a dívida pública e o “spillover”para o sector privado

“Os juros da dívida estão no limiar dos 4%, com efeitos negativos nas decisões racionais dos privados. Assim, o Estado é uma âncora que não estabiliza, mas está a puxar a economia para baixo.”

Destaque do meu artigo de ontem no ECO – Economia Online.

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23 thoughts on “a dívida pública e o “spillover”para o sector privado

  1. Manuel Assis Teixeira

    É verdadeiramente impressionante o que se passa com os nossos juros e com a divida publica. Mas é verdadeiramente aterrador ver a forma como o governo encara a situaçao através da pura e simples omissao do problema. E tudo isto de braço dado com o Sr Presidente da Republica cuja grande preocupaçao são os sorrisos, os beijinhos e as selfies de preferencia com o Costa sempre se sorriso seráfico ao seu lado! E riem de quê? Só se podem estar a rir de nós. Estamos a caminhar a passos largos para a repetiçao de 2011 e continuamos a assistir a um branqueamento geral da situaçao! São os pessimistas dirá no meio de mais uma selfie o Sr Presidente! Infelizmente não…Mais uma vez estamos a acelerar contra uma parede muito, muito dura!

  2. Miguel Alves

    Existe aqui um “ligeiro” problema, não basta dizer que isto está melhor, ou vai ficar melhor, para as coisas de facto melhorarem.

  3. Manuel Assis Teixeira,

    Concordo com a sua preocupação e com o sentido geral do seu comentário.
    Mas vou acrescentar dua notas.

    É natural que o governo, consciente ou inconscientemente, esteja a omitir ou até a negar o problema : a evolução da taxa de juro da divida publica a 10 anos é um dos indicadores mais claros de que a politica deste governo está errada e é um verdadeiro falhanço !…
    O desejável seria que o governo em funções, perante estes e outros sinais preocupantes, assumisse a necessidade de mudar de politica e de tomar medidas urgentes para corrigir o que está mal. Não vou dizer como e quais porque sabemos mais ou menos e seria longo demais fazê-lo aqui. Mais do que palavras esta seria a melhor comunicação possivel, enviando aos mercados e aos agentes económicos sinais efectivos de que o governo estava consciente da gravidade da situação e a agir para a corrigir.
    Mas esta possibilidade é práticamente impossivel tratando-se de um governo com uma maioria que depende da extrema-esquerda.
    Eu diria que, tendo em conta que se trata de um governo baseado numa aliança com o “diabo vermelho”, o que tem sido feito, sendo muito mau até é o menos mau que se poderia esperar de uma geringonça socialo-comunista. Menos mau mas que não chega nem vai durar sempre, muito longe disso. Por isso é que estamos já nos tais 4% e o mais certo é não parar aqui.

    O papel do Presidente da Républica, seja ele alguém vindo da direita e eleito principalmente com o apoio e os votos da direita, não é fazer oposição a um governo com legitimidade constitucional, seja ele das esquerdas. Esse é, naturalmente, o papel da oposição. O Presidente está no seu papel ao aparecer como sendo “super partes”, ao respeitar a Constituição, ao assegurar estabilidade politica, ao cooperar institucionalmente com o governo em funções, e ao contribuir para um clima de tranquilidade e confiança no pais. Cada um tem o seu estilo e Marcelo tem claramente um estilo muito próprio. Pode-se não apreciar, pode ser frustante e irritante, mas a verdade é que Marcelo tem hoje uma aprovação muito consensual de uma grande maioria dos portugueses, da direita à esquerda.
    Este capital de confiança adquirido pelo Presidente da Répública pode inclusivamente vir a ser muito útil se e quando porventura a situação do pais fôr de tal modo critica e complicada ao ponto de justificar e exigir uma intervenção excepcional e muito forte do mais alto magistrado da Nação. Inclusivé, se for necessário, confrontando uma maioria no Parlamento que pode querer resistir.
    Eu estou convencido que, pelo andar da carruagem, esse momento acabará por acontecer e espero que então o Presidente da Répública faça o que deve fazer e o faça com autoridade e sentido de Estado, fiel ao programa com que foi eleito mas beneficiando para mais da confiança de uma grande parte dos portugueses.

