Está encontrado o Salvador da Pátria

rui-rio-marechal-de-la-palice

Queriam um D. Sebastião? Tardou, mas chegou. Abram alas ao Salvador da Pátria, o Marechal de La Palice:

Rui Rio sugere criação de um imposto para pagar a dívida pública

(via Observador)

Anúncios

36 thoughts on “Está encontrado o Salvador da Pátria

  1. No artigo diz que rui Rio quer:
    – criar um imposto novo que serviria para pagar a dívida
    – baixar o IVA, IRS, IRC no mesmo valor

    A carga fiscal nao aumenta, fica constante. O objectivo é que as pessoas tenham consciencia do custo da divida publica.

    Podemos discutir se é ou nao uma boa ideia que as pessoas sintam no bolso directamente o custo da divida publica. Ou podemos discutir se o Rui Rio é um palhaço.

    Parece que vamos pela segunda opçao…… Estava á espera de melhor nesta casa

  2. Rui Ferreira

    De acordo com o Nélson. A ideia é boa. O ideal seria que toda a gente soubesse quanto anda a pagar por pensões, funcionários públicos, SNS, Educação, Dívida, autoestradas, etc etc etc.

    Informação é a forma mais rápida de acabar com o socialismo.

  3. @NELSON GONCALVES

    Tanto quanto sei, impostos consignados são inconstitucionais logo não resta mais nada do que discutirmos que o Rio é um palhaço.

    E se vamos discutir se vale a pena mudarmos a constituição para permitir impostos destes tipos, prefiro que se mude para permitir despedir os parasitas dos FP, acabar com fundações, empresas públicas e afins que custam mais de 80% dos impostos que o Portugueses pagam e que foram a causa da dívida pública monstruosa que temos.

  4. mariofig

    Nelson Gonçalves, diz que esperava melhor desta casa. Eu digo que esperava melhor de si. Porquê?

    1)
    Se a ideia é não aumentar a carga fiscal, então é tão simples como retirar o valor necessário dos impostos que Rui Rio diz querer baixar. Não é preciso criar um novo imposto quando não se pretende aumentar a carga fiscal. Apenas aumenta os custos de manutenção, coleta e fiscalização associados a mais um imposto a cobrar.

    2)
    Criar mais um imposto gera no entanto todas as oportunidades para no futuro (normalmente próximo) aumentar a carga fiscal. Mesmo que se diga agora, em jeito de propaganda, que se vai reduzir outros impostos, a verdade é que estão reunidas as condições para aumentar as taxas dos impostos reduzidos e aumentar a taxa do novo imposto. Não lhe dói agora para você piar baixinho, mas vai-lhe doer daqui a dois ou três anos quando você já se esqueceu como é que o tal novo imposto foi criado.

  5. Miguel Alves

    Rui Rio a entrar no eleitorado de esquerda.. que pensador… que jogador de xadrez..

    Sobre a medida.. genial.. nunca ninguém tinha pensado em roubar mais os Portugueses… um herói.

  6. Efectivamente, o que disse Rui Rio não é assim tão disparatado : fazer com que os contribuintes tenham uma noção mais precisa do que pagam por causa da divida e, portanto, do que gastaram antes e gastam hoje a mais.
    Mas também não é uma verdadeira solução para o problema de fundo : o que fazer para o Estado gastar menos e para a economia crescer mais de modo equilibrado e sustentado, que é o que pode fazer baixar os custos com a divida.
    Seria bom que, ao contrario do que fez na altura do governo anterior e do que ainda faz hoje, Rio fosse mais solidário com o que fez o governo apoiado pelo seu partido e mais propositivo quanto ao que é preciso fazer agora e no futuro.

  7. O artigo 16.º da actual Lei de Enquadramento Orçamental PROÍBE – o que já acontecia com o artigo 7.º da LEO anterior – a consignação de receitas, ressalvando-se as excepções expressamente previstas na lei. O princípio da não consignação de receitas é uma regra orçamental universalmente aplicada e, só por isso, a ideia do senhor Rio é descabida.

