auf wiedersehen?

“A minha perceção é que a Comissão Europeia basicamente desistiu de aplicar as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento” — a afirmação é de Jens Weidmann, presidente do Bundesbank, o banco central alemão. “ (no ECO – Economia Online).

Há dias, num outro post a propósito das contradições da Comissão Europeia, o leitor Surprese deixou um comentário que me pareceu especialmente bem conseguido. Escrevia Surprese [que] “Para destruir um clube ou condomínio, basta que se deixe um dos sócios incumprir regras ou não pagar quotas. Todos os outros se revoltam, querem expulsar o prevaricador, e não conseguindo que ele saia, saem os bons sócios/condóminos pagadores.”.

Ora, do mesmo modo que poucos anteciparam o Brexit ou a vitória de Trump na América, também poucos verdadeiramente acreditam que a Alemanha pode um dia querer sair do euro. Mas numa altura em que é evidente uma (nova) Comissão Europeia, assumidamente política como ainda há dias escrevia o comissário europeu Carlos Moedas, começam também a ser evidentes os sinais de desconforto alemão. Issing, WeidmannSchauble e Regling não são coincidência. O mercado vai tomando nota.

O processo de formação de políticas costuma ser feito de acções incrementais, mas tende a ser fortemente impulsionado na sequência de momentos dramáticos. A crise soberana na Europa esteve assim na origem de novas regras de disciplina orçamental e de novas instituições e procedimentos no seio da Europa. Instituições, procedimentos e regras que deveriam durar dez ou mais anos. Mas eis que, cinco anos depois, a Comissão Europeia, dotada de competências eminentemente burocráticas (ou técnicas), decide reinventar-se. Politicamente, pois claro. Assim se arruinará o euro.

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8 thoughts on “auf wiedersehen?

  1. JP-A

    Como aqui escrevi há dias, há estados do sul da Alemanha que não estão para continuar com a bandalheira dos países mamões, e nós andamos entretidos com a Catalunha. Aliás, há cá uma fauna que julga que as eleições nos estados são para avaliar a Chanceler.

  2. A Comissão Europeia está a fazer tudo para acalmar os ânimos do mercado da dívida. É só boas mensagens que passam cá para fora, e Portugal é agora o seu “melhor aluno”. Parabéns à Martins e ao Jerónimo, merecem sem dúvida uma medalha por bom comportamento!

  3. Não esquecer que foi a Alemanha um dos primeiros países a não cumprir a regra do défice máximo de 3%
    Mas como era à Alemanha que não convinha, estava tudo bem,.

  4. AB

    Pode acontecer o fim do Euro. Se avaliarmos bem, o período aparentemente mais delicado foi a primeira crise grega. No entanto, o Euro manteve-se forte enquanto se multiplicavam as previsões catastrofistas dos eminentes (e americanos) Roubini, Stiglitz, Krugman & Cia.
    Mas o que se passou entretanto?
    A situação grega não melhorou e fala-se num terceiro perdão. As dívidas públicas portuguesa, italiana e francesa cresceram. A banca, em geral, está de rastos. Portugal tem um governo veladamente hostil ao Euro, Espanha esteve sem governo e está longe da estabilidade política, os britânicos abandonaram o barco, e existe a forte possibilidade de formação de governos hostis ao projecto europeu em França, Itália, Holanda, Finlândia.
    A estúpida imunidade francesa depois de incumprir as regras mina toda a autoridade para que sejam aplicadas sanções a outros que não as cumprem. Os eurocépticos agradecem.
    E o euro cai. Os mercados jogam por antecipação, porque quem não sai a tempo arrisca-se a ficar dentro – e essas profecias auto-realizadas são bem reais. A queda do Euro mostra que para os mercados a possibilidade do fim da moeda única é hoje maior do que durante a crise grega.
    Manda a prudência que se aloquem os activos para outras moedas, como o USD ou o CHF, que sobem, ou, no mínimo, para países que, em caso do fim do Euro, tenham florins, marcos, ou mesmo libras (e talvez isso esteja a impedir uma queda maior da moeda única). Ninguém com juízo vai querer trocar os seus Euros por liras, pesetas, ou – desgraça – escudos ou dracmas.
    Se a UE conseguir ultrapassar mais este obstáculo, e, repito, parece-me o maior de sempre, tudo bem. O consenso dos mercados indica que não consegue.
    Mesmo eu, português remediado, não estou tranquilo. As minhas poupanças podem ficar reduzidas a metade se voltarmos ao escudo, o meu poder de compra reduzido a menos de metade.
    Quando fôr um luxo comprar uma camisa que agora custa 7€ na Primark, ou uma banana importada, não quero ter escudos. Mas para isso não posso ter Euros, ou pelo menos não os posso ter em Portugal. E isso sou eu. Quem gere biliões pensará o mesmo. Quando a Sra. Le Pen ganhar as eleições o Euro já estará destruído. E como esperar para ver pode saír caro, ninguém espera, e o Euro cai.

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