Pedro, Trump e o lobo

trump-triumphant O André e consequentemente o por ele citado Daniel Hannan têm razão ao notarem como a “esquerda” europeia tem o triste hábito de apelidar de “fascista” para baixo todo e qualquer presidente (ou candidato a presidente) Republicano (e por vezes Democrata) dos EUA. De facto, ao tratarem gente fundamentalmente decente (por muito que se possa, evidentemente, discordar deles) como Reagan, Romney ou Bush como uma espécie de “novo Hitler” é, para além de simplesmente absurdo, retirar a palavras como “fascista”, “nazi” ou “autoritário” qualquer validade, incluindo – e especialmente – para quando estas devam mesmo ser aplicadas. No fundo, é o princípio “Pedro e o lobo”: de tantas vezes se grita “fascista”, que quando um aparecer, o aviso será olimpicamente ignorado.

Obviamente, Trump não é Hitler, por muito que alguns dos seus apoiantes sejam também admiradores do fundador da outra “escola austríaca”. Mas não é preciso ser Hitler para ser um racista corrupto sem qualquer apreço pelas normas de uma sociedade democrática decente, e cuja visão do mundo e do papel da América nele coincide com os interesses do chefe de um estado corrupto e autoritário que representa uma ameaça à segurança dos seus vizinhos. E o que seria realmente importante perceber é que estar a discutir se o homem é Hitler ou não é pura e simplesmente contribuir para que não se discuta como e quão realmente mau ele efectivamente é; e o problema daquilo para que Hannan alerta é precisamente o de contribuir para que, quando alguém realmente mau e perigoso aparece mesmo, se perca a capacidade de o criticar e de alertar para o quão mau e perigoso ele é. Que outros tenham cometido o erro de gastar o significado e a validade de certas palavras em todo e qualquer um com quem não concordavam, é um erro deles, cujas consequências todos nós pagaremos de uma forma ou de outra. Que agora nós deixemos de usar algumas dessas palavras quando elas devem ser usadas, só porque outros as usaram indevidamente no passado, é outro erro, que não devemos cometer e pelo qual pagaremos um preço bem mais caro se de facto o cometermos.

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26 thoughts on “Pedro, Trump e o lobo

  1. lucklucky

    Então um artigo da Fortune que favorece a discriminação racial é o que torna para si Trump num racista… ah.

  2. Folgo em perceber que o barrete lhe serviu na perfeição…
    Quase fico a achar que o André Azevedo Alves foi mauzinho (não tanto como o Trump, vá!) ao ter-lhe lançado o isco.

  3. Euro2cent

    > não deve ter lido o artigo…

    Este? http://fortune.com/2016/06/07/donald-trump-racism-quotes/

    Por acaso até fui ler esse para amostra *antes* de vir aqui comentar. É patético.

    Aliás, nota-se que eles mudaram o titulo de “racism quotes” que estava na URL para o equivoco “what the record shows”.

    E o “record” mostra a ponta de um chavelho, umas acusações de terceiros e uns diz-que-disse. O pior que arranjam é um indivíduo dos casinos a lembrar-se que ele (decerto em privado) preferia “guys with yarmulkes” a contar o dinheiro.

    Se parassem com isto, talvez alguém acreditasse em 10% das mentiras que a imprensa escreve.

    Assim é difícil acreditar seja no que for que digam.

  4. mariofig

    Bom, parece que a eleição de Trump tirou cá para fora todos os relativistas e os “eu não estou a ver nada desde que tudo o que há para ver seja da minha cor partidária”.

    Se há coisa que me irrita na esquerda é o assobiar para o lado. Mas parece que vou ter que rever o meu conceito de hipocrisia e incluir também uma certa minoria da direita mais abjeta e que afinal andava escondida no armário e que se revê nestas criaturas execráveis e que gosta de ser governada por gente abaixo deles.

    Maus tempos para se ser de direita 😦

  5. Ainda me lembro há pouco anos atrás se apelidado de fascista só
    o pq votava PSD ou CDS. A esquerda está-se maribando para a boa educação ou fair-ply democrático. Só lhes interessa alcançar o poder a todo o custo e por todos os meios. Denegrir os opositores sempre foi uma estratégia da esquerda. Quer cá em Portugal quer no resto do mundo.