  8. Papaxuxas,

    As constituiçoes mudam-se e emendam-se. Tudo o resto que voce quer acabar nao depende da constituiçao (mas nao advogado, posso estar errado).

    Mario,

    O objectivo declarado é que os cidadaos tenham consciencia da divida publica. Ouvir na TV que já vai em 130% (ou mais) do PIB é chines para a grande maioria. Ver x% do salário ir directamente para a a dívida publica tem outro efeito.

    A ser criado, seria abusado para outros fins ? Possivelmente sim. Mas isso também se aplica a todos os impostos que sao cobrados agora. Mas repare que nao é possivel esquecer a razao do imposto porque ele estará consignado a uma funçao especifica.

    E quanto ao aumento dos custos de colecta, fiscalizacao, etc…. Tenho dúvidas que seja relevante. A legislaçao fiscal muda todos os anos/semestres e nao vem por ai mal ao mundo.

  9. Fernando S,

    De acordo, o imposto nao resolve o problema da divida publica. No entanto qualquer soluçao que se venha a encontrar será apenas temporária, nem que seja porque nao é possivel prever o futuro.

    Eu penso que a ideia nao é má (embora mal apresentada) porque a consequencia seria os cidadaos quererem limitar a dívida. E até seria uma das poucas promessas políticas que seriam mensuráveis.

    Claro está, nada impede que se no futuro conseguirmos que a divida reduza para 40% do PIB, um Costa qualquer venha eliminar o imposto e aumentar a dívida para pagar clientelas.

  10. JP-A

    O primeiro grande problema é que os impostos que baixam sobem depois e isso só não aconteceria se houvesse gente com quem fazer acordos para décadas, o que como sabemos é impossível porque o panorama está repleto de gente da pior índole.

  11. mariofig

    “O objectivo declarado é que os cidadaos tenham consciencia da divida publica. Ouvir na TV que já vai em 130% (ou mais) do PIB é chines para a grande maioria. Ver x% do salário ir directamente para a a dívida publica tem outro efeito.”

    Os cidadãos têm consciência da dívida. Não se fala de outra coisa. E agora que a défice foi cumprido, ainda mais se fala da dívida pública. Tanto que você não houve falar de muito mais nas últimas semanas. E mais se vai falar.

    Esse tipo de argumentação a apelar às fracas consciências do povo para sub-repticiamente lá introduzir mais um imposto para termos de pagar é por um lado dizer que a população precisa de pagar para ser esclarecida e por outro mandar-lhe areia para os olhos com mais um imposto que não tarda fará parte de um agravamento da carga fiscal. Argumentos desses há muitos!

    Criar um imposto para apelar à consciencialização dos cidadãos é também no mínimo surreal, mas certamente maquiavélico. Exactamente que benefício o Nelson acha que isso traria? Consegue o cidadão combater a dívida pública? E se o objectivo seria o de pôr a população a pressionar os governos a resolver o problema, qual a lógica disso se seria exactamente o governo a criar o imposto para lhe lembrarem de resolver o problema? Quer dizer, daqui a nada só falta mesmo defender que o governo recorra à extorsão como forma de nos protegerem da dívida pública. Ou pagamos um novo imposto ou o governo dá-nos porrada e aumenta a dívida…

  12. JP-A

    Não esquecer que entre uma medida destas e o que a esquerda vai fazer ao país, não há escolha possível. Se a questão fosse escolher entre Costa e Rio escolhia Rio nem que tivesse que andar com um frigorífico às costas. 🙂

  13. O pagamento dos juros da divida pública é simples de ser alcançado sem a criação de novos impostos, antes pelo contrário.

    Um exemplo: Os grandes empresários e empresas, que, em nome da ”manutenção dos empregos e do desenvolvimento nacional”, vivem sugando a sociedade, através de isenção de impostos, subsídios, protecionismo e mais um sem número de favores governamentais. :Sabem perfeitamente que “não existe almoço grátis”, mas, quem se importa com isso quando estamos diante de benefícios concentrados e custos difusos?

