#EleiçõesEUA2016: dividir uma América dividida

Com a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA, reanimaram os esforços de secessão na Califórnia e Oregon. O mesmo tinha acontecido no Texas durante o governo de Barack Obama.

Em qualquer democracia haverá sempre descontentamento nos governantes. Até mesmo de quem neles votou. Nestas eleições americanas mais de metade dos eleitores (cerca de 53%) não votou em Trump (apesar de contagem dos votos não estar ainda finalizada, Hillary Clinton, a candidata democrata, obteve uma ligeira vantagem sobre o adversário republicano e os representantes dos restantes partidos obtiveram quase 5%). É caso para dizer que a América (EUA) está dividida. Mas isso não é novidade. Mesmo durante a presidência de Obama (que ganhou com maiores diferenças de votos) o sentimento era semelhante.

Se por vezes numa reunião de condomínio há dificuldades de entendimento imaginem então um “condomínio” de milhões!

Como refere o artigo linkado acima, conseguir a secessão da Califórnia é extremamente difícil. Mas seria o melhor para todos. É que, a acontecer, nenhum candidato democrata conseguiria, num futuro próximo, vencer as eleições presidenciais sem os 55 votos do colégio eleitoral atribuídos àquele Estado (passava a ser necessária uma maioria de 242 votos do colégio eleitoral, em vez dos actuais 270). E isso significaria a saída de ainda mais Estados “democratas”, o que só ajudaria a reduzir o número de descontentes em cada eleição presidencial.

uselectoralcollege2016

Se processo constitucional de secessão nos EUA é complicado/improvável/impossível, a redução dos poderes presidenciais já não tanto. Os californianos deviam é começar por defender a eliminação de muitos dos departamentos (“ministérios”) federais como, por exemplo, a Educação, Transportes, Habitação, Segurança Social, Saúde, etc. Em contrapartida, cada Estado implementava soluções governativas diversas, contribuindo para a melhoria da democracia americana ao limitar poder do presidente e, consequentemente, atenuando o descontentamento actual. Mas tal nunca será bem visto por estatistas.

PS: Reduzindo-se o tamanho do “condomínio” americano, diminuíam os conflitos. Sim, mas porquê ficar no nível estadual? Até mesmo dentro da Califórnia há “divisões”. Veja-se a distribuição dos votos vencedores por condado.

2016_presidential_election_by_county

 

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13 thoughts on “#EleiçõesEUA2016: dividir uma América dividida

  1. Não percebi se o escreveu é suposto ser sarcasmo ou não mas vou pensar que não é, nesse caso parabéns, foi a coisa mais estúpida que li nos últimos meses.

  2. Zé Miguel, obrigado pelo seu comentário. Podia é ter contribuído com algo menos estúpido. Vê? Também consigo adjectivar sem fundamento.

  3. Pingback: #EleiçõesEUA2016: dividir uma América dividida – O Insurgente | O LADO ESCURO DA LUA

  4. Aqui não há sarcasmo nenhum. Os pulhíticamente corretos vão ter que arranjar um espaço próprio para fazerem as suas pulhíticas à vontade. Não é só nos USA. Por cá já vamos tarde.
    Convém que o divórcio seja pacífico, se possível abençoado pelo infiel, inspirado pelos bons tempos que passava na Comporta.
    Podem suas excelências, excelsos demucratas ter toda a razão!
    A forma limpa de saber é separarem-se dos parolos que os atrapalham. Os tais neoliberais, neo colonialistas, proto-fascistas.
    Antes que os funcionários públicos tenham que esperar uns mesitos pelo salário. Já esteve mais longe.

  5. mariofig

    BZ, a secessão da Califórnia, mantendo o atual modelo representativo, não significaria que estados como Texas, Flórida e Nova York aumentariam o seu peso relativo? Ora, uma vez que o colégio eleitoral é calculado com base nas populações relativas de cada estado, qualquer vantagem em termos de satisfação eleitoral, seria praticamente anulada. Haveria apenas uma mudança de um estado mais populoso tradicionalmente Democrata para um estado mais populoso tradicionalmente Republicano. E, pior, a Flórida (como swing state que é) seria ainda mais determinante para o resultado final das eleições, tendo aumentado o seu peso relativo em relação aos estados menores.

    Aceito no entanto que o colégio eleitoral seria reduzido. O que ajudaria a reduzir um pouco este peso dos grandes estados. A última vez que se procedeu à alteração de o número total de Grandes Eleitores foi na década de 1910 quando o Alaska e o Hawai foram integrados no processo. Portanto, é certo que uma secessão também obrigaria a uma alteração do número total de representantes no Congresso. Desta vez para menos. Mas em todo o caso, o que não deteto é qualquer vantagem em termos de insatisfação eleitoral.

