Arrivederci euro

“O fim do euro acontecerá mesmo, e será o resultado de um qualquer incêndio de efeitos incontroláveis. O ‘Não’ no referendo italiano poderá ser o princípio do fim da moeda única.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online.

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4 thoughts on “Arrivederci euro

  1. mariofig

    Gosto sempre muito de ler os seus artigos, Ricardo.

    Pena mesmo que a UE tenha enveredado pela política monetária única sem estar realmente preparada, ou sem ter sido capaz de antever as dificuldades orçamentais dos países do sul e assim ter imposto metas de adesão mais restritivas, que teriam evitado o colapso da política. É com algum sentimento de frustração que observo uma única política de convergência europeia, como é o caso da moeda única, poder vir a ser hoje responsável por todo o colapso da construção Europeia.

    Não consigo antever como é que se poderia sair desta armadilha que a Europa montou a si própria. Seria talvez desejável uma saída organizada da moeda única, com o apoio do BCE às novas moedas nacionais por algum tempo, para evitar grandes colapsos. E a moeda única poderia, ou não, então manter-se junto dos países do Norte. No fim o objetivo seria sempre evitar o colapso da UE causado pela política monetária.

    Mas não existem sinais alguns de que temos o tipo de governação Europeia sensata capaz de produzir um mea culpa, com ideias a longo prazo bem além dos seus mandatos e com um forte desejo de coesão europeia que poderia levar a este tipo de ação. Parece mesmo que o nosso destino é o da implosão. E para um pais como Portugal isso será trágico; nós que sacrificámos sem discussão e sem defender o interesse nacional, toda a nossa capacidade produtiva em nome da construção europeia (ainda me lembro dos pescadores a serem pagos para queimarmos a nossa frota pesqueira, que em tempos foi a segunda ou terceira da Europa).

  2. Nuno

    Mariofig, não nos iludamos, não é só a moeda única que vai fazer ruir a UE. É também a integração política forçada e a centralização subrepticia.

    Ricardo Arroja, creio que seria verdadeiro serviço público um artigo sobre como o cidadão comum se poderia preparar e proteger para o colapso do Euro.

  3. AB

    @Nuno
    O cidadão comum dificilmente se poderá proteger. Suponho que esteja a falar do cidadão comum português afogado em impostos e dívidas. O fim do euro não será sentido de modo igual em todos os países.
    Quem tem poupanças pode trocá-las por moeda estrangeira, ouro, obrigações soberanas de países mais estáveis do euro ou fora dele. Aconselharia essas pessoas a observar a cotação do euro, porque quando os grandes fundos acreditarem no fim da moeda única ela vai caír depressa. E não há muito tempo 1 eur valia 1,4 usd, hoje vale 1,06 usd. Já começou.
    O mal disto é que com o pretexto (ou não) do combate à evasão fiscal, já foram implementados imensos obstáculos a qualquer tipo de protecção, e poderão ser implentados ainda mais. Por exemplo conversão forçada de DPs em moeda estrangeira, ou mesmo proibição dos bancos cambiarem moeda estrangeira física – ou imposição de taxas de câmbio brutais. Há classes de bens que se mostram muito resilientes, arte, diamantes, mas aí já não estaremos a falar do cidadão comum, certo?
    Para mim, o teste de fogo serão as eleições em França. Se a LePen ganhar já será tarde demais e o euro já cotará tão baixo que o BCE será obrigado a meter marcha-atrás e secar liquidez. E isso será o fim, e vamos ver se o BCE não será obrigado antes disso a fazê-lo, porque um euro demasiado fraco levará os países que estão bem a querer saír ainda mais depressa que o camarada Jerónimo.

  4. mariofig

    Comprar Dólares ou Ouro enquanto o Euro ainda se encontra a um valor aceitável é mesmo o melhor a fazer. Jóias e arte é outra possibilidade, uma vez que normalmente valorizam sempre e são relativamente imunes a crises financeiras. No fundo, a ideia é empatar qualquer dinheiro disponível em bens ou valores com baixa capacidade depreciativa e depositar esses bens e valores em bancos não europeus, na Ásia ou América do Norte. E não lhes mexer… até ao dia.

    Poupança é sempre a melhor protecção contra crises financeiras. Mas claro está, no caso de uma possível crise monetária, essa poupança terá de ser efectuada em moeda estrangeira ou bens.

    Infelizmente estas protecções, como diz o AB e bem, não estão ao alcance de muitos cidadãos. Principalmente no nosso Portugal a abraçar crises sucessivas desde a década de 80.

    A queda do Euro é apenas uma questão de tempo e julgo ser difícil alguém sério defender não vai acontecer. Mas mesmo que não acontecesse e por algum golpe de magia e um incrível acordo a nível da UE o Euro se salvasse, essas conversões efectuadas para se proteger, poderiam perfeitamente reverter novamente em Euros.

    Não sei se será amanhã, daqui a 2, 5 ou 10 anos. Mas quem pode, deveria começar seriamente a se precaver.

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