A Itália, os referendos e a UE

O meu artigo desta semana no Observador: O referendo anti-Renzi e a União Europeia.

Que os eleitores votam com base em motivações e impulsos não necessariamente relacionados com os temas colocados a votação é uma realidade tão amplamente conhecida e estudada na ciência política como explorada no marketing político. O que é porventura distintivo no actual contexto da UE é que as suas contradições internas e pouca robustez institucional levam as elites dirigentes a tremerem perante toda e qualquer consulta popular.

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2 thoughts on “A Itália, os referendos e a UE

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  2. mariofig

    Sinto que ficou por dizer em que medida exatamente o referendo de Renzi teria “conduzido a uma substancial concentração de poder no partido vencedor, esvaziando em larga medida o complexo equilíbrio de poderes atualmente vigente em Itália”.

    Vejo este argumento usado com alguma frequência sem um claro suporte argumentativo. Outros analistas consideram no entanto que a proposta de Renzi seria uma forma de retirar Itália da quase ingovernabilidade que o seu sistema político se encontra, com duas câmaras e mais de 900 representantes com funções idênticas e cada com a capacidade de chumbar a outra.

    A proposta de Renzi na realidade colocaria o sistema parlamentar Italiano mais próximo do praticado no resto da Europa. Afinal um governo quer-se a governar. Não a ser constantemente bloqueado e com muito pouca margem para mediadas reformistas ou alterações à lei. Penso que de reformas percebemos nós aqui em Portugal a falta que elas nos fazem. Como então justificar o sistema Italiano?

    A história de Itália e as suas peculiaridades políticas estão no centro do atual sistema. E muitos argumentam que ele mantém um difícil equilíbrio político no país. O Ricardo diz o mesmo. Mas julgo que já era tempo de todos nós percebermos que um país que desde a 2ª Guerra Mundial tem tido em média um governo por ano e que com Renzi já vai no terceiro governo sucessivo sem voto popular, é um país que não tem um sistema político saudável e que o tal “equilíbrio político” não é equilíbrio coisa nenhuma. Tem sido o causador de toda a instabilidade política na Itália.

    A diminuição da intervenção do estado na vida das pessoas e empresas passa por retirar ao estado poder de intervenção legislativa em certas matérias. Não passa incapacitar um governo de governar. Todos nós desejamos governos saudáveis e com capacidade governativa, capazes de tomar medidas e efetuar reformas dentro de um sistema de “checks and balances”, não de um sistema de perpétuo bloqueio que é a situação em que a Itália se encontra. Aliás, de que outra forma poderia a Itália governar à direita se não fosse permitido a um governo de direita reformar o atual estado?

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