  4. Revoltado

    Discordo do comentário do Fernando S, apenas na parte que toca à posição do PR em caso de emergência futura: qual a credibilidade que o PR terá nessa situação, tendo em conta que actualmente se limita a assinar por baixo todas as medidas deste governo? Vai ser possível distinguir nessa altura a postura do governo da do PR? Não está neste momento o PR a contribuir para que essa situação de emergência se venha a materializar? Num momento em que mais precisamos dum contra-peso, duma figura que coloque algum equilíbrio, o PR age como uma muleta do governo. E isto sem esquecer os infelizes comentários sobre o feriado do 1º de Dezembro. Todos nós sabemos (pelos vistos apenas o PR não) das razões porque esse e outros feriados foram eliminados no passado.

  5. Manuel Assis Teixeira

    Caro Fernando S

    Nao me custa concordar com o seu comentário. No entanto acho-o muito benigno em relaçao ao Presidente. Eu votei nele note-se. Mas nao compreendo a sua atitude de demasiado ” compagnon de route” do Costa e da geringonça. Mas tal como o ” Revoltado” diz no comentario anterior, como vai ele intervir depois de tão prolongado e intenso idilio se as coisas derem para o torto, como seguramente irão dar? A ver vamos

  6. Comparação das taxas juros de 5 países
    ponto de referencia 28/09/2016 (ponto mais baixo da taxa alemã) com ontem

    Alemanha: -0.14 ; 0.3 subiu +0.44
    Espanha : 0.91 ; 1.4 subiu +0.49
    Italia : 1.18 ; 1.8 subiu +0.62
    Irlanda : 0.32 ; 0.87 subiu +0.55
    Portugal : 3.33 ; 3.75 subiu +0.42

    neste período portugal foi o que menos subiu

  7. Caros Revoltado e Manuel,
    Sinceramente, com raras excepções, que eu desaprovo mas que são menores (os feriados, por exemplo), eu não vejo o PR a concordar e a apoiar a politica global e as medidas mais importantes do governo. Vejo-o sim a constatar que, nas matérias que ele considera serem a linha vermelha que não deve ser ultrapassada, em particular no que se refere aos compromissos internacionais, em particular no quadro da UE, as atitudes até agora assumidas e os resultados até agora obtidos (nomeadamente no que se refere aos orçamentos, submetidos e aprovados pelas instituições) não configuram uma situação de graves desvios ou ruptura que justifique uma advertência ou uma interferência directa do PR.
    Eu percebo que o que o Revoltado e o Manuel gostariam é que o PR fizesse o mesmo discurso critico que faz a oposição à direita (ou até mesmo indo ainda mais longe). Eu também partilho esse tipo de discurso e faço essas criticas ao governo. Mas nem eu, nem o Revoltado, nem o Manuel, nem qualquer um que se oponha politicamente ao governo actual, é PR.
    Se o PR, mesmo tendo sido eleito à direita, ou mesmo ainda mais por ter sido eleito à direita, o fizesse, não apenas não resolveria nada como poderia até dar lugar a uma situação de tensão e confronto institucional que poderia ter consequências ainda mais graves para o pais. De qualquer modo, passaria a ser visto por uma parte significativa dos agentes politicos e da opinião como não sendo “super partes” e perderia por isso a credibilidade e o nivel de consenso desejáveis para poder intervir com autoridade e eficiência quando viesse a ser verdadeiramente indispensável. Recordo que a actuação do actual PR é aprovada por uma esmagadora maioria da população e que nela se inclui uma larga maioria do eleitorado real e potencial de … direita ! De resto, esta aprovação é bem mais alargada do que o apoio ao governo actual revelado nas sondagens. Ou seja, toda esta gente, da direita à esquerda, embora por razões naturalmente diferentes, considera que a actuação do PR tem sido suficientemente e adequadamente equilibrada. Este é um resultado objectivo e constitui um capital de credibilidade que o PR tem actualmente e que poderá utilizar se e quando se justificar.
    Tudo isto tem a vêr com o que se entenda dever ser a função e o papel de um PR no quadro constitucional vigente.
    Eu também votei em Marcelo Rebelo de Sousa. Sem ilusões quanto às orientações ideológicas e politicas do candidato : Marcelo sempre pertenceu à ala mais “social-democrata” e “centrista” do PPD/PSD. Mas também sem hesitações e sem estados de alma : não se tratava de escolher um Primeiro Ministro e um programa de governo e, de qualquer modo, de entre todos os candidatos, ainda era aquele que dava mais garantias de imparcialidade institucional (até podia não ser o candidato ideal mas era o menos mau ; embora sendo socialista, Maria de Belém também poderia ter servido ; Sampaio da Nova era certamente o pior dos candidatos elegiveis).
    E não estou nem surpreendido nem arrependido. Mesmo com alguns erros e excessos de percurso, em parte devidos à sua personalidade extrovertida e comunicativa e à vontade de agradar a gregos e a troianos, mais até a troianos (a esquerda, que antes sempre se demarcou e desconfiou dele) do que a gregos (a direita, que é a familia politica de onde vem e que o elegeu), por saber muito bem que nestas coisas não basta ser e é também preciso parecer, Marcelo Rebelo de Sousa tem vindo a desempenhar bem o papel de PR (que, não o esqueçamos, é também de representação do pais e das ideosincracias do seu povo, de todo ele nas mais diversas dimensões, e não apenas do Revoltado, ou do Manuel ou do Fernando).
    Esta tem sido, de resto, também a perspectiva dos dirigentes dos dois partidos da oposição (mesmo sabendo que, no caso do PSD, Marcelo e Passos não morrem própriamente de amores um pelo outro). O que me parece correcto e até … politicamente inteligente !

