PISA 2015: haja seriedade

O Nuno Serra veio a jogo para explicar que os exames não tiveram impacto directo nos resultados do PISA 2015. Sim, estamos de acordo. Mas este debate, para ter alguma utilidade, tem de ser sério e a conclusão do Nuno Serra não é séria. O Nuno Serra, ao pretender provar que os exames e metas não tiveram impacto directo (ou significativo), está no fundo a tentar provar que Nuno Crato não teve qualquer influência nos resultados. O problema do raciocínio é que Nuno Crato não introduziu apenas exames e metas. Fez agregações de escolas, contratou menos professores, procurou aumentar a autonomia de decisão nas escolas, empenhou-se em aumentar a exigência para alunos e professores, etc. Fez tudo aquilo que PS/PCP/BE garantiram que atiraria Portugal para a cauda do PISA 2015 – porque, afinal, se os resultados tivessem baixado seria mesmo culpa dele.

Crato esteve 4 anos e meio como ministro, bolas, e em pleno período de austeridade. Querem convencer a malta de que o papel de Crato foi indiferente e que os resultados melhorariam sempre mesmo que o ministro fosse o Rato Mickey? Haja seriedade. Porque os resultados não melhoram sozinhos – como não melhoraram após a passagem de Isabel Alçada pelo ministério. Além de que a introdução das medidas nas escolas produz efeitos directos e indirectos, por exemplo o sentimento generalizado de que a exigência era maior e que os alunos tinham de estudar mais – e isso conta muito. No limite, o que o Nuno Serra poderia ter dito, e eu dar-lhe-ia razão, é que ainda “não se sabe exactamente quais foram as medidas do governo Crato que tiveram mais impacto na melhoria dos resultados”. Vamos olhar para os dados e tentar descobrir. Mas não foi isso que o Nuno Serra disse. E concluir que tudo melhorou independentemente de Nuno Crato é pretender rebentar com qualquer discussão racional.

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17 thoughts on “PISA 2015: haja seriedade

  1. a explicação do nuno serra mostra o incómodo que o resultado lhe causou. Também mostra que se trata de alguém pouco sério. mas que seriedade pode ter um apoiante deste tipo de governo.

  2. Não sei qual foi o comentário do Nuno Serra, mas uma coisa é certa: os resultados divulgados do PISA, nada têm que ver com as medidas do Nuno Crato.

  3. A análise de Nuno Serra está errada.

    Efectivamente a grande fatia da amostra são alunos do 9º ano no ano lectivo de 2014/15. Que por ironia foram os primeiros a fazer o exame do 6º ano no final do ano lectivo de 2011/12.

    E isto:

    https://public.tableau.com/profile/infografia.expresso#!/vizhome/PISA_evolucao/Painel1

    são “progressos consecutivos e consistentes”? Como muito é uma tendência.

    Só de ler esse post fiquei ainda mais seguro de mim que precisamos mesmo de exames nacionais.

  4. MMF CORDEIRO:
    Quem estava à frente do ministério quando foram introduzidos os exames no 6º ano? Depois, os conhecimentos são adquiridos antes ou depois dos exames? É que em 2014/015 só estava no 9º ano quem passou do 6º para o 7º. No entanto, também temos de levar em linha de conta que a escolha dos alunos foi aleatória e que, como o exame de 6º ano não eliminava, até podem ter entrado no estudo do PISA alunos com maus resultados nesse exame.

  5. @GIL:

    Vê aqui os anos em que se realizaram provas no 6º ano:
    http://www.examesnacionais.com.pt/exames-nacionais-6-ano.php

    primeiros exames 6º ano:
    – 2011/2012 (alunos com entre 11 e 12 anos no 6º ano), anos lectivos seguintes
    – 2012/2013 (alunos com entre 12 e 13 anos no 7º ano)
    – 2013/2014 (alunos com entre 13 e 14 anos no 8º ano)
    – 2014/2015 (alunos com entre 14 e 15 anos no 9º ano) -> testes PISA, no final do ano lectivo 2014/2015 (50% da amostra, + 50% da amostra de alunos do 10º com menos de 16 anos)

    Tens aqui os do 4º ano:
    http://www.examesnacionais.com.pt/exames-nacionais-4-ano.php

    Desde 2008 que há provas de aferição ou exames nacionais.

  6. A PàF estava a conduzir Portugal por caminhos fantásticos, nunca dantes navegados!.. Veio a geringonça e voltamos ao mesmo, àquela sensação de mediocridade, que somos menos bons do que os outros, que somos dependentes e só sabemos viver de ajudas. A Geringonça humilha os portugueses dia após dia.

  7. Gil

    MMFCORDEIRO:

    Muito bem. Quem era o ministro? E os alunos que contribuíram para o estudo, que notas tiveram nos exames do 6 ano?

  8. Gil, há muito que deveria ter aceitado que
    Esquerda = Mediocridade,
    Esquerda = Maus Resultados a todos os níveis.
    Assim, já se importaria tanto quando os governos sérios de direita produzem bons resultados.

  9. Luís Lavoura

    o papel de Crato foi indiferente e os resultados melhorariam sempre mesmo que o ministro fosse o Rato Mickey

    Muito provavelmente, é isso mesmo.

    O papel de Crato não foi indiferente mas, provavelmente, não teve repercussões imediatas sobre estes testes PISA. Todos os ministros da educação têm alguma influência – mas mais a médio prazo, não de forma imediata.

    E de qualquer forma, como qualquer liberal aceitará, a influência dos ministros é bem menor do que a que lhes é atribuída. A educação depende mais de tendências sócio-culturais de longo prazo entre os professores, os jovens e os pais do que do trabalho de qualquer ministro.

  10. tina

    ahahaha, lá vem o Lavoura fingir que faz uma análise racional e independente.
    .
    Isto só reforça que sem dúvida estes resultados se devem a Nuno Crato e é por isso que a esquerda está tão maldisposta.

  11. Os resultados apresentam uma melhoria desde 2000. Não podem ser só devidos a Nuno Crato.
    Nuno Crato fez mudanças porque o ensino estava a piorar (fartou-se de gritar acerca disso), mas parece que afinal já estava a melhorar antes das suas mudanças.

  12. Nuno

    Pois Lavoura, pois. Se os resultados são maus, a culpa é do Crato, se são bons, o mérito é dos alunos. Mas daqui a uns anos, se forem bons o mérito já será do Tiago, e só não serão melhores por culpa dos péssimos anos do Crato.

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