    Solução 1.1: Extinção de um dos ramos da cosa nostra. O ministério da economia. Apenas tem como finalidade roubar de todos para “embolsar para poucos”.

    Solução 2.1: 50% dos serviços públicos inúteis caros e maus (o custo de fabrico de um cartão do cidadão é de 90 centimos) eram extintos, e os outros 50% eram privatizados no imediato, começando pela RTP e CGD.

    Solução 3.1: E obviamente não ficava por aqui…

  14. mariofig

    Teria de concordar JP-A. Mas que pena de neste atraso de país as nossas escolhas sejam entre o mal e o mal menor. Estamos condenados à mediocridade de duas esquerdas, uma declarada a outra envergonhada.

    Porra!

  15. Mário,

    Parte dos impostos já sao utilizados para pagar a divida publica, ou pelo menos os juros desta. Criar um novo imposto para pagar a dívida, sem mexer nos outros, nao muda a praxis actual.

    “Os cidadãos têm consciência da dívida. Não se fala de outra coisa.”

    Os números sao de tal forma estratosfericos que escapam a compreensao. Quem receba 1000 euros/mes, gere um orçamento de 14 mil euros/ano. Isto nao chega sequer a migalhas do total da divida.

    “Esse tipo de argumentação a apelar às fracas consciências do povo para sub-repticiamente lá introduzir mais um imposto para termos de pagar é por um lado dizer que a população precisa de pagar para ser esclarecida e por outro mandar-lhe areia para os olhos com mais um imposto que não tarda fará parte de um agravamento da carga fiscal. Argumentos desses há muitos!”

    Nao disse que a populacao precisa de pagar para ser esclarecida. Apenas que é mais eficaz sentir no bolso o efeito da divida do que ouvir na TV.

    “Consegue o cidadão combater a dívida pública?”

    Uma vez que o cidadao é quem paga a conta, seria bom que tivesse algum poder sobre o assunto. Se decidimos que tal nao é possivel, a democracia serve para que ?

  16. Há aqui pelo menos um esquerdalhinho mal disfarçado a tentar defender/justificar a atoarda do Rui Rio, insinuando assim a sua competência e capacidade por evidente contraponto a Passos Coelho. O problema é que o senhor Rio é um verbo-de-encher e nem o Komentariado lhe vale.

    E só mais uma coisa, a Lei de Enquadramento Orçamental é uma lei de valor reforçado, pelo que a aprovação de alterações ao seu articulado exige uma maioria de 2/3 na Assembleia da República. Maioria essa que só poderia ser atingida no quadro de um entendimento entre o PS e o PSD. E esse entendimento exige a remoção de Passos Coelho. Para bom entendedor meia palavra basta…

  17. Sendo criado mais um imposto significa mais carga fiscal. Se não for no imediato será num muito curto prazo.

    Lembram-se do imposto de selo de 20% sobre os prémios acima de 5.000 € do euromilhões e outros jogos de azar?
    Foi PPC que o instituiu justamente pelo pretexto do resgate e da crise austeritária.
    A Geringonça pôs fim à austeridade (dizem eles), fez muitas reversões mas essa não fez. Os 20% continuam lá.

    É sempre assim: qualquer novo imposto não representa a manutenção da carga fiscal ou a sua redução. Falam isso para enganar os tolos.

  18. Tiro ao Alvo

    Mais impostos? O que é necessário é cortar na despesa pública, inclusive pela redução do serviço da dívida (juros+amortizações), procurando baixar as taxas de juro, o que só se consegue conquistando a confiança dos nossos credores, muito longe do que está a acontecer, com as repetidas ameaças de reestruturação (não pagamos!), por parte dos nossos partidos da extrema esquerda.

  19. mariofig

    Nelson,

    “Parte dos impostos já sao utilizados para pagar a divida publica, ou pelo menos os juros desta. Criar um novo imposto para pagar a dívida, sem mexer nos outros, nao muda a praxis actual.”

