A esquerda não socialista

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Macron, ou a oportunidade da esquerda não socialista se impor ao radicalismo que a consome.

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7 thoughts on “A esquerda não socialista

  1. Nao consegui abrir toda a entrevista e le la portanto ate ao fim. Nao sei se o autor salientou mais um aspecto. O choque de geracoes. Abaixo dos 50 votou se maioritariamente pelo Remain, e nos EUA os jovens votaram maioritariamente nos Democratas. Nos mais velhos existe o saudosismo dos tempos em que havia industria. E a imigracao assusta os. Ha vilas e aldeias em Franca onde havia quem nunca tivesse visto um preto ao vivo, agora a populacao confranta se ate com arabes, chineses e pretos ricos que compram casas fora de Paris a precos altos. Tambem aqui um pouco de sentiment de inveja, dos que conseguem sucesso no mundo globalizado. Sucede que devido a baixa natalidade e ao baixo turnout dos jovens e alto turnout dos mais velhos ha uma tendencia para que seja aqueles com mais de 50 a decidir as eleicoes no Ocidente. E isso e grave. Veja se o caso portugues. O nosso Sistema de pensoes e insustentavel, a reforma media esta altissima para o nosso PIB e endividamento externo, mas e garantido que o partido que mexer a serio nisto perde eleicoes, tal como Passos perdeu a maioria absoluta. Sociedade assim estao condenadas ao empobrecimento e ao atraso cientifico (veja se o caso recente da UBER…)

  2. mariofig

    Sinceramente, eu não consigo apontar à globalização a culpa da vitória de Trump ou o alargamento das bases eleitorais populistas na Europa. Penso inclusivamente que é um erro terrível da análise mais simplista e amadora e que corre o sério risco de levar toda uma geração política a passar ao lado das verdadeiras causas e nos conduzir cada vez mais para dentro desta onda que se agiganta.

    É certo que a globalização conduziu a uma redistribuição das classes. Mas este movimento interno, que empobreceu uns e levou ao aumento de oportunidades para outros, não é de hoje. Tem 25 anos. A fábricas começaram a parar no início da década de 90. Muitos dos seus trabalhadores são hoje reformados. As gerações que se diz estarem a lutar pelo que perderam via globalização eram muitos deles apenas jovens estudantes na altura. Existirá com certeza um número substancial de trabalhadores que pela sua idade na altura ainda se encontram no ativo, mas não acredito por um momento que representem esta grande massa que se diz existir de desvalidos da globalização.

    Por outro lado, as classes desvalidas e desfavorecidas sempre constituíram as grandes maiorias nas nossas sociedades, e nem por isso se observou um retorno ao populismo nos últimos 70 anos, desde meados da década de 40. Parece-me, isso sim, que acusar a globalização como o grande catalisador do populismo é reduzir o debate à luta de classes e por essa via apresentar ainda mais Esquerda como a única solução para o problema. É um argumento que serve a esquerda institucionalizada, porque é ela que se apregoa como a defensora da luta de classes.

    No entanto as verdadeiras causas do populismo estão bem à vista. Não é nenhum segredo, não é algo de mágico e de difícil explicação. Vejam-se essas causas na própria argumentação do populismo europeu ou Americano. Imigração e segurança, por exemplo estão no centro de grande parte do populismo europeu pela facilidade como podem ser usadas como armas intimidação junto das populações nativas. A corrupção, o clientelismo e a associação do poder político ao poder económico são outro conjunto de armas do populismo pela facilidade com que são compreendidas e pela forma como sucessivos governos têm quebrado década após década a confiança que o povo neles depositou. O desemprego e a pobreza, onde a globalização se poderia inserir, são armas de todos os quadrantes políticos, mas o populismo pode-se juntar usando-as como mais uma prova da má governação.

