dá vontade de morrer (2)

“É a primeira defesa pública de António Domingues, feita por um amigo. Lobo Xavier revelou que o governo assumiu compromissos escritos com a gestão da CGD sobre o salário e a declaração de património. (…) Amigo próximo de António Domingues, Lobo Xavier foi duro com António Costa e Mário Centeno. “O que está a acontecer? Está a acontecer que o governo, com uma enorme falta de solidariedade, uma frieza que eu acho absolutamente chocante e próximo da indignidade, está a deixar passar para os gestores da Caixa o odioso da responsabilidade de coisas que combinou com eles“. E é, logo se seguida, que revela o que ainda ninguém tinha dito: “Havia uns senhores que tinham belíssimos lugares nos sítios onde estavam e foram desafiados pelo governo para tratar da CGD. [Os gestores] Puseram as suas condições, como acontece sempre, e foi-lhes prometido, foi-lhes até escrito, foi-lhes até escrito”, repete. (…) “Portanto, esses compromissos, que inclusivamente estão inscritos, não são do A, do B ou do C, não se pode dizer que o primeiro-ministro não sabia ou sabia, e o ministro das Finanças não sabia…”, insiste o advogado. “Os governos não funcionam assim, os compromissos eram do conhecimento de todos, e toda a gente tinha era a ideia de que bastava alterar o Estatuto do Gestor Público para resolver todos os problemas colocados, ou seja, quer o salário, quer o da revelação das declarações. E toda a gente esperava que essa alteração que foi feita em paz durante o verão resolvesse os problemas todos e era esse o entendimento jurídico”. Para Lobo Xavier, a explicação é simples. “O governo tinha, algures antes de setembro, a ideia de que todos os compromissos já estavam cumpridos e que não havia problema nenhum. Quando o problema foi levantado por Marques Mendes e depois pelo PSD, cavalgado depois por toda a Esquerda, o governo deixou sozinhos os gestores, desresponsabilizou-se de toda a situação…”.” (via ECO – Economia Online).

Em suma, confirma-se o que eu já aqui tinha escrito. Só, falta, portanto que António Domingues e restante administração se demitam. Depois deste desabafo do amigo, seria um gesto final de dignidade dos administradores indigitados, num processo que tem sido verdadeiramente indigno de governo. Pergunta Lobo Xavier “que país é este!?”. Eu respondo: é um país de súbditos e soberanos, onde os contribuintes (os súbditos) calam e pagam. É com isso que o PM e o PR contam.

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17 thoughts on “dá vontade de morrer (2)

  1. JP-A

    É o país onde o usurpador vai à TV e diz que nada tem a ver com aquilo que combinou e o PR anda a passear e a tirar selfies. É o país dos portugueses.

  2. Manuel Assis Teixeira

    É um triste pais governado por pessoas com total falta de categoria, de dignidade e de sentido de serviço! É um país governado por golpistas que aparecem à frente sorridentes na fotografia quando a noticia é boa e se escondem cobardemente quando fazem asneira. É um país que tem um Presidente que é eleito por uns mas só protege os outros em nome não se sabe de quê! Enfim… é um triste país… Salva-nos o clima que nos ajuda a evitar a depressao total que é ver todos os dias esta cambada capitaneada pelo Costa e abençoada pelo Marcelo!

  3. André Miguel

    É o país que os portugueses permitem que seja. Cada um tem aquilo que merece. Merecem ainda pior.

  4. mariofig

    Quando se abriu aquele imenso buraco na estrada na cidade japonesa de Fukuoka, foi precisa apenas 1 semana para o tapar e restaurar os serviços de saneamento e abastecimento de água e eletricidade que se tinham danificado. Apenas 1 semana para reparar o maior buraco numa zona urbana que eu alguma vez vi! E pelo caminho, o presidente da câmara, sem protestos nas ruas ou qualquer outra forma de pressão, na honradez e sentido de dever que o seu cargo exige, pediu desculpas aos habitantes da cidade pelos transtornos causados quando o estudo que encomendou revelou que o buraco tinha sido causado pelas obras de um túnel de metro nas proximidades.

    Façam-lhe o paralelo entre os políticos de lá e de cá.

  5. Honestamente não tenho qualquer piedade ou sentimento semelhante pelos administradores da CGD que estão a viver este “carnaval”.

    Gente que confia neste Governo da geringonça merece que lhe aconteça tudo.