  6. O Lucklucky e o Euro2cent apanharam bem o centro da coisa. O Trump é racista porque num artigo da Fortune está escrito que:

    1. Houve um ex-funcionário que escreveu, em livro, que ele disse que “os pretos são preguiçosos”. Uma frase no livro que a Fortune afirma que o Trump confirmou quando disse, perguntado pelo LIVRO, que este era provavelmente verdade. Para honestidade intelectual não está mal…

    2. Empreendeu uma acção legal contra o governo federal, rejeitando, entre outras obrigações de discriminação positiva, a de dar preferência a inquilinos de minorias étnicas quando o prédio em questão tivesse menos de 10% de inquilinos dessa minoria. Claro está que opormo-nos a que o governo decida o que fazemos com a nossa propriedade e nos obrigue a arrendar os nossos imóveis a este ou aquele é racismo…

    3. Afirmou, já depois de se candidatar à presidência e de manifestar a sua oposição ao facilitismo das políticas governamentais relativamente à imigração ilegal mexicana, que um juiz de ascendência … mexicana poderia não ser isento a julgar um processo em que era parte.

    4. Pediu a reposição da pena de morte (essa instituição tão pouco americana, que só os racistas daquele país defendem…) a propósito de um crime cometido por um gangue de minorias (cerca de 30, 11 foram condenados) sobre uma mulher de 28 anos que corria no parque e que foi… assaltada, violada, sodomizada, esfaqueada 5 vezes, posta em coma, perdeu 75% do sangue que trazia no corpo, teve de ver um olho ser retirado da órbita que foi fracturada 21 vezes, sofreu danos cerebrais, inúmeras fracturas na face, etc., etc. (da Wiki). Julgo mesmo que foi difícil encontrar outro cidadão dos USA na altura que defendesse a pena de morte para um crime como aquele…

    5. Enquanto empresário do jogo legal, teve um diferendo jurídico com casinos explorados por tribos índias e afirmou, em audiência, “estes não me parecem índios”.

    Aos 70 anos, mais exposto mediaticamente que qualquer outro septuagenário. parece curto para gritar racista…

    Mas o que é que eu percebo disto…

  7. Gaius Octavius

    Nós em Portugal sofremos de um problema parecido, uma espécie de síndrome de Cassandra da política, só que com os papéis invertidos: temos imensos lobos de esquerda, vestidos com pele de cordeiro, com poder nas mãos e muitos outros que sonham vir a ter, e quando alguém de direita diz – “cuidado, eles são perigosos” – ninguém acredita.

  8. BRUNO ALVES : ” a “esquerda” europeia tem o triste hábito de apelidar de “fascista” para baixo todo e qualquer presidente (ou candidato a presidente) Republicano (e por vezes Democrata) dos EUA.”

    Quais Democratas ??!…

  9. Bill Clinton ?…
    Nada que se compare …
    Uma parte significativa da esquerda europeia apoiou a intervenção no Kosovo (por exemplo, o governo francês dirigido pelo socialista Jospin e sustentado por uma maioria parlamentar de … esquerda !…).
    E, sobretudo, aqueles que tinham dúvidas e criticas não trataram Clinton de “fascista” !!
    “Fascista” era o perigoso “falcão” direitista Bush quando bombardeava !…
    Clinton era criticado por bombardear (mesmo sem uma luz verde da ONU, recorde-se) mas como era “democrata” não era nem perigoso para o mundo nem “fascista” !!

  10. BRUNO ALVES : “Obviamente, Trump não é Hitler, por muito que alguns dos seus apoiantes sejam também admiradores do fundador da outra “escola austríaca”.”

    É uma pequena minoria de uma pequena minoria !…

    São muitissimos mais os extremistas de esquerda, admiradores do fundador daquela “escola marxista”, que apoiaram e votaram por Clinton !!

    Mas isto são nuances que “escapam” ao Bruno Alves ….

  11. A esquerda tuga anda esquiva. Há nomes sonantes ligados a puros atos de roubo e traição. Os dinossauros ainda falam na tendência global” dos movimentos populistas, na nova e inquietante tendência global. Tretas e mais tretas.
    E se vierem ao de cima as promessas incumpridas?
    As barrigas cheia de negócios duvidosos em nome dos amigos?
    O cozinhado de leis que benefíciam os infratores?
    Mais dia menos dia a arrogância será julgada dentro e fora da urnas.

  12. Vejo aqui todos os Insurgentes a defenderem Trump com unhas e dentes porque supostamente ele é um republicano americano e um republicano é por natureza de direita. Pela lógica da batata: – se ele se diz de direita então eu apoio o candidato de direita.

    Dizem que é um homem anti-sistema e ele personifica a mudança para uma América melhor. Então e se ele não conseguir impedir a globalização, não conseguir reaver os empregos agora deslocados para a China e México, não acabar com o Obama Care, continuar a financiar a NATO, aumentar a dívida e o défice?

    Se ele apenas rasgar os acordos ambientais, retirar direitos aos homossexuais, proibir o aborto, acabar com as restrições ao acesso às armas, inserir a pena de morte, e enviar os mexicanos de volta à terra dos sombreros, a América será “Great Again”? Será uma América melhor que a actual América?

