do que é próprio

“O Presidente da República afirmou hoje em Coimbra que o sistema de justiça “é um problema”, considerando que uma justiça lenta “é uma justiça que é um travão enorme” para todos os domínios da sociedade portuguesa.” (via Negócios online).

Confesso que depois do absurdo voto de pesar pela morte de George Michael, estava hoje à espera que o Presidente da República manifestasse igual pesar pelo falecimento de Carrie Fisher (a mítica Princess Leia) ou, como escreve a Maria João, que tivesse publicado uma nota congratulatória pelo regresso das andorinhas na primavera. Mas não. Felizmente, Marcelo Rebelo de Sousa manifestou-se hoje sobre o sistema de justiça, caracterizando-o, apropriadamente, como “um travão enorme” ao avanço de Portugal. Ainda assim, a sua intervenção foi marcada por linguagem indevidamente diplomática face à gravidade da situação. A obsessão pela popularidade (junto de todos) assim o obriga. Enfim, como será quando o Presidente da República tiver de cerrar os dentes e tomar decisões difíceis?

Ps: Não obstante o desastre que é a nossa Justiça, não encontro junto da opinião pública o grau de indignação que eu julgaria normal nas actuais circunstâncias. Por que será?

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5 thoughts on “do que é próprio

  1. mariofig

    “Não obstante o desastre que é a nossa Justiça, não encontro junto da opinião pública o grau de indignação que eu julgaria normal nas actuais circunstâncias. Por que será?”

    Cansaço, talvez. Descrença também, na sua forma mais absoluta de qualquer falta de esperança. E provavelmente desconhecimento, porque certamente a poucos portugueses lhes parecerá vantajoso beneficiar (porque essa “beneficiar” não mais se aplica) do sistema de justiça português e a coisa resolvesse portanto de qualquer outra maneira desde que não meta tribunais.

    O que Marcelo fez foi realmente chamar a atenção que as andorinhas estão a voltar na primavera. E como o Ricardo, também eu não descortinei qualquer intenção no seu discurso cheio de do tipo de formalismo inconsequente vindo de um presidente popularucho para quem a Ginginha, George Michael e a Cornucópia merecem acções mais exaltadas.

  2. JP-A

    São aquelas frases que se repetem durante 40 anos quando não se tem coragem para fazer nada, ou quando não se quer fazer nada. O país político está cheio desta gente. Enfim, somos tratados como gado. Talvez fosse melhor recordar o PR que o atual presidente da AR se estava “a cagar para o segredo de justiça” e assim ficar com uma fotografia mais clara sobre a pocilga venezuelana em que já nos estamos a transformar.

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