Mariana Mortágua, a gabinarda

 

Mariana Montágua, em debate na SIC Notícias, referindo-se ao relatório de competitividade Global Competitiveness Report do World Economic Forum, afirma que Portugal está, em matéria de flexibilidade do mercado laboral, próximo do Gabão, e que na base da tabela estão países como a Noruega, e no topo da tabela estão países terríveis como a Singapura ou a Estónia.

O problema da Mariana Mortágua é que nem toda a audiência da SIC Notícias é um habitué dos acampamentos do Bloco, e alguns sabem alguma coisa do que está a ser falado. Mariana Mortágua escolhe um sub índice (7.02 — Flexibility of wage determination) de um índice mais geral do relatório em questão, o sétimo pilar, 7 — Labour Market Efficiency.

No top 8 do subíndice 7.02 estão, tal como a Mariana Mortágua referiu:

1 Estonia
2 Latvia
3 Hong Kong SAR
4 United Arab Emirates
5 Uganda
6 Singapore
7 Japan
8 Qatar

No bottom 8 estão:

132 Germany
133 Sweden
134 Italy
135 Argentina
136 Zimbabwe
137 South Africa
138 Uruguay
139 Austria
140 Finland

Portugal surge em 88º lugar (muito pouco flexível, portanto), entre a Serra Leoa e o Gabão.

Mas este é um indicador compósito. Mariana Mortágua «esquece-se» de falar também do indicar geral, 7, que agrega quatro outros indicadores para além do indicador 7.02. Em particular, 7.01 – Cooperation in labor-employer relations, 7.03 – Hiring and firing practices, 7.04 — Redundancy costs e 7.05 – Effect of taxation on incentives to work. E nesse indicar geral, que agrega todos estes subindicadores, o ranking é este:

O top 10 de 7 — Labour Market Efficiency (Flexibility) estão:

1 Singapore
2 Hong Kong SAR
3 United Arab Emirates
4 Switzerland
5 Bahrain
6 Qatar
7 New Zealand
8 United States
9 United Kingdom
10 Georgia

No bottom 10 estão:

131 Indonesia
132 Brazil
133 Mozambique
134 Sierra Leone
135 Ghana
136 Uruguay
137 Bolivia
138 Argentina
139 Zimbabwe
140 Venezuela

E Portugal, que surge em 97º lugar em 140 países. Muito flexível, portanto.

93 Mexico
94 Moldova
95 El Salvador
96 France
97 Portugal
98 Honduras
99 Australia

Na verdade, e segundo os dados da OCDE, Portugal, mesmo depois das reformas feitas pelo anterior governo, continua com um dos mercados laborais mais rígidos da OCDE, isto depois de já ter sido o país com o mercado laboral mais rígido:

Employment-protection.jpg

Entramos na era da pós-verdade e dos pós-factos, mas o Bloco de Esquerda nunca saiu da era das meias-verdades.

Advertisements

16 thoughts on “Mariana Mortágua, a gabinarda

  1. Pingback: POLITEIA

  2. A Historia relata os factos passados e os mais presentes. Assim será também com os futuroa. Essa é a história do mundo real. A história do mundo como ele foi, como ele é, e será. Pessoalmente náo aceito que se afirme ou escreva que se estude a história para náo se aprender nada com ela. Mas existe um outro mundo. O mundo virtual. E aí, nesse mundo, o mundo é como deveria ter sido e náo como foi. É como deveria ser e náo como é. E no futuro como deveria ser e náo como será. Os possuidores de uma definida doença mental vivem no mundo virtual. Escamoteiam, adulteram e reescrevem a história com o servilismo dos merdia no obsassivo afâ de imporem a escravidão a miséria e a pobreza a toda a humanidade. Para serem desmascarados basta uma palavra para a qual náo tem argumentos, Verdade, mas com media e sem merdia. A esta hora, náo me apetece ser politicamente correcto. Sendo a vida humana um dos bens mais preciosos, alguns montes de merda com forma humana e os merdia nem um milésimo de segundo das nossas vidas merecem de atenção.

