Não é pesar, é homenagem

Ao contrário do que diz Passos Coelho, rejeitar um voto de pesar não se equipara, de todo, a festejar uma morte.

Todos os dias morrem centenas de pessoas em Portugal. Centenas de milhar pelo Mundo fora. A Assembleia da República não aprova votos de pesar por todas elas. Isso não quer dizer que os deputados daquela casa não lamentem a perda humana que essas mortes representam ou que festejem essas mortes. A Assembleia da Rapública não apresenta votos de pesar por todos os portugueses que morrem porque um voto de pesar não é uma forma de demonstrar tristeza pela morte de alguém. É sim uma forma de homenagear o seu percurso de vida. Quando um voto de pesar passa na Assembleia da República, os portugueses ficam a saber que os deputados daquela casa aprovaram por maioria uma homenagem à vida do falecido. Fidel Castro não merecia essa homenagem. Pese embora entenda o raciocínio de Passos, o PSD deveria ter votado contra a homenagem a Fidel em vez de ter alinhado no branqueamento da ditadura. Ao fazê-lo, desrespeitou a memória das dezenas de milhares de pessoas assassinadas por Fidel, que nunca tiveram direito a voto de pesar. E nisto (pelo menos nisto) o PSD deveria ser diferente.

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12 thoughts on “Não é pesar, é homenagem

  1. Ricciardi

    Numa entrevista que Fidel deu à CBS o jornalista perguntava ao político se tinha ideia de quantas pessoas matou ou mandou fuzilar durante a revolução e pós revolução cubana.
    .
    Fidel respondeu-lhe que não sabia ao certo mas, tinha a ideia de que teria mandado fuzilar uns 30 assassinos.
    .
    A seguir perguntou ao jornalista quantos assassinos tinham os EUA condenado à morte nesse ano. O jornalista também não sabia ao certo quantos seriam.
    .
    Na guerra morrem pessoas. Tenho mesmo a impressão que numa guerra uma das partes dedica-se a eliminar a outra. E vice versa. Porque seria diferente no caso cubano?
    .
    Pois, bem, podemos centrar críticas no regime. Na falta de liberdade também. Mas fazer crer, por repetição ad nauseum, que Fidel foi um monstro sanguinário não é sério.
    .
    Rb

  2. Carlos Guimaraes Pinto, muito bem.

    Faltou apenas um parágrafo final, ” Pedro Passos Coelho tem obviamente que se demitir das suas funções no PSD, ele deixou de representar o eleitorado deste partido.”

  3. mariofig

    O argumento de Passos peca também pelo fato de que o voto de pesar é acompanhado de um documento. É ESSE DOCUMENTO que é levado a votação e que o Passos leu, tal como todos nós quando foi publicado aqui no Insurgente. Os dois documentos (do PS e do PCP) tecem largos elogios ao percurso de vida de Fidel Castro.

    Mesmo que Passos se quisesse escudar na sua lógica falaciosa de, não pode esconder que se absteve de reprovar o texto de elogio que serve de base ao voto de pesar.

  4. Pior que um merdas, é um merdas a tentar fazer de conta que não o é.

    Pior que o grupo de bandalhos (tu quoque, Miguel Morgado?!?!) que não tem a hombridade de votar contra é um grupo de bandalhos que faz uma declaração de voto a tentar branquear a ignomínia.

    Passos é um merdas que não merece o voto de quem se diz liberal. Calado, ao menos não envergonhava quem nele votou.

    Estes gajos ainda vão conseguir fazer-me votar no CDS da Cristas (a Cristas, of all people!).

  5. Ricciardi, ele pode ter dito 30, mas identificados já estão cerca de 8000. E não se pode comparar execuções de presos de delito comum – por muito que sejamos contra a pena de morte – com execuções de presos por delito de opinião.

  6. RICCIARDI : “Fidel respondeu-lhe que … tinha a ideia de que teria mandado fuzilar uns 30 assassinos.”

    Se Fidel o disse então é porque é assim ??!!…
    Não eram “assassinos”, eram quando muito opositores politicos.
    Fidel mandou assassinar meros criticos e opositores à sua politica.
    O “assassino” foi Fidel e não as suas vitimas, as vitimas da repressão de uma ditadura totalitária comunista que ele encarnou e liderou.
    E não foram “30”, foram muitos mais, foram milhares : as estimativas mais sérias vão de 17 mil a 30 mil fuzilamentos.
    Mas, fossem eles quantos fossem exactamente, o n°1 de um regime que executa opositores politicos não merece qualquer homenagem, consideração ou sequer desculpa da parte de quem se pretende defensor dos direitos humanos, da liberdade, da democracia !!

  7. Pedro Santos

    O PSD neste momento está perdido. Enquanto não tiverem a capacidade de perceber isso, vão dar tiros sucessivos nos pés. Com isto ganha a “geringonça” que não tem oposição e perdem os portugueses que mereciam melhor sorte com uma oposição à altura…

  8. lucklucky

    O PSD( e o CDS) está desde há décadas a destruir o seu espaço cultural.

    Este comportamente com um Ditador Comunista que provocou 2 milhões de refugiados de deenas de milhar de mortos é só mais um prego no caixão.

  9. PPC têm-se revelado um medíocre líder da Oposição e neste caso esteve muito mal. Negou a tradição de liberdade dos fundadores do partido que agora dirige.

    E foi cobarde ao procurar umas justificações rotas e esfarrapadas para justificar o injustificável.

    CGP explica muito bem a diferença entre pesar e homenagem. Só não entende quem não quer ou está de má fé. O PSD de Sá Carneiro teria apresentado um voto de pesar pelos milhares de vítimas do regime sanguinário de Fidel.

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