  8. Manuel Assis Teixeira

    Pois! Provavelmente vemos as coisas de modo diferente. Um vê o copo meio cheio e o outro meio vazio. Mas pessoalmente continua a fazer-me muita impressao a cumplicidade existente entre o Presidente e o Costa, feita de sorrisos, palmadinhas nas costas, elogios mutuos e multiplos! Eu quando vejo a esquerda a elogiar a direita ( ou o centro ) fico logo de pé atras. Defeito meu certamente ,que ainda nao consegui engolir esta geringonça e os seus apaniguados!

  9. Comparação dos valores mínimos e máximos nas ultimas 52 semanas de 5 países

    Alemanha: -0.204 ; 0.668 variação +0.872
    Espanha : 0.865 ; 1.88 variação +1.015
    Itália : 1.035 ; 2.228 variação +1.193
    Irlanda : 0.307 ; 1.174 variação +0.867
    Portugal : 2.482 ; 3.912 variação +1.43

    visto nesta perspectiva uma diferença de 0.558 em relação a Alemanha e tendo em atenção que e um governo de “esquerda radical” nem e mau o problema e o ponto de partida ser muito elevado.

  10. RROCHA : “neste período portugal foi o que menos subiu”

    O RROCHA não está a ver a floresta que está atrás da árvore !…

    A taxa portuguesa mais do que duplicou desde meados de 2015, divergindo cada vez mais das restantes (aumento dos “spreads”) e é hoje muito superior, mesmo comparando com os outros paises europeus “periféricos” (excluindo a Grécia, obviamente).
    Ou seja, a taxa portuguesa, em vez de descer e convergir com as restantes, como aconteceu entre 2012 e 2015, tem vindo a divergir e a aproximar-se dos 4% (10 anos), o nivel que a única agência de rating que ainda qualifica Portugal para o programa de compras do BCE considera … “perigoso” !…
    “No pasa nada e esta tudo tranquilo, Comandante !”

  11. Isso é excelente RROCHA, estamos no bom caminho. Consegue reproduzir essas variações, tendo como referência a altura em que a “alternativa de esquerda” se formou, algures em Outubro 2015?

  12. Sr. B (muito chique 🙂 )

    Os dados referentes aos picos nas ultimas 52 semanas (1 ano de governação) já estão acima

    Sr. Fernando S.