  3. mariofig

    O problema não está em termos gente em Portugal capaz de ver os factos pelo que eles são. Poder-se-ia dizer até que o problema não está também em ter gente em Portugal que, como Mariana Mortágua, o BE, o PCP, O PS, o PSD também quando lhe apetece, escamotearem ou pintarem os factos. Todas as sociedades têm os seus mentirosos e aldrabões.

    O grave problema que temos em Portugal é que matámos o jornalismo. Não se faz contraditório em directo e na hora porque os jornalistas que conduzem estas entrevistas são gente de formação jornalística genérica, escolhidos para pivots por causa das suas caras bonitas e vozes colocadas. Nem existe qualquer incentivo para estes jornalistas acrescentarem à sua formação ciências económicas ou sociais. Não há jornalismo especializado em Portugal em televisão. Excepto, claro está no futebol. A formação universitária jornalística em Portugal é um pagode de má qualidade e de modo algum geramos em Portugal jornalistas de craveira internacional por essa via.

    E nem vale a pena falar em jornalismo de investigação. É raro. E mais raro ainda quando isento e de qualidade. A ideia que hoje em dia se tem em Portugal de jornalismo de investigação é fazer grandes reportagens sobre mães a quem as autoridades inglesas tiraram os filhos.

    O poder político — e percebeu-se bem durante o anterior executivo, refiro-me ao poder político de esquerda — tomou o controle absoluto dos principais meios de comunicação social em Portugal. Muito em particular as televisões. Está a ficar claro como água quando olhamos para os dois executivos dos últimos 5 anos, que é hoje completamente permitido a um governo de esquerda em funções executar todo o seu discurso político com um mínimo de contraditório e de preferência contraditório esse efectuado por fracos pensadores ou figuras menores da oposição, como se verifica na escolha de convidados para muitos dos debates, conversas ou entrevistas televisivas.

    Mariana Mortágua não precisa de falar a verdade. A verdade é aquilo em que se acredita num determinado período no tempo. Em tempos foi verdade que o sol girava à volta da terra, porque era o que se dizia ser a verdade.

    Ela já ganhou. Podemos vir aqui e a outros blogs. Mas enquanto não nos for permitido ir lá no terreno, no cara-a-cara, desmentir as falsas verdades, a maioria das pessoas (e são as maiorias que contam) vão acreditar no que ela e ou outros têm a dizer. E exactamente porque não nos é permitido efectuar esse contraditório onde ele é importante fazer, no local e no momento da mentira, é por essa razão que o a perca de verdadeiros meios de comunicação social em Portugal também nos roubou a nossa liberdade.

  4. Manuel Assis Teixeira

    É completamente verdade o que diz o MarioFig. Os nossos orgãos de comunicaçao sobretudo a televisao estao completamente dominados e as mensagens do bloco vão passando directas ou subliminares constantemente. A menina Mortagua tem sido construida
    pela comunicaçao social ( e pasme-se muito respeitada pelo Salgado) desde o inquerito ao BES. Foi bem industriada pelo seráfico Louçã – agora especie de senador ” independente” com espaço televisivo para perorar à sua vontade mas que continua a ser o verdadeiro lider do bloco – e na verdade tem uma cassete velha e relha enfiada na cabeça! Basta ver como foi completamente engolida e ficou sem fala na SIC quando debateu com o Adolfo Mesquita Nunes ( está no youtube). Estas ” construções” dos media, são facilmente descontruidas. Como foi o caso. A cassete enrola imediatamente e vem ao de cima a pobreza intelectual das meninas apenas feita de chavões e imagem mediática! Mas a verdade é que estão a dominar o espaço mediático e nao se vê que as coisas estejam para mudar. Infelizmente para Portugal!

  5. Miguel Alves

    O espaço que se dá a esta rapariga na televisão é que é a surpresa disto tudo… uma pessoa que vai constantemente à televisão dizer mentiras mas com a colocação de voz, a abanar o braço com as mangas “arragaçadas” como se o que estivesse a dizer fosse totalmente verdade, e não existir um jornalista que saiba o suficiente para a confrontar é outra surpresa..

