Dah

“A solução para os lesados do BES pode passar pela criação de um fundo pelos bancos, com garantia do Estado e contra-garantia do Fundo de Resolução. Mas a banca não vê isso com bons olhos.” (via ECO – Economia Online).

Na semana passada foi anunciado em diversos media que finalmente seria apresentada uma solução para os lesados do BES. O anúncio seria realizado pelo senhor primeiro ministro na 6ª feira dia 16/12. A verdade é que passou 6ª feira e, ao que consta por dificuldades de agenda do PM, a solução não pôde ser apresentada. Mas está iminente, continuam a dizer-nos.

Ora,  na sequência dos relatos iniciais que nos davam conta do anúncio “da solução”, a minha primeira reacção foi procurar saber se os bancos do sistema bancário nacional, individualmente ou colectivamente, estariam de acordo. Mas não encontrei nem confirmação nem indícios da boa vontade dos bancos. Que má forma de anunciar “a solução” – pensei eu cá para os meus botões. Ao mesmo tempo, também não encontrei o design dessa milagrosa solução. As minhas suspeitas adensaram-se.

Suspeitas confirmadas. Hoje, através da notícia do Expresso a que o ECO faz referência em cima, percebi finalmente o design proposto. E é, sem dúvida alguma, inovador! Porque ao contrário do que é habitual, e do que seria expectável na teoria financeira, que subordina riscos privados a riscos soberanos, a contra-garantia do esquema associado “à solução” (ie, a garantia de último recurso caso falhe a primeira garantia) seria prestada por um veículo, o Fundo de Resolução (FdR), que é financiado através de recursos eminentemente privados, ou dotações que todos os anos os bancos presentes em Portugal coercivamente são obrigados a pagar ao FdR.

“A solução”, parece-me óbvio, não foi desenhada por financeiros. “A solução” foi pensada por políticos, naturalmente interessados nos proveitos (políticos) de uma resolução deste lamentável e terrível imbróglio dos lesados, e desenhada por juristas presumivelmente interessados num único ponto: ludibriar as regras formais das ajudas de Estado. A lógica parece ser a seguinte: se no fim da linha estão fundos eminentemente privados (mesmo que o FdR qualifique tecnicamente como fundo de direito público), então, é simples: não há ajuda de Estado! Enfim, independentemente do OK ou não da banca, e da simpatia que possamos sentir por muitos destes lesados, arrisco dizer que estamos no domínio da esperteza saloia. Será que esta solução também é “a solução” para os NPL’s da banca!?

 

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7 thoughts on “Dah

  1. E segundo o Jornal de Negócios, os EMIGRANTES NUNCA SERÃO COMPENSADOS, pois seja qual for a solução, só beneficiarão aqueles que fizeram o investimento através de balcões nacionais. Aqueles que usaram as sucursais do BES no Luxemburgo, Suíca, etc, etc. não verão um tostão!

    Ou seja, a família Salgado e outros gananciosos que investiram para ficar ricos depressa vão ser compensados por todos nós, e os emigrante, aqueles que foram verdadeiramente enganados, perdem tudo.
    .
    A única forma de luta contra esta geringonça CORRUPTA E CRIMINOSA É FUGIR AOS IMPOSTOS.

  2. Realmente… a maioria dos bancos não dá aumentos (nem tão pouco para corrigir a inflação) aos seus funcionários há mais de 6 anos!!!! Nem sequer os seus reformados tiveram direito a um cêntimo extra, A aumentos de impostos, disso nem sequer é bom falar….
    Socialmente, este governo não passam duns cretinos, obtusos, e ordinários!
    A única luta contra este governo corrupto e criminoso, além da fuga aos impostos e a fuga do país e para bem longe!

  3. mariofig

    Se calhar vou ser trucidado, mas enfim…

    A desobediência civil, como forma de protesto, não reúne consensos sobre a sua legitimidade. Mas eu pessoalmente acredito nela. No entanto também acredito que existe algures uma linha no chão e que se passa a barreira da desobediência civil e se entra bem adentro da pura ilegalidade, quando se pretende fugir aos impostos.

