RIP, Pedro Panão

Pedro Rabolho Panão tinha o bigode mais aparatoso de Pereiró. Amiúde, homens brancos não instruídos do bairro diziam, com esgar mono-dental, que Rabolho Panão tinha pêlo na benta. Só quem se envergonha das humildes origens da Invicta diz os vês em revolta pelo acordo ortográfico não escrito das gentes do norte. Rabolho Panão comia tudo que viesse à rede, fosse carne, fosse peixe, fosse a gorda da Dionísia, a que lhe jurou eterna fidelidade como se a caridade de alma menos enobrecida pela obrigação biológica de propagação dos genes Panões estivesse ao seu dispor.

Aos Sábados, Rabolho Panão frequentava um antro de droga daqueles que floresciam entre as camadas altas da sociedade americana nos anos oitenta, os que caíram em desuso no mundo ocidental em prol da solidão humana que uma mais-que-certa paragem cardíaca exige. Havia sempre pó e pilas à descrição, com gentes dos partidos e as suas putas de ocasião com pretensões a matrimónios de subsistência.

Um dia, Rabolho Panão decidiu que não mais queria ser homossexual. Caiu o Carmo e a Trindade, os velhos conventos do Bairro Alto substituídos pelas ligas de defesa da apalpação de cantores que correm, efectivamente, sem moralizar. Grabbing by the pussy é fisicamente difícil se o grelo não é enrijecido ao ponto de causar dúvidas de género aos inexperientes: grabbing by the cock é que é ética e moralmente aceite, inclusivamente pela lei da elasticidade expansiva das molas.

Rejeitado pelos amigos que sempre enalteceram sensações olfativas envolvendo dois dedos, pelas vampes mugueiras que capturam peixe que só serve de isco para pesca graúda, pela comunicação social dos coros grândoladeiros e pela Ordem dos Psicólogos, que – valha-nos Deus – bem precisa de uma consulta, Pedro desapareceu no esquecimento virtuoso da esclerose basal de intelectualidade lusitana.

Morreu há três semanas. Alguém terá que contar a sua história. Na lápide só diz que “Pedro Panão morreu em vão – passou de verdadeiro à vil ilusão”.

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2 thoughts on “RIP, Pedro Panão

  1. Por falar em panões :

    O Conselho Superior do Ministério Público arquivou a queixa de José Sócrates contra António Ventinhas, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP). Um dos dois únicos votos vencidos partiu de Castanheira Neves, membro do Conselho e advogado de Joaquim Barroca, também arguido no caso Marquês.

    Em causa estavam declarações de António Ventinhas, em dezembro de 2015, quando, ao reagir a uma entrevista de Sócrates, afirmou que se o ex-primeiro-ministro “não tivesse praticado atos ilícitos, o processo não teria acontecido”. O Conselho abriu um inquérito de averiguações e agora decidiu não converter a queixa em processo disciplinar, com sete votos a favor e dois contra.

    ARALA CHAVES , membro designado pela ministra da Justiça, e CASTANHEIRA NEVES , advogado de Barroca, foram os conselheiros contra o arquivamento.

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