A vitória de Trump

O meu artigo no ‘i’ de quinta-feira sobre a vitória de Trump.

A vitória de Trump

Trump ganhou. A sua vitória é mais um episódio da luta contra a globalização e os valores liberais. Trump, Tsipras, Iglesias, Le Pen, Jerónimo e Catarina Martins: todos diferentes, todos iguais. O Ocidente não se está a adaptar à globalização. Há indústrias que morrem, trabalhos que deixam de existir. E no meio desta convulsão há pessoas que sofrem e de que o populismo se alimenta.

Na América, muitos não perceberam que os eleitores do Tea Party não são a favor do livre mercado. São contra a distribuição da riqueza distinguindo os cidadãos entre merecedores e não merecedores de apoios. Um liberal (no sentido europeu) não distingue pessoas. Crê que estas devem escolher, sendo as suas escolhas, certas ou erradas, aquilo a que se chama mercado.

Desta diferenciação entre bons e maus à anti-imigração vai um passo. Muito curto. Se há os que merecem, quem não merece são os outros. Os de fora. Os eles. Embora a força dos EUA esteja na imigração constante, não há volta a dar. A anti-imigração está aí.

Trump surgiu porque a elite política não percebeu a mensagem e, perante o problema, não indicou um caminho. Ao contrário de Reagan, Trump nunca falou sobre um país ideal, mas para as massas. A sua mensagem de pessimismo tocou no que o americano branco médio vê: que vive pior.

Os votantes de Trump não acreditam em nada. Estão inseguros e têm medo. Trump prometeu–lhes protecionismo económico e controlo de fronteiras. Infelizmente, em vez de uma resposta aos problemas para que Trump apontou, gozou-se com ele. Quem ri por último, ri melhor.

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26 pensamentos sobre “A vitória de Trump

  1. CP

    Concordo com a análise genericamente no entanto duas notas:
    1. Trump aumentou o voto nos republicanos dos negros, hispânicos, asiáticos, dos mais jovens. Entre partes destas populações o GOP sempre teve resultados residuais, porquê insistir na conversa do “americano branco médio”.
    2. O programa de Trump tem muito de um programa político de esquerda, não só no proteccionismo mas principalmente no crescimento através de grandes obras públicas (estradas, pontes, infraestruturas foram a única menção de nota no seu discurso pós resultados eleitorais).
    Porque ninguém fala disto?
    As infraestruturas dos EUA estão assim tão mal que precisem de um plano de obras públicas estilo Sócrates?

  2. Com medo e pânico vivem os que votaram Hillary. Basta ouvi-los e vê-los a amaldiçoarem a América e o mundo. Municiados pelos media corruptos e revanchistas, a extrema esquerda não aceita os resultados das eleições e jura guerra e vingança. Ao contrário do “open your mind” vivem numa caixinha bem fechada com medo de tudo o que não encaixe no politicamente correcto.

  3. Koimbra

    Exigir o cumprimento da lei de imigração é ser populista? Impor o fim da manipulação monetária da China é ser anti-globalização? Cortar com o lobbying por parte de governos estrangeiros é discurso de massas?

  4. AB

    @CP
    As infraestruturas dos EUA estão mesmo muito mal. Se quiser um apanhado rápido da situação vá ao YouTube e pesquise “John Oliver Infrastructure”. Veja que vale a pena.

  5. lucklucky

    E temos mais um Insurgente a usar a manipulação jornalista da palavra Populismo.

    Vão no bom caminho.para poderem escrever nos jornais. Oops já lá estão!

  6. lucklucky

    E tivemos claro a desonestidade intelectual e mentira de chamar a quem quer que se cumpra a leis da imigração do seu próprio pais= anti imigração.

  7. “Trump, Tsipras, Iglesias, Le Pen, Jerónimo e Catarina Martins: todos diferentes, todos iguais. O Ocidente não se está a adaptar à globalização. Há indústrias que morrem, trabalhos que deixam de existir. E no meio desta convulsão há pessoas que sofrem e de que o populismo se alimenta.”,

    e os que votam nesta gente são aqueles que acreditam nos “amanhãs que cantam”. Vamos ver quantos eleitores vão ser enganados por Trump; no final do mandato quantos empregos regressaram da China e do Mexico ou o aumento da prosperidade dos EUA (nas palavras de Trump crescer acima de 4%).

  8. ” Trump, Tsipras, Iglesias, Le Pen, Jerónimo e Catarina Martins”
    O “politicamente correcto” confunde tudo numa grande amalgama desde que não seja a posição do “stato quo”/”establechiment” . Não interessa que defendam menos impostos , menos estado , mais economia , combater a corrupção de estado, menos regulação , que para o jornalismo acéfalo é tudo igual ao tsipras , ao jerónimo , á martins ; De facto é pena que mesmo pessoas que pensavamos defendiam a liberdade politica e economica estejam do lado dum sistema altamente corrupto , intervencionista , controleiro e completamente degradante com inversão completa de valores que impede a irradicação da pobreza por via do trabalho e da produção .

