Voto de pesar do Partido Socialista pela morte de um ditador que assassinou mais de 20 mil pessoas

Voto de pesar n.º 159/XIII, apresentado pelo Partido Socialista
PELO FALECIMENTO DE FIDEL CASTRO
Faleceu no passado dia 25 de Novembro, com 90 anos de idade, Fidel Castro, estadista e dirigente histórico de Cuba, cujo percurso político alterou de forma decisiva o curso da vida do seu país. Ao longo dos anos exerceu inúmeras funções públicas na República de Cuba, como Primeiro-Ministro, entre 1959 e 1976, e Presidente do Conselho de Estado, entre 1976 e 2008, tendo igualmente exercido funções como Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba de 1965 até 2011.
Desaparece, assim, uma figura de importância central na leitura do século XX e cujo legado na história latino-americana e internacional será certamente objeto de extensa análise historiográfica nas décadas vindouras e, tal como hoje já sucede, de intenso e apaixonado debate entre os que aderem ou se opõem ao seu percurso ideológico e político.
Determinante no aprofundamento das relações diplomáticas e de proximidade entre Portugal e Cuba após a Revolução do 25 de Abril (relações diplomáticas que nunca chegaram a ser interrompidas mesmo no quadro de mudanças de regime em ambos os países) Fidel Castro sempre estimou os laços que unem os dois povos e que, em inúmeros fora internacionais, com especial enfoque para as Cimeiras Ibero-Americanas, permitiu o reforço da cooperação e dos esforços para a estabilização das relações internacionais e para a criação de um espaço de partilha de desígnios de paz e aproximação cultural.
Num momento em que se vislumbram caminhos abertos para a ultrapassagem de bloqueios históricos do relacionamento internacional de Cuba com alguns dos seus vizinhos, cumpre realçar a importância dos caminhos de diálogo abertos, na linha de medidas progressivas de abertura manifestadas em vida pelo próprio Fidel Castro, e que podem contribuir para um futuro de progresso e aprofundamento de direitos fundamentais de todos os cubanos.
Assim, a Assembleia da República, reunida em plenário, expressa ao povo cubano e às instituições da República de Cuba o seu pesar pelo falecimento de Fidel Castro e pelo momento de luto que atravessam, reafirmando as ligações de amizade que unem os dois povos dos dois lados do Atlântico e a cujo o aprofundamento reitera a sua adesão e empenho.
Palácio de São Bento, 28 de Novembro de 2016

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13 thoughts on “Voto de pesar do Partido Socialista pela morte de um ditador que assassinou mais de 20 mil pessoas

  1. mariofig

    Caro Sr. Secretário Geral do Partido Socialista Português, caros membros do partido,

    O vosso voto de pesar pela morte de Fidel Castro em detrimento de um voto de pesar pelas milhares de execuções sumárias por fuzilamento efetuadas pelo regime militar de Cuba desde a sua implementação e denunciadas por organizações como a Human Rights Watch ou a Amnestia Internacional, fica registada para memória futura.

    Como também fica registada para memória futura o vosso voto de pesar pela morte do arquiteto de um regime ditatorial que é constantemente denunciado por todas(!) as organizações de direitos humanos e que inclui práticas como execuções políticas, campos de trabalhos forçados, tortura de prisioneiros, repressão política, censura, restrições à emigração, restrições à organização política e direito de manifestação.

    É com profunda mágoa que verifico que um dos partidos portugueses maiores na libertação de um regime ditatorial português, se apresenta hoje consternado pela morte de um outro ditador, cujas vítimas em número e crueldade infligida em muito superam o regime que vós lutaram por derrubar. E é também com profunda mágoa e sentimento de frustração que observo como as vossas sensibilidades ideológicas vos levam a eliminar por completo da vossa memória partidária as vítimas humanas do regime militar em Cuba e a reescrever o papel histórico do seu ditador.

    É portanto do meu interesse pessoal fazer chegar este vosso pesar oficial, com número próprio e numeração romana, às organizações não governamentais internacionais de apoio e defesa dos direitos humanos que milito ou contribuo, como um exemplo de como a luta pelos direitos básicos do ser humano é manchada também por aqueles que, governando os nossos países democráticos, têm o dever máximo de respeitar a Carta dos Direitos Humanos, da qual somo signatários. E de como esse respeito se deve manifestar não apenas em políticas e leis dentro dos nossos países, mas também e mais importante ainda, na forma como condenamos qualquer abuso de tais direitos, independentemente da ideologia política de quem os pratica.

    Sinceramente,
    Mário Figueiredo, nascido a 23-08-1969 em Cascais. Cidadão Português de pleno direito e descendência portuguesa com mais de 500 anos e que, em virtude da vossa carta de pesar, vos acusa a si e ao seu partido de terem perdido o direito de governar uma nação democrática e livre e de terem perdido qualquer legitimidade de efetuar no futuro quaisquer acusações a qualquer outro ditador ou ditadura.

  2. Daí se pode ver a quem estamos entregues. O hipócrita dos afectos idem, idem. Tivessem eles a faca e o queijo na mão…o queijo já têm.

  3. Pingback: O PS e Salazar – uma admiração revelada – O Insurgente

  4. mariofig

    Está quase Fernando. À 4ª é de vez.

    Passo 1 – Provocar bancarrota
    Passo 2 – Assistir a resgate na posição confortável de oposição
    Passo 3 – Ganhar eleições porque o povo é mesmo estúpido assim

    Repetir 3 vezes. À quarta pega e temos socialismo por 1000 anos. E, já agora, também com ajuda do abstencionismo do PSD.

  5. lucklucky

    E isto não vai ser uma “controvérsia” nem uma “polémica” porque o CDS e PSD estão bem formadinhos pelo jornalismo.

  6. lucklucky

    Coisas de que os Jornalistas se “esquecem”

    During the Cuban intervention in Angola, United Nations toxicologists certified that residue from both VX and sarin nerve agents had been discovered in plants, water, and soil where Cuban units were conducting operations against National Union for the Total Independence of Angola (UNITA) insurgents.[66] In 1985, UNITA made the first of several claims that their forces were the target of chemical weapons, specifically organophosphates. The following year guerrillas reported being bombarded with an unidentified greenish-yellow agent on three separate occasions. Depending on the length and intensity of exposure, victims suffered blindness or death. The toxin was also observed to have killed plant life.[67] Shortly afterwards, UNITA also sighted strikes carried out with a brown agent which it claimed resembled mustard gas.[68] As early as 1984 a research team dispatched by the University of Ghent had examined patients in UNITA field hospitals showing signs of exposure to nerve agents, although it found no evidence of mustard gas.[69]

    https://en.wikipedia.org/wiki/Chemical_warfare

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