    Concordo no entanto em pleno que o caminho para um cada vez maior federalismo através da redução sistemática dos atuais poderes federais, seria a melhor estratégia. Fala-se muito pouco disto durante as eleições, mas tem sido uma exigência constante de muitos representantes durante os vários exercícios legislativos e reflete um desejo das populações desde há muito tempo. Tal como Trump que foi buscar temas silenciados pelo establishment ao fundo da gaveta, um candidato corajoso que pegasse nesta bandeira era bem capaz de vir a ganhar eleições no futuro e com margens bem maiores.

  6. “Haveria apenas uma mudança de um estado mais populoso tradicionalmente Democrata para um estado mais populoso tradicionalmente Republicano. ”

    É exatamente por isso que, sem a Califórnia, o lógico seria os outros estados azuis irem-se também embora.

  7. mariofig, sem os 55 votos da Califórnia o colégio eleitoral passa de 538 para 483. Portanto, adistribuição relativa de cada Estado altera-se. Até porque o limiar para eleger presidente passava dos actuais 270 para os 242 referidos no post.

  8. Isto não deve fazer diferença na prática, mas os 53 membros californianos da Câmara dos Representantes desapareciam ou eram distribuídos pelos outros estados?

    É que se forem re-distribuidos, isso pode alterar ligeiramente a relação de forças entre os estados sobrantes no CE (no sentido de que a proporção de votos entre a Florida e o Wyoming, ou entre o Texas e Vermont, subiria ligeiramente a favor do maior estado), mas, como disse, o efeito seria quase nulo?

  9. miguelmadeira, desaparecendo os 55(!) já a proporção entre Estado se altera. Mas desconheço quaisquer outras regras para número no colégio eleitoral além dos censos da população.

  10. mariofig

    Eles terão de desaparecer, de acordo com as regras. Quando o Alaska e o Hawai passaram a integrar a federação na década de 1910, o número de representantes teve de ser alterado para os atuais 538. Uma secessão teria o efeito inverso de reduzir o colégio eleitoral.

    Já o censos da população, o que estabelece é a forma como esse colégio eleitoral (número total de representantes) é distribuído entre os estados. Há 10 anos atrás, a Califórnia elegia 53 representantes, não 55. O que significa que houve uma alteração na densidade populacional do estado em relação ao resto do país e levou a Califórnia a “roubar” 2 representantes a outros estados.

    A alteração do colégio eleitoral é um processo complicado e bastante negociado, no entanto. E não precisaria de ser no valor exato do atual número de representantes do estado que tivesse saído. Existem alguns estados que elegem representantes numa proporção diferente daquela representada pela sua população. É o caso de Washington por exemplo, que elege três representantes apesar de a sua população não dar para eleger um sequer. Portanto, mesmo matematicamente, seria improvável que os representantes reduzidos fossem 55. O mais certo seria ambos os partidos chegarem a um acordo e haver um reajustamento para balancear mais as coisas; se calhar, em vez de 55 poderiam sair 60 ou 65, o que reduziria um pouco o peso do Texas, Flórida e Nova York. Convenhamos que o atual peso da Califórnia é desproporcional e tem causado alguns problemas e críticas ao modelo representativo. Algo que se poderia evitar num novo quadro de ajustamento do colégio eleitoral.

  11. O meu raciocinio – o colégio eleitoral são 2 representantes por estado + uns quantos proporcionais à população (com o mínimo de 1).

    Se, para os estados que ficassem, o valor dos tais “uns quantos proporcionais à votação” aumentasse (se os tais 53 fossem distribuídos), iriam, mesmo em proporção, mais para os grandes estados do que para os pequenos (já que os 2 votos iguais para todos os estados – que não iriam aumentar – pesam mais na delegação dos pequenos do que dos grandes; e mais os casos de estados tão pouco povoados e que têm 3 representantes por ser o mínimo, e que continuariam com os 3).

    Mas pelo comentário do Mariofig, parece então que os votos da Califórnia iam mesmo desaparecer.

  12. miguelmadeira, em política nada é como pensamos 🙂 Se (grande se!) acontecesse provavelmente teria de haver mesmo uma negociação entre os Estados remanescentes.

  13. Euro2cent

    > Podia é ter contribuído com algo menos estúpido.

    Pronto, não seja por isso. Veja lá se gosta desta ideia:

    1) Faz-se um referendo, e a República das Califórnias separa-se dos EUA.

    2) Três anos depois, vota-se o regresso da Califórnia à República Federal Mexicana.

    Acho que já aconteceu antes qualquer coisa deste género, não me está agora a lembrar onde. Portanto a ideia pode não ser totalmente original, mas ofereço-a de boa vontade.

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