  9. “O Ocidente não se está a adaptar à globalização”.
    Se isto fosse assim tão simples, só havia uma conclusão possível: afinal o mercado não funciona. Mas não é assim. O Ocidente adaptou-se muito bem: deslocalizando empresas para menores custos do trabalho, menores exigências ambientais e sanitárias, etc. O problema está nos custos sociais de tudo isto. É que não é possível dizer a um desempregado dos Estados Unidos “mantém-te calminho, pá, porque os trabalhadores indianos estão a viver um pouco melhor”. Ora, o Trump e muitos outros são o resultado de tudo isto; são os que aparecem com uma imagem de “fora do sistema” estando bem dentro dele (mas o tal desempregado não tem calma suficiente para desmontar os discursos). A ver vamos se se essa gentinha (Trump e afins) não serão a última resposta do sistema…

  10. Da única super-potência sobrante assusta pensar que foi eleito um Presidente que promete ser tão parecido com G. W. Bush na sua impetuosidade arrogante, embora tenha sido eleito por ser antiglobalização como nos diz. No entanto, depois dos anos da esperança do “Yes we can”, vem a promessa de um EUA interessado no seu umbigo, o que deixa grandes incertezas depois da afirmação de protagonistas promissores como o Papa Francisco ou António Guterres que nos abriram, digo ao mundo, uma janela de esperança. Virão de novo tempos difíceis, porque a estratégia de fechamento ao exterior, como foi o caso recente do Reino Unido com o “Brexit”, não trás nenhum bom augúrio. Esperamos que as forças moderadas dos EUA e dos seus Aliados externos o possam limar nas arestas mais cortantes… Designadamente, de o impedir que um dia carregue no botão das bombas atómicas, porque o mundo não comportaria uma guerra nuclear, ou seja, uma terceira guerra mundial, pois as bombas nucleares que hoje existem são bem diferentes das de 1945 e a sua dispersão geográfica implicaria uma catástrofe para a Humanidade e para o planeta.

    Cordialmente,
    Nuno Sotto Mayor Ferrão
    http://www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt

  11. Gil,
    “O problema está nos custos sociais de tudo isto. É que não é possível dizer a um desempregado dos Estados Unidos “mantém-te calminho, pá, porque os trabalhadores indianos estão a viver um pouco melhor”.

    Esse comentário está incompleto, não é só os trabalhadores indianos que estão a viver um pouco melhor; os americanos, à custa da globalização, também estão. Têm muito mais poder de compra porque estão a comprar barato ( importações chinesas), logo ficam com mais rendimento disponível e isso aumento o consumo e cria outro tipo de postos de trabalho.
    Uma minoria perde os seus empregos pela deslocalização das fábricas, mas uma grande maioria ganha pela via de um maior rendimento disponível, e isto é particularmente verdade para os mais pobres.

  12. A eleição de Donald Trump como Presidente dos EUA também me parece antiglobalização, no entanto as suas posições caricatas e radicais fizeram-nos convencer que o risco de o ver eleito era pequeno. Só que os meios de comunicação social estado unidenses e os escândalos dos dois candidatos fizeram pender a vitória para o multimilionário Republicano. Contudo, da única super-potência sobrante assusta pensar que foi eleito um Presidente que promete ser tão parecido com G. W. Bush na sua impetuosidade arrogante. Depois dos anos da esperança do “Yes we can”, vem a promessa de um EUA interessado no seu umbigo, o que deixa grandes incertezas depois da afirmação de protagonistas promissores como o Papa Francisco ou António Guterres que nos abriram, digo ao mundo, uma janela de esperança. Virão de novo tempos difíceis, porque a estratégia de fechamento ao exterior, como foi o caso recente do Reino Unido com o “Brexit”, não trás nenhum bom augúrio. Esperamos que as forças moderadas dos EUA e dos seus Aliados externos o possam limar nas arestas mais cortantes… Designadamente, de o impedir que um dia carregue no botão das bombas atómicas, porque o mundo não comportaria uma guerra nuclear, ou seja, uma terceira guerra mundial, pois as bombas nucleares que hoje existem são bem diferentes das de 1945 e a sua dispersão geográfica implicaria uma catástrofe para a Humanidade e para o planeta.

    Cordialmente,
    Nuno Sotto Mayor Ferrão
    http://www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt

  13. Castanheira Antiga,

    “De facto é pena que mesmo pessoas que pensavamos defendiam a liberdade politica e economica estejam do lado dum sistema altamente corrupto , intervencionista , controleiro e completamente degradante com inversão completa de valores que impede a irradicação da pobreza por via do trabalho e da produção .”, não é por votar num populista que a coisa muda. É só ver o que aconteceu com o Tsipras.
    A mudança tem que acontecer via Establishment do sistema e dos governos, especialmente em países desenvolvidos e profundamente democráticos como os EUA. Um populista não vai conseguir mudar o conceito de mão invisível da economia, algo que provou estar certo ao longo dos tempos, ao contrário do planeamento central da economia tentado por algumas nações falhadas.
    Hitler também foi eleito cavalgando uma onde de descontentamento popular e foi o que se viu.