    Entendo perfeitamente a raiva e o sentido de injustiça que tudo isto carrega. Se calhar até mais do que alguns de vocês; Afinal em 2012 ninguém me ajudou quando a minha empresa faliu e vi-me obrigado mais uma vez a imigrar (estava de regresso a Portugal deste 2009). Contribuía directamente para o crescimento do país, empregava 6 funcionários e pagava os meus impostos. No entanto ninguém me veio cobrir o investimento de uma vida e tive de despedir e fechar portas, voltando ao estrangeiro onde sempre fui MUITO MELHOR tratado.

    Fugir aos impostos não penaliza governos, excepto se a medida fosse concertada e esmagadora entre a população. Apenas penaliza o próprio infractor que não vai ter suporte legal, retira a sua legitimidade ao protesto e penaliza quem paga. Outras formas de protesto há que seriam mais eficazes na forma como expõem a má governação ou não permitem ao governo mexer no vosso dinheiro.

    – Organização de protestos públicos.
    – Emigração e recusa em mover divisas para dentro do país, fazendo as vossas poupanças no pais de acolhimento ou noutro país qualquer.
    – Participar aqui e noutros locais na Internet, procurando despertar mentalidades e denunciar a má governação de esquerda.
    – Criação de um verdadeiro partido de direita liberal e corrida ao voto nesta porcaria de país plantado no cu da Europa.

    Mas fugir aos impostos… não.

  4. Não concordo consigo Mário, pois propõe formas de luta impraticáveis, especialmente para quem de trabalhar todas as horas do dia e não tem tempo para organizar isto ou aquilo. A fuga aos impostos tem o apelativo especial de uma pessoa ficar descansada por saber que não está a gastar o seu dinheiro, o qual tanto custou a ganhar, em, por exemplo:

    – recompensar os lesados do BES que arriscaram em investimentos de alto retorno
    – pagar elefantes brancos como a CGD, que eternamente precisarão de dinheiro para pagar empréstimos a amigos de políticos. Macedo está lá hoje, mas amanhã estará outro Vara.
    – fundações inúteis como a fundação Soares.
    – contribuir para os salários dos funcionários públicos que trabalham menos e ganham mais do que o privado.
    – comprar dívida da TAP sem nenhuma necessidade.
    – etc, etc..

    Em vez de nos fazer sentir culpados, fugir aos impostos passou a dar a sensação de que estamos a fazer a coisa certa e que só se formos cobardes não o fazemos. O Mário tem de perceber que com a geringonça convertemo-nos numa república das bananas, em que o governo está a saque de quem tem alguma coisa para ir literalmente esbanjar em inutilidades.

  5. mariofig

    Como disse, entendo. Considero errado a fuga aos impostos por muitas razões, mas também entendo a frustração de combater contra a instrumentalização que se verifica em Portugal de todos os sectores da sociedade por parte da esquerda. Em particular a tomada de assalto do principais meios de comunicação social e as dificuldades que isso coloca a quem sente a necessidade de protestar de uma forma eficaz. A venezualização de Portugal é hoje por demais evidente.

    É-me difícil passar juízo nestas condições. Não sei bem o que faria se estivesse aí. Se calhar também estaria a pôr à prova as minhas convicções. Portanto evitarei comentar mais~sobre este assunto.

  6. Carlos César – em 2015:
    – “é o Estado que nesta fase deve garantir o ressarcimento de todos esses cidadãos e de todas essas empresas”.
    – “Se o Partido Socialista for Governo, deverá ser o Governo a ressarcir os lesados do Banco Espírito Santo”. A promessa foi feita esta segunda-feira à noite por Carlos César, presidente do PS”.

    Tudo indica que – agora – a ‘Geringonça’ quer que seja o B.P. e os Bancos a pagar as promessas eleitorais do Costa/César.
    Já não é o “Governo a ressarcir os lesados”… Porque será? Decerto o Centeno teria de refazer as contas do Excel e verificar que o défice aumentaria exponencialmente (com mais uma ‘Errata’ a somar ás centenas que o centeno produziu no seu Excel…).

    Como é habitual a solução socialista é sempre a mesma: usar o dinheiro dos outros… E dizerem que eles é que solucionaram…

    Não esquecer o que disse a novel Vice-Governadora do Banco de Portugal, Elisa Ferreira, há uns anos:

    > «o dinheiro é do Estado, é do PS»…

  7. Pingback: Dah (2) – O Insurgente

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