não são de esperar tréguas

“Based on the latest data, staff estimates a fiscal deficit of around 2.6 percent of GDP in 2016, implying an expansion of 0.4 percent of GDP in structural primary terms. The authorities’ strong efforts at containing intermediate consumption and public investment well below budgetary allocations have mitigated the impact of a sizeable revenue underperformance on the headline deficit. Gross public debt is projected to reach 131 percent of GDP at the end of 2016. The recently-approved 2017 budget aims for a further reduction in the fiscal deficit, to 1.6 percent of GDP. Based on the specified measures, staff projects a fiscal deficit of 2.1 percent of GDP—an implied primary structural tightening of 0.1 percent of GDP—with public debt remaining elevated at 130 percent of GDP. Under staff’s macroeconomic assumptions, achieving the authorities’ fiscal deficit target would require an additional structural effort of 0.4 percent of GDP. A consolidation effort based on durable expenditure reforms would be more supportive of growth than relying on compression of public investment.”, no website do FMI.

O FMI publicou hoje a actualização das suas estimativas macroeconómicas para Portugal. E o que é que resulta do texto transcrito em cima? Resulta um défice público mal controlado e uma dívida pública recorde. Mas aqueles que lêem O Insurgente não terão ficado surpreendidos com as conclusões dos técnicos quanto ao défice e à dívida. Há meses que o venho escrevendo aqui no blogue e comentando na RTP. Assim, o investimento público tem mesmo feito parte da consolidação orçamental de 2016, a exemplo do que tem sucedido com as cativações que o Governo apenas tornou públicas (e só em estrangeiro!) na parte final do ano. O célebre plano b, tantas vezes negado pelo Governo, existe inequivocamente, e estará a decorrer até (pelo menos) ao dia 31 de Dezembro. Porquê? Porque a economia crescerá bastante menos que o projectado pelo executivo, logo, à falta de cão (leia-se: de receitas fiscais) tornou-se necessário caçar com gato. Não obstante, a dívida continua a crescer porque estruturalmente o défice não diminui. É isso que nos diz o FMI.

Ora, tendo sido positivo que o executivo tivesse arrepiado caminho face aos seus intentos iniciais – onde estariam hoje os juros da dívida pública se o não tivesse feito? – é importante que se insista na existência do plano b. Porque a falta de transparência orçamental tem sido marca característica deste Governo. Desde as cativações que foram escondidas ao grande público, ao spin governamental em torno do investimento, aos pagamentos em atraso que anos depois voltaram a aumentar, às sucessivas manipulações no cálculo do saldo estrutural, aos cofres cheios que afinal (não) justificam o aumento da dívida pública, enfim, tudo tem servido para tapar o sol com a peneira. E tudo isto está errado. Porque assim não serão de esperar tréguas à República Portuguesa. E porque, como é sabido, não é possível enganar toda a gente durante todo o tempo. Vivemos um tempo de falsa serenidade por toda a Europa. Especialmente em Portugal.

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3 thoughts on “não são de esperar tréguas

  1. André Miguel

    E rezemos para que não exista desorçamentação e venhamos a descobrir contas marteladas. Ao ritmo de crescimento da dívida não seria de admirar.

  2. Rodrigo

    O que vale é que o investimento privado cresce ( de acordo com projeções para 2017). Afinal parece que as esquerdas não estão a assustar assim tanto os investidores…

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