    Como parte da colecta já é utilizada para pagar a dívida pública, então não é preciso criar mais um imposto. Utilizando o argumento de centralização do pagamento dos juros da dívida pública em um imposto, você só está a dar azo a que aumenta a carga fiscal, tal como lhe tem sido dito repetidamente por muitos aqui. O que me começa a custar é como é que você ignora que a proposta de Rui Rio reflete-se na prática num aumento da carga fiscal a curto prazo.

    “Nao disse que a populacao precisa de pagar para ser esclarecida. Apenas que é mais eficaz sentir no bolso o efeito da divida do que ouvir na TV.”

    Eu sei que não o disse. Mas na prática é disso que se trata quando procura argumentar que só quando o cidadão sente é que percebe. Mas não vai ainda assim perceber, porque ninguém irá usar a retórica deste imposto sem lhe fazer aproveitamento político. E volta tudo ao mesmo. O engano da população portuguesa não está na falta de informação, mas na desinformação constante gerada pela classe política através de todos os mecanismos de demagogia e hipocrisia ao seu dispor. O cidadão português perceberá a dimensão e o impacto da dívida pública nas suas vidas dependendo apenas da honestidade intelectual de quem lhe governa. E disso não temos por cá! Rui Rio muito menos!

  20. mariofig

    Minto. Passos Coelho ainda ainda se destaca como sendo mais ou menos vertical e como tendo alguma integridade moral. Infelizmente isso não é dizer muito tendo em conta a desgraça em que se encontra o resto da classe política.

    Mas vocês estão a querer correr com ele. Marques Mendes, Rui Rio, Paulo Rangel, Santana Lopes, Luís Montenegro… brincadeira! Nem lhe chegam aos calcanhares. Mas porque vocês estão todos comovidos e tristonhos com a “falta de mensagens mobilizadoras” e “fraco desempenho” do PPC, toca de tirar o mal menor e pôr lá um mal maior. Porque o que interessa é o poder, nem que seja nas mãos de um canalha.

  21. Nelson Gonçalves,
    Portanto, concordamos em que o que disse o Rui Rio não é assim tão disparatado e em que, mesmo assim, não é uma verdadeira solução para o problema da divida.
    Como disse, prefiro que nos concentremos mais nas soluções de fundo (que são estruturais e não “temporárias”) do que na forma e na comunicação.
    Tanto mais que a criação de um imposto deste tipo levantaria algumas dificuldades. Algumas, nomeadamente juridicas e de execução, já foram aqui referidas por outros comentadores. Certo, nada que, como diz o Nelson, não possa ser feito. Mas haveria também questões técnicas de fiscalidade a resolver : que tipo de imposto ? pago por quem ? segundo que critérios (rendimento, património, lucros, etc). Mais uma porta aberta para muitos possiveis abusos …
    Repare que uma ideia destas até poderia ser racionalmente apoiada pelos partidos da extrema- esquerda, PCP e BE, que defendem … não reconhecer a divida e, por isso, deixar de pagar os respectivos custos financeiros. O argumento seria mais ou menos este : se os portugueses percebessem mais claramente o muito que pagam de impostos apenas para suportar o custo da divida então é que a maioria tomaria consciência de que a única solução é mesmo … recusar (“reestruturar”, “negociar”, etc) a divida !!…
    Neste caso seria pior a emenda do que o soneto !

  22. mariofig

    “Neste caso seria pior a emenda do que o soneto !”

    No entanto a reestruturação da dívida é inevitável. O buraco negro em que nos enfiamos não tem saída sem uma reestruturação. Não vamos conseguir crescer a 3 e 4 por cento ao ano durante pelo menos duas décadas, de forma a sair deste lamaçal.

    O problema é que a esquerda (em abono da verdade até ao momento sem o apoio do PS) quer efectuar essa reestruturação na forma de imposição, o que atiraria o país para o default e destruiria qualquer credibilidade que ainda possamos ter.