    Nenhum profissional sério, competente e trabalhador com emprego aceitaria uma proposta deste Governo. Se os actuais administradores da CGD estavam nessas condições foram uns otários em trocar esses lugares pelo convite da geringonça.
    Ou aceitaram a proposta do Governo porque os seus empregos não estavam garantidos.

  6. JP-A

    O que está na capa do CM de hoje não é só gravíssimo, é também esperado e casapiano. Obviamente, um país para o qual a oposição não tem nada no sítio, e não me venham cá com a separação de poderes porque já toda a gente percebeu como é que isto funciona. É muito pouco o que se passa em Portugal para tanta porcaria e tanta podridão. O André Miguel é capaz de ter razão.

  7. JP-A

    Factos para quem anda distraído:

    “Mexidas na lei à medida de Sócrates. Processos de fraude fiscal sob investigação em risco. Ex-primeiro-ministro é indiciado do crime de fraude fiscal na Operação Marquês e pode só vir a ser alvo de uma coima.”
    (CM)

    “Eles nem se podem ver”
    (Marques Mendes)

  8. JP-A

    Para quem também não reparou, os partidos da esquerda fizeram ontem no parlamento galâmbicos reparos, porventura inéditos, contra Teodora Cardoso e o CFP. Ainda 24 horas antes estava tudo uma maravilha e o país de direita entalado com o crescimento de um trimestre que antes era considerado anémico pelos mesmos.

    Para memória futura: deve estar a acontecer alguma coisa.

  9. Há muito que se percebeu que a geringonça trata as coisas de Estado como se a quinta fosse deles.
    Faz Decretos-Leis a seu belo prazer e em conflito com Leis.
    Aplica Justiça à boa maneira comunista.
    Só não faz MOEDA porque a Comunidade lhes retirou esse privilégio

    Mas não me admirava nada que começasse a fazer vinhetas-cédulas como se de moeda se tratasse e foi prática municipal na primeira república.
    Assim do tipo: Esta cédula vale duzentos e cinquenta (250) euros.

  10. Como é que esta gente, que vive num país onde o salário mínimo é de 471€ (pois os 530€ tem desconto de 11%), faz contratos de dezenas de milhares de euros mensais, com reforma assegurada a partir de Janeiro de mais de 10.000€, e ainda acha que deve ter tratamento diferente dos restantes cidadãos? Como é que pessoas, que têm púlpito semanal, para nos ensaboar o cérebro, aparecem a defendê-los. Isto está no fundo, porque se perdeu a vergonha, e é tudo farinha do mesmo saco.

  11. Eu, que sou uma simples cidadã pagadora de impostos, vos digo: Costa está a fazer tudo para que o tempo vá passando, para a que a questão da Caixa se vá resolvendo e para que, quando vier a ordem para os senhores apresentarem os ditos papéis, já tenham terminado o trabalho e já tenham recebido o acordado. O caso seguirá então para Tribunal e depois é só conseguir uma qualquer irregularidade processual e pronto! Porreiro, pá!

  12. mariofig

    @JP-A

    Fiquei um pouco desiludido que não se tenha dado uma cobertura a esse intervenção da Teodora Cardoso aqui neste blog. Tanto mais pela forma quase invisível como foi essa sessão foi tratada pelos orgãos de comunicação social.

    As acusações que fizeram a Teodora foram inclusivamente a meu ver do mais perigoso exercício de estado que assisti nos últimos tempos. Observar deputados acusarem-na de tecer considerações políticas sobre matérias orçamentais foi uma tentativa clara, cobarde e infame de instrumentalizar e politizar um organismo independente, e portanto questionar essa mesma independência. Sem qualquer hipótese a contraditório, pelas estúpidas regras da nossa Assembleia da República, ficou portanto por dizer que a ideologia do CFP é a racionalidade económica e que qualquer opinião emitida por este organismo é transversal a qualquer partido político. Gostem ou não.

    A cobardia que assisti naquela Assembleia da República e a tentativa vil de questionar o bom nome de uma pessoa e de uma instituição, apenas porque a sua análise dos resultados económicos não coincide com os desejos políticos dos srs. deputados da esquerda, é a forma como sem processa à estatização de toda uma sociedade e se elimina a ação independente. E ao mesmo tempo, ironia das ironias, a forma como se politiza toda e qualquer discussão é precisamente acusar toda e qualquer opinião de ter um carácter político.

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