    É uma pergunta para os nossos insurgentes: Como avalia um bom mandato de Trump?

  13. “Como avalia um bom mandato de Trump?”
    Avalio durante e no fim do mandato; não antes, fazendo previsões apocalípticas com uma bola de cristal furada.

    “Dizem que é um homem anti-sistema e ele personifica a mudança para uma América melhor.”
    Sim, personifica a mudança. Para melhor, vamos ver.

  14. “Avalio durante e no fim do mandato; não antes, fazendo previsões apocalípticas com uma bola de cristal furada.”,

    vou reformular a questão que é para não fugir com o rabo à seringa. Com base no programa eleitoral com que Trump se apresentou aos eleitores, que medidas terão de facto que ser implementadas para que a legislatura seja satisfatória? Se a política económica for um fiasco e tudo o resto um sucesso, a legislatura ainda pode ser ainda considerada de satisfatória? Por fiasco na economia entende-se não crescer acima de 3% ( a promessa era ser de 4% e mais), e não criar mais empregos (a taxa de desemprego está em 5%, por isso considera-se criar mais empregos uma taxa de desemprego de apenas 3%).

    Mas eu sei que ninguém me vai responder, porque quando se constatar que Trump vai ser um fiasco no plano económico ninguém vai querer dar a cara, mais, todos os que para aqui escrevem vão sofrer de amnésia selectiva e colectiva. Tal como cobro ao Bruno Alves o apoio ao Poucochinho antes das eleições com a narrativa do virar da página da austeridade. É o que está a ver.

  15. Diz o homem que escreveu “Art of the Deal” (1987) um livro acerca de Trump, e que se fosse hoje seria renomearia o livra para “The Sociopath”:

    “But Schwartz believes that Trump’s short attention span has left him with “a stunning level of superficial knowledge and plain ignorance.” He said, “That’s why he so prefers TV as his first news source—information comes in easily digestible sound bites.” He added, “I seriously doubt that Trump has ever read a book straight through in his adult life.”

    “More than anyone else I have ever met, Trump has the ability to convince himself that whatever he is saying at any given moment is true, or sort of true, or at least ought to be true.” Often, Schwartz said, the lies that Trump told him were about money—“how much he had paid for something, or what a building he owned was worth, or how much one of his casinos was earning when it was actually on its way to bankruptcy.”

    é uma amostra do que vem para aí.

    http://www.newyorker.com/magazine/2016/07/25/donald-trumps-ghostwriter-tells-all

  16. Euro2cent

    > a defenderem Trump

    Estou a defender-me a mim, o Trump não precisa.

    Estou a defender-me de ser tratado como um carneiro que engole qualquer treta crédulamente.

    Lá porque uma imprensa estúpida e corrupta vomita “hit piece” atrás de “hatchet job” uns após outros, meses a fio, não me sinto obrigado a acreditar neles e vir repetir em público a indoutrinação.

    Isto de a realidade ser o que quisermos tem limites. O pior é que alguns só se capacitaram disso porque o Trump ganhou – se tivesse perdido “provava” que a campanha de mentira e indoutrinação “estava certa”.

    Outros continuam em delírio. Esperemos que não conduzam.

  17. Euro2cent

    > a defenderem Trump

    Estou a defender-me a mim, o Trump não precisa.

    Estou a defender-me de ser tratado como um carneiro que engole qualquer treta crédulamente.

    Lá porque a imprensa vomita “hit piece” atrás de “hatchet job” uns após outros, meses a fio, não me sinto obrigado a acreditar neles e vir repetir em público a indoutrinação.

    Isto de a realidade ser o que quisermos tem limites. O pior é que alguns só se capacitaram disso porque o Trump ganhou – se tivesse perdido “provava” que a campanha de mentira e indoutrinação “estava certa”.

    Outros continuam em delírio. Esperemos que não conduzam.

  18. Nuno

    Longe de mim defender o Trump. Aliás, se fosse americano não teria votado nele. Provavelmente não teria votado em ninguém. Desta vez eram mesmo todos, sem excepção, das primárias às eleições, maus demais.

    Mas se o Trump é um fascista e representa de alguma forma um perigo para a democracia americana e para o mundo, a culpa não é do Trump ou dos que o elegeram. É do Obama e antecessores que não souberam promover um sistema em que resista a um mau presidente.

    E nisso, o Obama e os democratas são prolíficos. Muito se queixaram do Bush, mas nada fizeram para diminuir os poderes que este para si chamou por ocasião do 9/11. Pelo contrário, expandiram-nos, validaram-nos. Preparavam-se para os entregar ao próximo. Chegaram ao ridículo de não ser capazes em 8 anos de fechar Guantánamo.

    Agora estão muito preocupados com o fascista. Pois façam bom proveito.

