Entre populistas e populistas

Já é habitual que os paineleiros portugueses tenham apreço pelos comediantes, seus homólogos, o que explicaria a sua fixação por Beppe Grillo. O que estes se esquecem de realçar é que uma possível coligação à direita – que desta vez seria liderada pela Lega Nord, ultrapassando esta o Forza Itália – alcançou 27.8% dos votos nas últimas sondagens, apenas 2.1% abaixo das previsões relativas ao Movimento 5 Stelle. Manter a fé que, face à ameaça de ser eclipsada pelos seus velhos parceiros, a Forza Itália continuará a insistir no centro-direita não é de todo descabido, ainda que, com o forrobodó que reina no partido, todos os cenários estejam em aberto.  Depois, quando as hecatombes eleitorais traduzem o (outro) óbvio sentimento da populaça, a surpresa nos seus rostos, mostrada pela televisão, tende a contrastar com o meu ar de riso. Não que a situação esteja para graçolas. Mas no meio da tragédia valham-nos os palhaços..

 emg1-4
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4 thoughts on “Entre populistas e populistas

  1. A onda vai tomando forma também em Itália. Da UE, béu, béu, béu, mas ninguém de juizo vai querer sair. Uma UE que tomará nova forma, muito diferente do que os canhotos desejariam.

  2. ABC

    O que sucedeu hoje na Áustria e em Itália mostra bem a clivagem Norte / Sul. Claramente há mais juízo a Norte, e talvez não por coincidência, mais dinheiro e condições de vida.

  3. mariofig

    “Então é mais juízo dar mais poder ao Governo?”

    A reforma constitucional em Itália não se traduz na prática num aumento do poder do governo. Ele já tem esse poder e a reforma não atribui poderes adicionais ao Governo. A transferência de poder do Senado para a Câmara de Deputados significaria no entanto que um Governo eleito tenha mais hipóteses de governar, porque na realidade quem governa em Itália é o Senado e a Câmara de Deputados, pela capacidade que têm de travar toda e qualquer decisão ministerial que implique reformas ou necessite de novo suporte legislativo. O que Renzi sugeria era efetuar esse “checks and balances” a nível da câmara de Deputados e não do Senado. No fundo, aproximar o sistema governativo Italiano de o resto da Europa.

    Se pensares que no Senado os Italianos elegem 630 representantes e na Câmara de Deputados mais 315, tens 945 representantes com total poder legislativo em Itália e que ganham esse poder não porque foram votados diretamente pelos eleitores, mas porque fazem parte das listas partidárias. Este número maciço de representantes e as dificuldades que coloca no seu controle, tem aliás sido também apontado como uma das principais causas de corrupção em Itália.

    Em todo o caso a verdade é que a Itália mantém o mesmo padrão governativo Europeu de total controle do Estado sobre todos os aspetos da vida dos seus cidadãos e a mesma falta de vontade em reduzir esse poder. Não se trata na realidade de olhar para o poder excessivo de um qualquer governo, mas sim para o poder excessivo da máquina política a que chamamos de Estado. A reforma constitucional proposta por Renzi não reduziria uma virgula a esse poder, pelo que eu pessoalmente votaria NIM. Mas tinha ao menos o mérito de tentar tornar o pais governável.

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