Uma derrota profunda dos meios de comunicação social

MEC deu mais um exemplo (raro em Portugal…) de decência e honestidade intelectual: É amarga, mas justa, a lição que Donald Trump acabou de nos dar. Por Miguel Esteves Cardoso.

Trump ganhou. Nós perdemos. Por nós quero eu dizer os meios de comunicação social dos EUA e da Europa. Segundo as histórias que nós contámos aos leitores e uns aos outros o que acaba de acontecer era impossível.

As nossas sondagens e opiniões – incluindo as minhas – não só se enganaram redondamente como contribuiram para criar um perigoso unanimismo que fez correr uma cortina de fumo digno dos propagandistas oficiais dos estados totalitários.

Eu leio todas as semanas duas revistas conservadoras americanas – The Weekly Standard e National Review. Leio todos os dias o igualmente pro-Republicano Wall Street Journal. Em nenhum deles fui avisado que Trump poderia ganhar.

Sinto-me vítima de uma conspiração – não da parte de Trump mas da parte dos media. Aquilo que aconteceu não foi a cobertura das eleições americanas, mas antes uma vasta campanha publicitária a favor de Hillary Clinton onde até revistas apolíticas como a Variety participaram.

Donald Trump foi sujeito à maior e mais violenta campanha de ataques pessoais que alguma vez vi na minha vida. Todos as principais publicações alinharam entusiasticamente. Sem recorrer a sites de extrema-direita o único site que defendia Trump foi o extraordinário Drudge Report. Foi só através dele que comecei a achar – e aqui vim dizer – que o eleitorado reage sempre mal às ordens paternalistas dadas por uma unanimidade de comentadores, jornalistas e celebridades.

A eleição de Donald Trump foi um triunfo da democracia e uma derrota profunda dos meios de comunicação social.

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13 thoughts on “Uma derrota profunda dos meios de comunicação social

  1. Just for kicks “The Weekly Standard” SUCKS 🙂

    Bill Kristol & Stephen F. Hayes: Depois do dia 8, … pacotes de Renie & frascos de ENO pa caraxxx

  2. Caro André,
    Depois de ler o seu texto por consideração estive para responder mas elegantemente (em termos pessoais) consegui evitar. No entanto um pouco mais à frente nas leituras, confesso que ainda estava a pensar no seu txt, encontrei este e não consegui evitar mais.

    Assim, permita que lhe deixe este link: http://www.thedailybeast.com/articles/2016/11/10/75-lawsuits-against-president-elect-trump.html?via=newsletter&source=DDAfternoon
    de que destaco ao acaso “… The New York fraud case—which was also brought back in 2013 and alleges Trump’s unlicensed university scammed New Yorkers out of a collective $40 million—is still a go, according to Amy Spitalnick of the New York State Attorney General’s Office. A judge decided in March that the case would go to trial, but Trump has appealed the ruling.” … e “… “The lawsuits don’t stop because someone happens to be president of the United States,” said Michael Gerhardt, a professor of Constitutional Law at the University of North Carolina School of Law in Chapel Hill.” e “… “[Trump] would have to deal with the law as it is, not as he would like it to be, Gerhardt said. “Truth is a defense,” that could potentially lead to an impeachment, and damages would be hard to prove. “Given the fact that the man was just elected president, it might be hard to quantify his harm.” ”

    Pois é … é tudo muito bonito mas o homem não presta!
    Cumps

  3. Essa de fazer reportagens, baseados uns nos outros e em halls de hoteis dá isto. Já nas reportagens sobre as guerras na Libia, Libano ou sobre bairros de Paris e Bruxelas (Molembeck) se notava, nitidamente que os papagaios repetiam o que ouviam nos restaurantes e hoteis que frequentam, muito afastados da realidade (para quem conhece os arrabaldes de Paris ou bairros da Bélgica era nitido o lero lero ignorante dos nossos maus escribas. Assim vão ajudandio a afundar mais o pouco mérito que já se dá aos jornaleiros empossados em jornalistas. Quem perde muioto injustamente são os bons, por serem poucos.

  4. Rick

    Um exemplo?!
    Não quero desvalorizar a atitude do sr Cardoso. Mas, quando a decência é uma raridade e considerada um feito notável…
    Não teria sido mais honesto ele dizer que os jornalistas andam a enganar toda a gente durante a campanha eleitoral e não após?
    É que o MEC tem muitos anos disto. Não chegou agora aos jornais.
    Um pouco mais e escreveria isto como deathbed confession 🙂

  5. Muito bem, mas muito pouco. Os media portugueses também agem assim e nunca alguém escreveu alguma coisa sobre isso. O exemplo mais recente e escabroso foi alguns jornais terem ignorado a história do Ministro da educação, que mentiu descaradamente à nação dizendo que não tinha interferido com a tentativa de exoneração do mentiroso Félix quando havia emails a comprovar que tinha.

  6. tina

    Lucklucky, muito bom artigo! É mesmo assim, os jornalistas querem influenciar a opinião pública e depois sentem-se orgulhosos se os resultados são os que eles defendiam, como se tivessem sido eles os responsáveis pelo caminho seguido. O jornalismo não é jornalismo, é pura propaganda política.

  7. Euro2cent

    > Quem perde muito injustamente são os bons, por serem poucos.

    Os bons são despedidos. O que temos é o resto, dispostos a fazer pela vidinha cantando as cantigas que lhes mandarem.

    Mais, já não há publicidade “que só funciona metade, mas não se sabe qual” para sustentar a casa, como dantes. Sobra a venda directa.

    Lá vamos tendo o CM para fazer o “police blotter” e dar umas arranhadelas tímidas a tipos não muito bem instalados no sistema.

    O resto, é a podridão fedorenta. E eles bem o sabem.

  8. Euro2cent

    “Eu leio todas as semanas duas revistas conservadoras americanas – The Weekly Standard e National Review. Leio todos os dias o igualmente pro-Republicano Wall Street Journal. Em nenhum deles fui avisado que Trump poderia ganhar.”

    MEC, pah. Isso são “cuckservatives”, se não forem neocons.

    Para encontrar as bandas “new-romantic” ou lá o que era de Manchester com que penetraste na tenda da imprensa tuga àqueles anos todos, não deve ter sido só a ler o Times.

    Olha, ilustra-te aqui por exemplo: http://takimag.com . É de um tipo com tendências aristocráticas que escreve no Spectator, não é muito “sites de extrema-direita” que ofendem as alminhas sensíveis que não podem ler nada que … espera, como é que isto começou?

  9. Pelo facto de pedir desculpa por se ter enganado (e, sobretudo, por ter enganado outros), MEC apenas prova mais uma vez que é um inglês residente em Portugal (tal como a sua mãe). Para um português de gema (e para um jornalista, por maioria de razão) essa palavra e conceito é anátema.

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