As elites gostam dum país sossegado

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36 anos depois da morte de Francisco Sá Carneiro, Portugal encontra-se na mesma situação que o então líder do PSD descreveu quando deu título ao seu livro escrito em 1978: num impasse. No meio de uma grave crise orçamental e bancária, sem crescimento económico digno desse nome, a maioria prefere aceitar que nada de grave se passa. Com o dinheiro do orçamento compra-se o silêncio dos que, interesseiramente, vivem à sombra do Estado, contra os quais todos protestam mas que, espantosamente, compõem a maioria; através da banca financiam-se empresas públicas e concedem-se empréstimos a privados que não produzem, mas consomem. Entretanto, a imprensa anda sossegada com dados económicos ilusórios que mais não são que fogo de vista; com a ajuda dos comentadores de serviço deleita-se com a habilidade com que Costa, mascarando a verdade, se mantém no poder e, em vez de o denunciar, parece preferir as elites que gostam, sempre gostaram, de um país assim: sossegado, tranquilo, imóvel.

Há 10 anos publiquei n’O Insurgente este texto sobre Sá Carneiro. Lê-lo faz impressão: Portugal está na mesma.

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6 thoughts on “As elites gostam dum país sossegado

  1. Recordando Sá Carneiro e tal como nos anos precedentes à sua trágica morte, vivemos hoje um tempo de idêntico imobilismo patrocinado por uma esquerda que não mudou em nada. E a social democracia defendida por Sá Carneiro não era nada daquilo a que Pacheco Pereira se refere nos dias de hoje, é importante dizer isto pois os jovens nem sequer sabem quem foi Sá Carneiro e os mais velhos já nem se lembram dele.

  2. Pingback: POLITEIA

  3. André Miguel

    Sempre assim foi. E não são as elites que gostam, é mesmo o povo. Já Pessoa dizia que faltavam agitadores na sociedade portuguesa.

  4. JP-A

    36 anos depois do assassinato de Francisco Sá Carneiro e do encobrimento que lhe foi dado na AR, um regime em modo chantagem-oportunismo. De um lado uma criatura disposta a tudo para ser e estar, e do outro a chantagem de quem está 100 anos atrasado e desfasado da realidade. Ou fazes ou és apeado – isto é do que há de mais avançado em democracias ocidentais. 🙂

  5. Em Portugal não há élites, há aldrabões de feira, merceeiros de sucesso, empreiteiros parolos, advogados de estalo, banqueiros sem vergonha e ladrões em todas as esquinas. Tão só.
    Do outro lado, na central de negócios, está montado um teatrinho onde actrizes de segunda representam farsas repetitivas e figurões encartados se ofendem uns aos outros antes de beberem um copo entre amigos.
    A base do espectáculo, não é a hipocrisia, não é a falsidade, não é prestigitação, habilidades que abundam. É a “omertá”. Revelados alguns segredos, a casa cai. Já faltou mais.

  6. Já começa a não haver pachorra! Será que xcosta e os mentecaptos do governo não serão capazes de fazer melhor? Porra! Este povo não têm um pingo de amor ao país? Andará embruxado? O ps acredita que é com tanta mentira, tanta asneirada, tanta dívida que se vai nanter no poder? E para se manter no poder precisa de fazer tanta merda?

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