    Já não haver gente honesta no bloco, isso já toda a gente sabe, já não é surpresa nenhuma.

  6. Pesquisei no motor de busca do Google os PIB per capita de Portugal e Singapura em 1960 e 2015. Só por curiosidade.

    Os números que me surgiram mostram que Portugal e Singapura tinham PIB’s muito próximos em 1960. 55 anos depois esses mesmos PIB têm uma diferença abissal.
    O PIB per capita singapurense é bem mais do dobro do português.

    Qual é mesmo o defeito de Singapura de que a Mariana falou?

    Os números que encontrei estão em dólares americanos
    PIB per capita de Singapura em 1960: $ 427,87
    PIB per capita de Portugal em 1960: $ 360,50
    PIB per capita de Singapura em 2015: $ 53.604
    PIB per capita de Portugal em 2015: $ 21.961,39

  7. As opiniões emitidas são bem avisadas. O diagnóstico é esse. Para já esqueçamos a mulherzinha empertigada.
    Já tivemos pior, a Maria Inácia do Carmo, também conhecida por Ti Maria Inácia Espírita de Aljezur.

  8. O que o índice mostra é que a flexibilidade laboral não tem muito a ver com a qualidade da economia, ou com a democracia da sociedade.
    Portugal está junto à França e à Austrália e o Uganda, por exemplo, não parece ter ganho grande coisa com o máximo no índice.
    De qualquer modo todo o trabalho parece uma salsada pouco credível. Não me parece que faça sentido comparar Hong-Kong, que nem sequer é um país e é sobretudo uma praça financeira com o Uganda.
    Aliás este colocar constante de uma extensão da R. P. China como país mostra bem como pensam os nossos economistas liberais. O país ideal para eles é aquele que é tão independente que o próprio governo é escolhido noutro lado.

  9. “do indicar geral, 7, que agrega quatro outros indicadores para além do indicador 7.02. Em particular, 7.01 – Cooperation in labor-employer relations, 7.03 – Hiring and firing practices, 7.04 — Redundancy costs e 7.05 – Effect of taxation on incentives to work. ”

    Alguns desses sub-indicadores parecem-me um bocado deslocados num indicador de flexibilidade laboral.

    Se o 7.01 é o que eu penso que seja, boas relações entre empregadores (e sindicatos) e patrões, isso pode ser uma coisa muito boa, mas, por si, não é uma questão de “flexibilidade do mercado laboral, acho eu.

    O 7.05 imagino que se refira aquelas situações “com a subida do escalão do IRS, não vale a pena fazer horas extraordinárias” e afins; de novo, acho que englobar isso na falta de flexibilidade do mercado laboral é um bocado esticar demasiado o conceito.

  10. Caro Miguel Madeira, o indicador 7.01 refere-se ao ajustamento de preços via negociações. É o caso de todo o norte da Europa, onde não existe salário mínimo legalmente definido, e este é definido por sector, por região, negociado com os parceiros sociais, e muitas vezes reduzido (na Suécia foi reduzido na crise).

  11. JP-A

    Não se compreende porque raio é que o Mário Machado e os seus amigos não aparecem também todos o dias na TV para comentar o país usando do mesmo tempo de antena. Deve ser uma espécie de discriminação seletiva natural encapotada.

  12. Pedro Santos

    Caro Miguel Madeira
    A sua análise é bastante correta. Aliás na literatura o o indicador a que se refere o ponto 7.2 funciona como um bom proxy para a flexibilidade do mercado de trabalho. É portanto um indicador mais limpo.
    Se repararem Portugal perde pontos no ponto geral – 7, por causa da elevada carga fiscal (nenhuma novidade).

  13. Pedro Santos, diz isso com base em quê, exactamente? Não é por acaso que o GCR agrega todos os subindicadores no ponto 7 para caracterizar a flexibilidade do mercado de trabalho, precisamente porque acha que o salário (preços) não é suficiente para caracterizar, especialmente se existirem barreiras ao nível dos trabalhadores (quantidades).

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s