  14. Gil,

    “Hustler:
    Há quanto tempo não vai aos Estados Unidos?”,
    isso é argumento? Visitar os EUA é o mesmo que viver lá? Conhecer meia dúzia do nosso círculo de amigos e conhecidos é o mesmo que saber o que se passa em todos aqueles Estados onde há dezenas de milhões de pessoas?
    O argumento do protecionismo é tão válido para os EUA como para Portugal ou qualquer outro país!

  15. “não é por votar num populista que a coisa muda. É só ver o que aconteceu com o Tsipras.”
    O Costa não é populista?! O Obama não é populista?! A Clinton não é populista?! Afinal quem não é populista?
    Afinal o Trump poderá ser uma pedrada no charco , da corrupção , da aldrabice e do populismo do establichement que promete direitos e mais direitos à custa de mais e mais impostos e de individamento ?

  16. A.R

    Curiosamente todos pensam que estes acontecimentos se devem apenas à economia e questões económicas.

    Mas não é uma questão económica … são coisas muito mais importantes que já se levantam. Pode vir aí uma contra-revolução … a revolução dos Povos pelo direito a preservar a sua identidade e os seus valores.

  17. Castanheira Antigo,

    “Afinal quem não é populista?
    Afinal o Trump poderá ser uma pedrada no charco , da corrupção , da aldrabice e do populismo do establichement que promete direitos e mais direitos à custa de mais e mais impostos e de individamento ?”

    Não são populistas aqueles que não prometem nada a não ser muito trabalho e esforço; aqueles que dizem que é para semear hoje para colher amanhã apesar do presente não ser risonho. Obviamente, não é isto que aqueles que acreditam no Pai Natal querem ouvir. Esperam os amanhãs que cantam prometidos a seguir às eleições.

    Trump não vai ser nada disso, já começou por dizer que Obama care vai ser melhorado e não eliminado; disse também que a investigação a Clinton não é uma prioridade. Vai ser vê-lo a colocar metade do programa na gaveta.

  18. A.R.,

    “Mas não é uma questão económica … são coisas muito mais importantes que já se levantam. Pode vir aí uma contra-revolução … a revolução dos Povos pelo direito a preservar a sua identidade e os seus valores.”,

    muitos americanos podem ter votado na preservação dos valores e moral como no tempo dos seus pais e avós, e isso até pode de facto vir a mudar, como por ex. a ilegalização do aborto, menos direitos gays, etc. Agora, uma coisa que ele não vai conseguir mudar é a forma da economia funcionar, pelo menos no sentido laissez fair, caso contrario a América deixava de prosperar, e muitos americanos votaram no Trump apenas por questões económicas.
    Trump vai ficar entalado em muitas promessas e isso sair-lhe-á caro.

  19. Hustler:
    Fiz-lhe a pergunta, porque não é verdade o que diz sobre a situação do desemprego nos Estados Unidos. Mas, mesmo que fosse, o resultado seria o mesmo: não se pode exigir que quem esteja nessa situação tenha a calma e o distanciamento necessários para reagir a mais do que ao seu próprio problema. Mas a alternativa não é protecionismo ou a globalização que temos. Nesta as coisas estão mesmo a correr mal. E quanto mais tentarmos disfarçar o facto, mais terrenos lavramos para o populismo se desenvolver.

  20. Ainda outra coisa, Hustler: o que diz sobre a economia americana, também não é verdade. Eles sempre gostaram muito do “laissez faire…” para… os outros.

  21. Gil,

    “Mas a alternativa não é protecionismo ou a globalização que temos. Nesta as coisas estão mesmo a correr mal. E quanto mais tentarmos disfarçar o facto, mais terrenos lavramos para o populismo se desenvolver.”,
    o que acaba de escrever é uma bela tautologia, “nem proteccionismo, nem globalização”, ora se não é carne nem é peixe, então o que é?
    Não há forma de resolver os problemas de toda a gente, em economia raramente existem soluções que sejam óptimas para toda a população; a ciência económica está em que haja o menor número de pessoas possíveis prejudicadas, mas haverá sempre ganhadores e perdedores. Nem sequer existem políticas populistas que consigam chegar a todos, isso é uma utopia.
    Pode haver o maior descontentamento do mundo que nenhum populista que pregue os “amanhãs que cantam” poderá mudar, pelo simples facto de que ao condicionar algumas políticas (económicas), os efeitos secundários podem ser muito mais graves.

    Se não existe laisser faire nos EUA, então onde é que existe?

  22. “Na América, muitos não perceberam que os eleitores do Tea Party não são a favor do livre mercado. ”

    Não sei se essa associação entre o Tea Party e Trump será correta – acho que o Tea Party teria mais a ver com Ted Cruz.

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