Desigualdade em Portugal caiu desde 2010

Corre uma narrativa que postula, convenientemente, que a desigualdade se agravou em Portugal com a crise e com o programa de ajustamento. Se não considerarmos quaisquer políticas para corrigir o efeito, é natural que assim seja. Se uma pessoa pobre perder 10€ por mês e uma rica perder esses mesmos 10€, o impacto na pobre é relativamente maior. Esse impacto desproporcional pode ser mitigado com transferências sociais e políticas discricionárias que tentem proteger os mais pobres. Com efeito, as políticas dos últimos anos deixaram intocados, e bem, os mais pobres.

Um relatório recente da OCDE nega a narrativa de que a crise agravou as desigualdades — pelo menos em Portugal. De 2010 para 2014, o coeficiente de Gini reduziu-se significativamente. A explicação é simples: todos perderam rendimentos e houve uma redução das transferências sociais, mas os mais pobres mantiveram-se relativamente iguais. Não é que isto seja propriamente uma boa notícia, até porque a desigualdade reduz-se pelo pior dos motivos, mas deve ser frisado a bem da verdade.

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16 thoughts on “Desigualdade em Portugal caiu desde 2010

  1. Pingback: Desigualdade em Portugal caiu desde 2010 – O Insurgente | O LADO ESCURO DA LUA

  2. Tretas, gráficos, estudos, blá blá blá.

    Apresentar soluções, coerência, dar a cara, isso não que dá muito trabalho e chatices.

    Os Portugueses estão fartos de sábios de secretaria, gente que não sabe fazer nada.

    Teóricos há muitos.

  3. Henrique Oliveira

    SIM999BLOG, um cão de fila de um “clube” político.

    Face a dados objetivos, diz que são blá-blá…
    Claro, a realidade para ele são as suas considerações e devaneios.

  4. Ó Oliveira estás a ver-te ao espelho ?

    Mete os dados objectivos no ……..

    Já agora explica lá que problemas vais tu resolver com estes dados ?

  5. Então o Bloco de Esquerda tem razão vamos acabar com os ricos que logo melhoramos o Nosso “coeficiente de Gini”

    mas agora de uma forma mais seria há inconcluencias na frase:

    “todos perderam rendimentos e houve uma redução das transferências sociais, mas os mais pobres mantiveram-se relativamente iguais”

  6. Ó Mário Amorim Lopes,

    Uma família de 4 pessoas que vive com um ordenado mínimo , é o quê ? Só pobre ? Vive de transferencias ? Não foram afectados ?

    Estamos perdidos com a geração mais bem preparada de sempre.

  7. Isto é uma análise ex-ante e não ex-post. Ou seja num cenário em que as transferências sociais se mantém, havendo diminuição do rendimento que afeta os mais pobres, o efeito destas transferências sociais na redução da desigualdade obviamente é maior, porém a desigualdade aumentou. Inferir que a desigualdade diminuiu a partir destes dados está errado, belos economistas que a OCDE não haja dúvidas.

  8. Caro Mário

    Acho que está a fazer um ligeira confusão na sua análise… Isto porque: ser pobre não significa necessariamente ser subsídio-dependente….

  9. Segundo apurei o coeficiente de Gini apresenta os mesmos valores em 2010 e 2014 mas atenção com inferências de que a desigualdade não aumentou durante este período, nada se sabe acerca dos restantes anos pode ter aumentado ou diminuído, este é o problema da utilização dos valores extremos dão-nos uma “fotografia” com dois momentos e não um “filme” entre os dois momentos

  10. Pedro Santos

    O mesmo relatório mostra que a taxa de pobreza em Portugal aumentou no mesmo período em análise (2010-2014). A omissão deste dado foi lapso ou “conveniente”?

  11. AhAhAh os economistas e a falácia do coeficiente de Gini.O problema não é a desigualdade, o problema é a pobreza em si! Ideais socialistas, defendidos por uma ampla maioria da população, apenas repartem de forma igualitária a pobreza, mas nunca criam riqueza. Quando focaremos corretamente o problema?

    Para quem tiver rempo e quiser compreender a ”econometria de Gini” deixo aqui uma sugestáo

    https://direitasja.com.br/2015/10/05/coeficiente-de-gini-e-a-grande-falacia-da-distribuicao-de-renda/

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