    A reestruturação, a acontecer — e espero que venha a acontecer — terá de ser efectuada num clima negocial favorável a Portugal que nos permita uma saída airosa e com um aperto de mão franco e amigável com os credores. Para isso precisamos de não fazer crescer mais a dívida, procurar crescer a nossa economia, sair do lixo das agências de rating, dar uma imagem de seriedade e responsabilidade nas nossas contas e deixar de estar a receber avisos a toda a hora dos FMI, BE, agências de rating, tudo isto e mais. Faça-se durante uns 4 ou 5 anos, e poderemos negociar a reestruturação e os nossos credores até nos agradecem.

    Esse era o trabalho que o PSD-CDS até estavam a conseguir levar adiante. Havia vida para além do défice no governo anterior e não poderei deixar de salientar isso mesmo, apesar de qualquer outras críticas que possa fazer ao PSD e ao CDS. O esforço enorme que estava a ser pedido aos Portugueses tinha um propósito real e tangível. Pena que o anterior governo tenha sabido gerir a sua máquina propagandista de forma a fazer perceber isso mesmo.

    Já a actual governação é o que se sabe… não é por aqui que vamos conseguir criar as condições para uma boa reestruturação da dívida com resultados positivos para Portugal. Na realidade estamos a caminhar no sentido contrário.

  23. MARIOFIG,
    Depende do que se entende por “restruturação” …
    Na verdade, como de resto o Mário reconhece, uma restruturação vinha sendo e tem sido feita : ainda no tempo da Troika foram aumentados prazos e reduzidas taxas de juro (em parte a reboque da Grécia) ; desde que Portugal voltou aos mercados, em 2014, a divida total tem vindo a ser restruturada através da substituição de divida vencida por novos empréstimos a taxas mais baixas.
    Portanto, neste sentido, a divida tem vindo a ser progressivamente reestruturada. Não é nada que não tenha sido feito e tenha de se fazer.
    E a divida que temos não impediu a retoma progressiva do crescimento economico. Em apenas 2 anos, entre meados de 2013 e meados de 2015, o crescimento passou de negativo para positivo perto de 2% ano ano. Se não tivesse havido eleições com o resultado que se sabe, trazendo primeiro incerteza e a seguir uma mudança de governo e de politica, o crescimento em 2015 poderia ter já ultrapassado os 2% (foi de “apenas” 1,6% por causa do 2° semestre) e teria acelarado ainda mais nos anos seguintes (em vez de ter desacelarado para quase metade). Até porque, para além das condições internas, que teriam continuado a ser de maior confiança e favoráveis ao investimento, o contexto externo (crescimento na UE, politica do BCE, preço do petróleo, etc) tem sido suficientemente favorável.
    Ou seja, mesmo com uma divida elevada como é a nossa, desde que tivéssemos um governo credivel e uma politica adequada, a economia portuguesa poderia crescer aos niveis que o Mário refere durante muitos anos.
    Sendo que, com maior crescimento, a redução da divida seria então perfeitamente possivel e provável.
    Portanto, não precisamos de estar a pedir “restruturações” aos nossos credores.
    Nem convém, como o Mário também acaba por reconhecer, na medida em que isso daria um sinal muito negativo aos mercados, instalando a desconfiança na capacida do pais para gerir a sua divida sem precisar de perdões, e provocaria inevitávelmente a subida das taxas de juro e, então sim, a insustentabilidade da divida.
    Se o Pai Natal vier um dia oferecer-nos um perdão de divida, claro que não é de recusar…
    Mas o Pai Natal não parece estar para ai virado, e compreende-se porquê.
    Temos é de deixar de pensar nesses termos natalicios e assumir de uma vez por todas e completamente que as dividas que temos são para ser pagas integralmente e em devido tempo por nós proprios !
    E temos, como o Mário muito bem sugere, de trabalhar para isso produzindo mais e não andando a pedir ou a impôr calotes !!

