propostas esquerdistas em relação aos trabalhadores, os mesmos buscariam migrar daqueles países de mercado de trabalho com menos direitos para os com mais direitos. quanto mais próximo o país estivesse da “pureza ideológica” marxista, mais seriam atraídos os trabalhadores para lá. Mas sempre ocorre justamente o contrário.Esquerdistas sempre respondem a isso com desconversas, mentiras e hipóteses inacreditáveis.

  9. Luís Lavoura

    Qualquer um pode perder o emprego de um dia para o outro

    Isto não é verdade na parte mais competitiva da indústria futebolística. Entre os jogadores mais competitivos, há contratos plurianuais que são estritamente cumpridos, mesmo quando o jogador está de baixa por diversos meses devido a lesões.

  10. Luís Lavoura

    O Carlos poderia ter referido que as condições de trabalho que descreve se aplicam a jovens na casa dos 20 anos. Ora, há em Portugal noutras indústrias muito menos competitivas montes de jovens dessa idade que suportam condições de trabalho similares. Não é pelo facto de os jovens suportarem tais condições que uma indústria se torna competitiva. Nem é concebível que trabalhadores mais idosos pudessem suportar por muito tempo tais condições.

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