  19. Prova Indirecta

    Apetece citar o camarada Arnaldo :

    ” A principal promessa eleitoral de Barack Obama, se o leitor ainda não se esqueceu, foi a de encerrar, imediatamente após as eleições, a prisão de Guantânamo: Obama fez dois mandatos ao longo de oito anos, até foi galardoado com o prémio Nobel da Paz, mas a prisão da base americana na baía cubana de Guantânamo, continua em funcionamento…

    Obama ganhou as eleições com a promessa de um Serviço Nacional de Saúde para os pobres e trabalhadores, mas o Obama Care, que instaurou ao fim de oito anos de presidência, não cobre um por cento da população pobre e idosa necessitada da América…

    O FBI, a Cia, o Pentágono, os órgãos fundamentais da ditadura do imperialismo ditam às marionetas presidenciais o que podem e o que não podem, o que devem e o que não devem fazer.

    Para aqueles que não conseguirem dormir nos próximos dias com medo de Trump, lembrem-se só disto: com excepção da segunda guerra do Golfo e da guerra do Afeganistão, estas desencadeadas pelo republicano George W. Bush, todas as outras guerras, do século XX e XXI, levadas a cabo pelo imperialismo ianque, foram desencadeadas por presidentes democratas…”

  20. mariofig

    @Hustler, obrigado pelos dois posts.

    Realmente importante é perceber que Trump conquistou o direito de governar. Quer se goste, quer não. O que mais me custa no entanto é observar como mesmo no seio da minha direita, qualquer tentativa de análise critica é ignorada e mesmo ridicularizada por aqueles para quem o candidato se apresente como Republicano. Afinal, não somos assim tão diferentes da esquerda na forma como exercemos a hipocrisia.

    É tão mau que até ouvimos argumentos que a esquerda passa a vida a prometer o que não cumpre. O que é absolutamente verdade, mas ao mesmo acaba por justificar um mal com outro mal. E não é essa a direita que devemos defender sob o perigo de esvaziarmos o nosso capital crítico.

    É quase certo que Trump vai enfrentar uma forte oposição interna por parte do partido Republicano no Senado e no Congresso. E portanto muito das suas medidas mais populistas não passarão, o que ele irá usar como argumento para se recandidatar. Infelizmente muitos dos nossos amigos acima irão manter a sua posição, achando que Trump é uma espécie de figura messiânica e que é o partido Republicano que não presta. E assim o populismo se alimenta a si próprio. Não vão querer entender que temas como a globalização, imigração, mercado livres, acordos comerciais, defesa internacional, etc não podem ser resolvidas através de políticas de isolacionismo e que os próprios Estados Unidos caminhariam para o abismo económico se as medidas que Trump propõe na sua santa ignorância populista fossem adiante.

    Comecei estas eleições a acreditar que a eleição de Trump seria boa pelo facto que levaria os partidos Republicano e Democrata a se reformarem e perceber que foram eles os responsáveis pelo nascimento do populismo nos Estados Unidos. E a acreditar que passaria também uma mensagem forte à Europa a braços com o crescimento da sua própria brand de populismo. Mas a julgar por alguns dos comentários que vejo aqui, começo a perceber que se calhar a direita vai passar um muito mau bocado e o que estamos a assistir é ao inicio de uma desagregação ou divisão da direita e que muito agradará à esquerda internacional que passará a ter em figuras como Trump uma fonte inesgotável de argumentos contra as políticas de direita.

    É por isso que será muito importante que o Partido Republicano rapidamente se distancia de Trump, como aliás o tem feito deste a campanha eleitoral e que faça um mea culpa de o ter eleito nas primárias. Mas acima de tudo será preciso aguentar a onda destes populistas defensores de Trump se tentarem colar como sendo de direita e acabar por essa via levar ao crescimento da esquerda. Porque dúvidas não existem que figuras como Trump, Le Pen, Petry, etc, são um perigo maior para a direita do que para a esquerda.

  21. Desculpe lá, mas o Bruno Alves não apoiou ninguém antes das eleições, nem disse que a austeridade ia acabar. Antes pelo contrário. Apenas também não apoiei Passos Coelho

  22. lucklucky

    “não deve ter lido o artigo…”

    Eu li bem o artigo não há lá nada.
    Excepto o autor ser um racista a favorecer discriminação “positiva”. Orwell teria muito a dizer sobre a expressão.

    —–
    Isto também é racista?
    “I mean, you got the first mainstream African-American who is articulate and bright and clean and a nice-looking guy,”

    Joe Biden Vice Presidente de Obama

    “A few years ago, this guy would have been getting us coffee”
    Bill Clinton

    Mas estes não são racistas. Nem Obama.
    Que favorece escolhas devido à cor da pele.

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