  24. mariofig

    Fernando S. Estou em pleno acordo. Pese embora tenha algumas dúvidas sobre a capacidade de Portugal ter mantido o registo de 2011-2015 durante muito mais tempo porque sempre achei que estava muito dependente da conjuntura internacional, a verdade é que conseguiu durante esse tempo o maior esforço orçamental para resolução da dívida do qual tenho memória. Julgo que a reestruturação da dívida via perdão parcial seria (será) inevitável independentemente de qualquer esforço de reconversão e abatimento, porque nos falta realmente um sector produtivo capaz de servir de tampão a quaisquer soluços do exterior. A volatilidade da economia mundial não nos dá segurança nenhuma que boas medidas hoje possam ter continuidade amanhã.

    Gostaria de ter visto uma forte redução do estado na concretização de algumas importantes privatizações, o que ajudaria imenso. Mas estou em posição para dar ao anterior governo o benefício da dúvida que iria lá chegar na legislatura seguinte.

    Compreenda sempre: A minha verborreia em relação ao PSD e CDS assenta as aspectos de ideologia política. Não considero que algum destes partidos me represente. Mas considero que a anterior governação foi um Bem para o país e só pecou porque lhe faltou gente capaz de fazer passar a mensagem do que realmente se estava a fazer.

  25. Tiro ao Alvo

    Mariofig, penso que são razoáveis as suas preocupações, quanto à nossa capacidade para pagarmos a dívida pública, sobretudo se atendermos ao rumo que as coisas levam.
    Mas penso que concordará comigo que esta questão da dívida perderia importância se as taxas de juros exigidas pelos nossos credores estivessem a descer, como acontecia no passado recente. E esse problema quase deixaria de existir se as taxas de juro se aproximassem do zero, coisa que, com ajuda da Europa e para empréstimos a médio prazo, poderia muito bem estar a acontecer, se não tivéssemos levado com esta forte guinada para a esquerda – basta reparar nas taxas que estão a ser pagas pela Espanha e pela Irlanda.
    E por falar na Espanha, veja-se a diferença que estamos a pagar, para mais, relativamente a Espanha, em todos os prazos.

  26. MarioFig,

    Estamos portanto de acordo sobre muita coisa e, sobretudo, sobre o mais importante.

    Por exemplo, concordo plenamente quando diz que o nosso pais precisa de “uma forte redução do estado”, incluindo mais “privatizações”.

    E aprecio aquela que parece ser a sua posição politica de reconhecimento, mesmo com reservas e criticas, do papel globalmente positivo do governo Passos Coelho, e de apoio a uma coligação entre o PSD e o CDS na oposição com a perspectiva de um regresso à governação tão cedo quanto necessário e possivél.
    Duvido que algum apoiante e eleitor do PSD e do CDS se sinta totalmente representado ideológicamente por algum destes partidos.
    Pela simples razão que nenhum deles é um partido homogéneo : são muitas as diferenças de sensibilidade e neles convergem pessoas e correntes bastante diversas (“sociais-democratas”, cristãos-democratas”, “liberais”, “conservadores”, “soberanistas” “monárquicos”, etc).
    E tem de ser assim porque de outro modo nenhuma sensibilidade ou corrente mais ou menos homogénea teria condições para poder sózinha, sem alianças e casamentos, ser politicamente influente e, sobretudo, uma força efectiva de governo.
    Assim sendo, e sabendo-se que há lideranças e orientações que mudam e evoluem, é natural que apenas alguns se reconheçam completamente naquela que é na altura dominante.
    O importante é que, mesmo sendo criticos e não escondendo diferenças, todos convirjam no apoio ao conjunto nos momentos e nas questões determinantes para o confronto politico com a ou as alternativas mais à esquerda.

