Doce de maçã

kafka2

Uma conversa que tive hoje sobre a importância do contexto sócio económico dos estudantes enervou-me ligeiramente. Antes de mais, trabalho por necessidade desde os onze anos e não recebo lições de pobreza de ninguém, sei bem o que é ser pobre. Depois, estou-me cagando nos estudos nas ciências sociais, dão para tudo mais um par de botas e são o melhor exemplo de tortura de dados para dar o resultado que o “cientista” quer. Chegam a meter carne de um lado e do outro sai doce de maçã. Até nas ciências duras já é assim (ver o “hockey stick” do Michael Mann), nas ciências sociais é um fartar de vilanagem. Cansado que estou de trinta anos a ler “estudos” e papers sobre assuntos que me interessam só há uma conclusão possível: não conheço nenhum grupo onde haja tanta corrupção intelectual como nos grupo dos “cientistas sociais”. Não conheço um estudo, um sequer em que possa confiar, por cada um que chega a uma conclusão há dois que chegam à conclusão oposta exactamente com os mesmos dados. A única coisa em que confio é na minha experiência pessoal (que já é alguma) e capacidade dedutiva, mais nada. “Cientistas sociais” e “estudos” não passam, todos, rigorosamente todos, de venda de banha da cobra e prostituição pura e dura.

Dito isto, quando se fala no contexto sócio económico dos miúdos, misturam sempre correlação com causalidade, como se um puto pobre fosse obrigatoriamente um idiota filho de imbecis, como se os “cientistas sociais” soubessem melhor que o puto e respectivos pais o que é melhor para ele, como se os pobres não quisessem melhorar de vida, como se ser pobre fosse uma deficiência genética que condena as pessoas a serem falhas de inteligência, honra e ambição. Como se por ser pobre não se possa ser inteligente, trabalhador ou ter vontade. Mais que qualquer outra coisa é um insulto aos milhões de pobres que são gente trabalhadora, que lutam para melhorar de vida, que cuidam dos filhos e se sacrificam por eles. Não, para os bem nascidos, pobre é um untermensch, alguém inferior a eles próprios, um diminuído ao sabor das circunstâncias, sem as capacidades que reconhecem neles mesmos. Pois agarrem nos “estudos” que “provam” os vossos preconceitos de bem nascidos, façam um rolinho e enfiem-nos no recto, de resto, quanto aos pobres, saiam-lhes da frente, não os estorvem.

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8 thoughts on “Doce de maçã

  1. lucklucky

    O Marxismo necessita de criar uma narrativa de inferioridade.
    Pois o complexo politico da vitimização é essencial ao poder da Esquerda.

    Qualquer aluno do século passado, ou qualquer aluno da Coreia do Sul nos anos 50 era mais pobre que os pobres hoje, nada os impediu de aprender.
    Hoje 60 anos depois a Coreia do Sul é bem mais rica que nós.

    Mas aí nenhuma das pérolas do jornalismo marxista “de referência” está interessado em aprender.

    Nem é preciso ir aos Gregos ou aos Romanos ou como gente que não tinha nem nunca viu electricidade aprendeu a escrever, aprendeu matemática etc…

  2. Alain Bick

    ciências são a matemática, ciências naturais e fisico-químicas.
    o resto é ‘merda com sabor a merda’ e a pensar que é pastel de nata

  3. Não sei onde encontrou esse determinismo em relação à população mais pobre. Mas uma coisa lhe garanto: nada tem que ver com ESTUDOS (não falo em conversa de comentadores, nem artigos de jornal) e muito menos com ciências sociais. Os únicos elementos que são relacionados com a pobreza, é uma maior dificuldade de percurso (menos dinheiro para pagar compensações, por exemplo) e, em média, mais baixas expectativas no que diz respeito a estudos, até pela necessidade de rapidamente se entrar no mercado de trabalho. Só isto. Mas, é verdade que o uso acrítico da estatística (em todos os domínios, mas sobretudo na economia) que tem feito moda entre nós, pode provocar (e provoca) os mais variados disparates.

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