Pedaços de cultura entre vampiros

vampiros

Vale a pena ler o artigo de opinião de José António Cerejo, jornalista do Público, intitulada: Inês Pedrosa, os seus 38 amigos e “um insignificante episódio burocrático“.

Assim percebe-se melhor porque é que a tolerância face aos fenómenos do clientelismo, do nepotismo e, no fundo, do tráfico de influências e da corrupção é tão generalizada na sociedade portuguesa.

É um exercício tão curioso observar as movimentações dos seres que têm como  habitat o espectro cultural português.

 

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11 thoughts on “Pedaços de cultura entre vampiros

  1. Jgmenos

    Esta matéria merece considerandos:
    1 – as regras da contratação pública implicam a ineficiência na pequena acção e limitam o recrutamento de gestores a burocratas exangues de convicções e dinamismo.
    2 – Toda a chefia deveria ter alguma autonomia, temperada com responsabilidade civil e criminal, para pôr em andamento contratações que haveriam de justificar em cada caso.
    3 – As condições actuais criaram uma camarilha de especialistas em concursos, formulando-os por tal modo que não raro as chefias são condicionadas pelo subalterno que lhe serve o vencedor para o qual bem organizou o processo. Ao contrário, pode bem o chefe condicionar o subalterno a servir um vencedor – como poderá ter sido o caso presente – eximindo-se a responsabilidades.

    Em conclusão, o pressuposto de que todos são desonestos, funda a desonestidade geral.

  2. sam

    E enquanto a Pedrosa tem 38 amigos, Cerejo só se tem a si próprio para defender a investigação feita. Ninguém mais naquela redacção quis sujar as mãos…

  3. Manuel Assis Teixeira

    Parabens Inês Pedrosa! Que coerencia! Eu que a fui lendo ao longo dos anos e à forma como tantas vezes apontou dedos acusadores, acho que nao fez nada de mais. Assinou isso ” contratozecos ” com uns amigalhaços lá de casa! Afinal qual é o mal depois de tantos relevantes serviços que prestou à cultura nacional! E foram só aquelas personalidades que assinaram! É injusto! Merecia muitas mais! Tem que se fazer uma petiçao de desagravo! Provavelmente ainda recebe uma chamada do Sr Presidente que deve estar incomodado! Coitada Inês Pedrosa! Merece ainda mais afectos! Pobre senhora que tem o seu bom nome afectado! Que malandro que foi o jornalista Cerejo! Não branqueou e contou-nos a historia! E assim pôde a Ines Pedrosa ter tantos vultos a animá-la! A cultura esteve em causa mas felizmente há vultos! Pobre país digo eu!

  4. Isto é o que acontece num Estado sobredimensionado que insiste em estar metido em tudo. E é tão grande que torna-se quase impossível fiscalizar o uso do dinheiro do pagador de impostos. Em pequenas estruturas estatais (como é este o caso) pequenas corrupções destas são a sopa do dia, e o sector cultural é aquele que mais deseja a multiplicação destas estruturas (do Estado, claro!) e um dos menos transparentes. Dentro deste sector, vale tudo.

  5. mariofig

    Entretanto, na Grande Entrevista ontem, Rita Ferro lembrava como uma parte da classe artística portuguesa é excluída de certos eventos culturais por não perfilhar da ideologia dominante. Disso, os tais 38 não querem saber. O processo de politização das artes e cultura está certamente concluído.

    É difícil acrescentar algo a este artigo de opinião de José António Cerejo. Não tenho formação literária suficiente para conseguir exprimir o sentimento do mais profundo nojo pelos 38, onde nem sequer incluo Inês Pedrosa. Em qualquer país do mundo, a corrupção só é possível com a conivência de quem a protege. O corruptor e o corrompido são os menores dos actores.

    Se queriam defender Inês Pedrosa, deveriam estar calados. Ao desculpar os seus actos como meros exercícios administrativos sem qualquer significado, num país onde mais de um terço da população encontra-se na pobreza ou no seu limiar, vocês encontram nos 38 os arquitectos da corrupção. Voluntariamente ou não.

  6. Infelizmente, os “vampiros” rondarão os dez milhões. Em Portugal, mal visto é aquele que, estando em posição para o fazer, não ajuda os parentes e amigos, distribuindo por eles empregos e contratos (lesando não só os de que têm maior ou idêntico mérito, mas também os que contam que não seja esse o critério de decisão). Aquele que dá o jeito a parentes e amigos, e opta por preservar a integridade do cargo que exerce, não é “amigo do seu amigo” e é, no mínimo, um “meto nojo”.

  7. AB

    Dada a baixa natalidade e a alta corrupção, a expressão “ir para a cama com” está a mudar de sentido.
    @JPT
    Exclua-me desses dez milhões. Na minha experiência, misturar negócios com amigos ou família foi um desastre.

  8. “I.P. sempre argumentou que não tinha nada que ver com os contratos que indiciavam favorecimento de pessoas das suas relações, ou com quaisquer outros, remetendo todas as responsabilidades nessa matéria para Carmo Mota, que era quem assinava as propostas de adjudicação por dever de função.”

    Que execrável esta Pedrosa, a atirar culpas para a funcionária. Teve o castigo que mereceu, ou seja, da fama de corrupta e execrável nunca se livrará.

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