    O que se verifica na realidade é que o populismo surge e ganha força pela forma agressivamente confrontadora com que se apresenta face a candidatos do sistema enfraquecidos por mais de meio século de má governação e corrupção política a todos os níveis. O populismo é puro marketing que adapta a sua mensagem à realidade do seu mercado e não se explica de outra forma que não pelos sucessivos governos à esquerda e à direita que o ajudaram a ganhar peso pelo simples facto de as populações já não conseguirem acreditar nos seus lideres.

    A causa do populismo é a má governação e a corrupção. Não a globalização. Não se deixem arrastar para o argumento da luta de classes que tanto interessa à esquerda.

  3. O proteccionismo com que sonha a Esquerda mais radical ou a Direita tradicionalista nao vai fazer nenhum milagre. Os precos de bens e servicos explodiriam o que por sua vez traria de seguida desemprego nestes sectores. Alem do mais ja nao havera fabricas ao estilos anos 50 e 60, devido a mecanizacao crescente. Um possivel bloqueio no acesso a bens importados e a servicos deixaria os consumidores furiosos. Ha na Esquerda francesa quem queira proibir a Amazon, por exemplo, para proteger as livrarias de bairro! Nos em Portugal ja tivemos um bloqueio recente de um servico online, as apostas, para proteger o monopolio medieval da Santa Casa. E ainda estou para ver como sera com a UBER. Temo que a regulamentacao estrague a coisa… o Diabo em Portugal esconde se nos detalhes e os burocratas do Regime quando nao querem algo criam uma regulamentacao que obrigue os interessados a desistir enquanto dizem ao povo que legalizaram a actividade (como fizeram com as apostas). A suposta solucao trara uma serie de problemas e desemprego e crise noutros sectores economicos e para alem disso resolvera os problemas daqueles que se sentem excluidos e descontentes? Presumo que nao. No entanto ha uma coisa que vejo como positiva em Trump, a descida dos impostos e o fim de regulamentacoes desnecessarias.

  4. E acrescento que nas leis ditas fracturantes o Ocidente foi longe demais contra a vontade das populacoes. Atencao que as ruas de Franca encheram se de catolicos contras as leis do casamento e da adopcao. Escrevi aqui num comentario ha anos que estas leis voltar se iam contra aqueles que supostamente pretendem proteger. Liberdade sexual para adultos e suficiente contudo nao se pode distorcer artificialmente a essencia do conceito de matrimonio, que implica a uniao de um homem e de uma mulher. E estou convicto que uma crianca precisa de um pai e de uma mae. Ora em Franca aprovou se isto contra a vontade de 50% ou mais da populacao, e nos EUA ha inumeros Estados que tambem tem uma maioria social contra isto. Em Portugal Segundo as sondagens a populacao tambem estava contra estas leis. A mim revoltou me como um grupo minoritario proximo ao poder conseguiu meter na Constituicao a nao descriminacao por orientacao e aprovar tudo isto enquanto vejo gente de inumeros sectores economicos a lutar contra leis iniquas e impostos assassinos sem qualquer sucesso. E frustrante e gera odio e revolta contra as elites.

  5. Muito gostaria de ver Macron como Presidente de França. Não obstante eu não ser de esquerda, Macron é uma esperança para a Europa.

    A sua eleição significaria que é possível ter uma esquerda com uma visão económica e social de futuro, e sobretudo, economicamente viável.

    Infelizmente, não tenho dúvidas de que vai ser trucidado pelos sindicatos,

  6. Homens como Macron são precisos, mas já vêm tarde. O descrédito da esquerda é enorme, o galambório, o mortagório ainda não perceberam. Lançaram sementes, colherão os frutos podres.
    Não se pode comparar uma figura impoluta, já falecida, como Salgado Zenha, ou Henrique Neto, Daniel Bessa, Assis, até Seguro, com energúmenos que se dizem de esquerda. A esquerda séria não é toldo que abrigue prestidigitadores e artistas de bairro a transbordar ódios que desejam dominar tudo e todos. A refrega vem a caminho. Vou estar tão longe quanto puder, mas farei o registo.

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