    Num período em que as taxas estão a subir para os Nossos companheiros da Europa realmente seria extraordinário que portugal passa-se ao lado com a reduçao da mesma , nao seria pedir muito?

  13. MANUEL ASSIS TEIXEIRA : “ainda nao consegui engolir esta geringonça e os seus apaniguados!”

    Eu também não !…
    Por isso é que acho preferivel não empolarmos diferenças de sensibilidade e percepção dentro da mesma área politica e procurarmos a convergência de um máximo de forças e trunfos para conseguirmos um dia, tão cedo quanto possivel, correr com ela do governo !!
    Eu acredito que Marcelo Rebelo de Sousa tem o perfil adequado e adquiriu a credibilidade suficiente para poder limitar a margem de manobra da geringonça e, se for indispensável e justificável, para demitir o governo de António Costa.

    MANUEL ASSIS TEIXEIRA : “continua a fazer-me muita impressao a cumplicidade existente entre o Presidente e o Costa, feita de sorrisos, palmadinhas nas costas, elogios mutuos e multiplos!”

    A mim não me impressiona, a não ser pela positiva. Antes assim do que oficiais carrancudos e desconfiados. Os estatutos e as diferenças entre pessoas, incluindo as politicas, não devem impedir relações cordiais e até de cumplicidade. É assim nos paises mais civilizados e nas democracias mais consolidadas. De qualquer modo, são sempre e principalmente a superficie das coisas, não é o essencial. Por enquanto, cada um está a recitar a sua partição procurando capitalizar ao máximo e preparar o terreno para o que der e vier. Mas não é pelos “sorrisos” e pelas “palmadinhas” do PR que o governo de António Costa está bem nas sondagens. Se fosse assim tão simples !… Quero ver como reagirá António Costa se porventura Marcelo Rebelo de Sousa começar a vetar leis importantes ou chegar mesmo a demitir o governo no dia em que o “diabo” chegar !!… 🙂

  14. Os dados do RROCHA, como tudo o que sai de um esquerdalho filho da puta, estão martelados para enganar os incautos e são por isso pior que inúteis.

    Os máximos de todos os países que o fdp apresenta (menos Portugal e Itália), aconteceram à 1 ano atrás e a evolução das taxas de juro desses países durante o ano apresentam todos uma trajectória descendente (novamente, menos os de Portugal).

    A solução é ignorar o RROCHA, ele não passa de um esquerdalho pago para disseminar desinformação!

  15. O Papaxuxas, por ventura, tem toda a razão, mas perde-a ao vir para aqui insultar alguém que não sabe bem do que está a falar e que escreve com erros de ortografia, como aconteceu aqui o RRocha: (…) seria extraordinário que portugal passa-se ao lado, escrevendo passa-se em vez de passasse.
    Essas pessoas merecem ser desmascaradas, mas não é preciso insultá-las, parece-me.

  16. JP-A

    “O Governo defende o aumento das tarifas da água para fazer face aos custos de reabilitação das redes.”

    Pode ser que me engane, mas quando a água começar a ser investigada pelo Correio das Manhã, vai sair porcaria da grossa.

  17. Revoltado

    Mais uma “narrativa” da esquerda, desta vez cantada pelo RROCHA. A esquerdalha dá-se mal com os números; imaginam que são como as palavras (aí eles são génios, confesso) e que estes podem ser adaptados aos sentimentos. Caro RROCHA (és parente do Rocha do Duarte & Cia?), faz o favor de te instruires um pouco:
    https://www.bloomberg.com/quote/GSPT10YR:IND
    (evolução dos juros da dívida a 10 anos)

    coloca como comparação os juros da dívida espanhola a 10 anos (GSPG10YR:IND ) e seleciona o timeframe Y. Facilmente verificas que, no último ano, os nossos juros da dívida a 10 anos subiram 40% enquanto que os de espanha (sem governo) desceram 20%.

  18. O rrocha como todos os que apoiam este governo tem de viver de mentiras e meias-verdades. Sem elas não teria razoes para apoiar o governo.

    O problema é que o assunto é mesmo preocupante para Portugal

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