    Já não concordo consigo quanto à “inevitabilidade” ou à vantagem de um perdão da divida, seja ele parcial.
    Porque é cada vez mais improvável que os credores estejam disponiveis para tal. Veja-se que, depois do “haircut” parcial da divida publica da Grécia a privados em 2011, não voltou a acontecer.
    Porque, mesmo que tal acabasse mesmo por acontecer, seria apenas em resultado de um colapso financeiro do pais e, a partir dai, em vez de um ciclo de crescimento mais forte teriamos antes um longo periodo de falta de capital e financiamento e, portanto, de marasmo ou mesmo de depressão (o que, de resto, aconteceu com a Grécia desde então).
    Em contrapartida, se, como diz o Tiro ao Alvo aqui em cima, se o pais for governado com uma politica adequada, continuando e aprofundando o que vinha já sendo feito pelo governo anterior, haveria condições para as taxas de juro descerem, para a economia crescer mais, e para a divida que temos, mesmo permanecendo elevada ainda por vários anos, ser controlada, gerida e progressivamente reduzida.
    A melhor forma de ter uma divida controlada e sustentável é assumi-la sempre e integralmente sem quaisquer reservas !!

  27. mariofig

    “Já não concordo consigo quanto à “inevitabilidade” ou à vantagem de um perdão da divida, seja ele parcial.
    Porque é cada vez mais improvável que os credores estejam disponiveis para tal. Veja-se que, depois do “haircut” parcial da divida publica da Grécia a privados em 2011, não voltou a acontecer.”

    É mais porque que grande parte da dívida Portuguesa transitou dos privados para a esfera pública. Ou seja muita da dívida Portuguesa hoje está na mão de governos, pelo que vejo melhores condições para negociações de perdões parciais. Já o caso de Grécia é preciso ter cuidado nas comparações. Foi precipitado (também pela pouca experiência da UE nestes assuntos naquela altura) e deu no que deu. Qualquer perdão de dívida hoje seria sempre negociado noutras condições de estabilidade política, económica e financeira do país devedor. Daí não ter voltado a acontecer.

    Mas enfim, concordo que melhor mesmo é pagar. Não quero dar a impressão que estou propriamente a defender um perdão. Longe disso. Apenas figurei o meu cepticismo de que nós consigamos resolver a nossa sem ser por essa via. Mas os vossos argumentos (o Tiro Ao Alvo lembrou-me de outro argumento importante) são fortes. Portanto, deus queira!

    Nota: Em relação à “multi-culturalidade” do PSD, isso dá pano para mangas. Não lhe vou esconder ou fingir que tenho um grande desejo de um divórcio entre o grupo liberal e o grupo social dentro do PSD. Sei perfeitamente as consequências gravosas para o partido. Mas julgo que muitos do liberais que conheço dentro do PSD estão cada vez mais descontentes com o partido. Sem nos alongarmos muito num assunto que não diz respeito a este artigo, lhe digo: cuidado com a forma como estão a querer afastar o PPC. Vejam lá bem se é assim desta forma agressiva que o querem afastar da liderança, até com intervenções do Presidente da República a roçar o total desprezo pelo legado político de PPC. É que assim só estão a atirar achas para uma fogueira que parece que não estão bem a ver tem crescido nos últimos anos.

  28. Eu sou dos que acham que o PSD está melhor com Passos Coelho como lider e candidato a futuro primeiro ministro do que com qualquer dos outros candidatos putativos, a começar por Rui Rio.
    Eu também me considero um liberal mas não acredito que os liberais fora do PSD possam vir a constituir uma força autónoma suficientemente forte e influente, ainda menos a ser uma alternativa de governo politicamente viável.
    De qualquer modo, enquanto tal não acontece, o melhor que os liberais têm a fazer é procurar pesar e influenciar o mais possivel na orientação ideológica e politica de partidos como o PSD e o CDS. De dentro, criticamente mas sem fazerem “fogo amigo” (como fizeram e ainda fazem alguns dos barões sociais-democratas) !!

  29. O Morcon começa bem.
    De seguida vai anunciar que leva para Secretário Geral o Pinto da Costa.
    Com o reforço deste Costa a eleição está garantida.
    Se levar o outro costa dá uma banhada na concorrência.
    Chega facilmente aos 99,9 %

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s