Deixem lá as sondagens em paz

A eleição de Trump foi sinal de muitas coisas más, e nem todas só do lado do republicano, é certo, mas não exatamente de falhanço de sondagens. Claro que muitas sondagens erraram a determinar os likely voters (desde logo porque tomavam em conta a tradição de votar dos inquiridos, e muitos votantes de Trump costumavam não votar), mas os últimos resultados estavam perigosamente próximos. Além disso, o LA Times deu consistentemente nos últimos dias vitórias a Trump no seu tracking e o IBD e a Rasmussen tanto davam empates como vitórias marginais de cada um dos candidatos. Quem acompanhava as sondagens dificilmente via motivos para estar descansado.

Já agora acrescento, para se ver como a incerteza estava plasmada nas sondagens e que as sondagens não têm culpa de se terem valorizado apenas aquelas que davam o resultado preferido: no caso do IBD, as sondagens a dois (Hillary e Trump), davam a vitória a Hillary; já as sondagens do IBD a quatro (com Gary Johnson e Jill Stein), exatamente nos mesmos dias, davam a vitória a Trump. Como disse num comentário, por mim, que ia vendo todas as sondagens, e que achava, como toda a gente, uma probabilidade grande a vitória de Hillary (sobretudo por causa das notícias do early vote latino) na verdade achei também sempre que a eleição não estava segura nem que a probabilidade de Hillary ganhar estivesse nos 60%, menos ainda nos 80% – e precisamente por ver as sondagens. Acho que estava à vista de toda a gente a possibilidade de vitória de Trump.

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25 thoughts on “Deixem lá as sondagens em paz

  1. Manuel Assis Teixeira

    Falhanço das sondagens, falhanço da lavagem ao cerebro a que fomos sujeitos pela comunicaçao social falhanço dos gurus da opiniao esquerdista que estao agora a pensar como vão virar o “bico ao prego” sem perderem as sinecuras opinativas pagas! Falhanço de tanta coisa que dá que pensar!

  2. lucklucky

    Hilariante.

    A grande maioria das sondagens falharam , o agregado no site Realclearpolitics dava uma vitória clara a Hillary, e apenas duas acertaram : conclusão a tirar as sondagens não falharam.

    Essa nem os jornalistas tentam passar.

    Manuel Assis Teixeira

    “sem perderem as sinecuras opinativas pagas!”

    Engana-se as senicuras são pagas precisamente para deturparem e mentirem para o lado que o chefe da redacção quer que vença.

  3. Eu penso que a razão porque dá a impressão que as sondagens falharam mais do que efetivamente falharam foi porque andava tudo a olhar para as sondagens nacionais (que não interessam para nada), e essas davam quase todas a Hillary à frente (e na tal votação que não interessa para nada, ela efetivamente ficou à frente, tal como as sondagens previam).

    Dito isto, parece-me que as sondagens na zona industrial do Midwest e da Rust Belt efetivamente falharam, já que praticamente davam todas o Trump a só ganhar no Ohio, contando a Pensilvânia, o Winscosin e o Michigan para a Hillary.

  4. JP-A

    “Trump venceu por uma pequena margem”
    (Francisco Louça na TSF)

    Já o Costa foi por poucochinho com uma menos atrás mas eles com essa ficou todo contentinho (foi por uma dezenas de deputados) 🙂

  5. tina

    Nunca se podem deixar as sondagens em paz quando estas mostram constantemente a opção da esquerda a vencer, seja em que país for.
    .
    Tem sim de se continuar a denunciar esta prática, tal como tem de se continuar a combater a lavagem cerebral e a intimidação dos meios de comunicação social.

  6. Luis

    As sondagens não falharam. As empresas apresentam resultados em bruto sem ter em conta a intenção de voto. Era fácil de prever esta vitoria. Como? O turnout… maior nos mais velhos e brancos e menor mos jovens. Ajustando resultados em bruto tendo isto em conta… depois o turnout subiu nos latinos MAS também subiu nos mais pobres e brancos… e desceu nos negros como ja se previa…

  7. Luis

    A melhor sondagem foi ter visto o Murdoch a jogar golfe com o Trump a seguir ao referendo inglês. A UE vai ser deixada a sua sorte… se insistir na política de fronteiras abertas e em novos alargamentos a Leste acaba antes de 2020. Apertem os cintos…

  8. Tá a ver Maria João, que não valia a pena competir pelo post mais anti-Trump ? a Maria João bem se esforçou por competir com a esquerdalhada, mas no final são os eleitores que escolhem. E ainda bem que assim é. Não vale a pena apelidar de estúpidos os que não pensam como nós, porque no fim ficamos com um melão do tamanho da Trump Tower. Bom proveito.

  9. Maria João, deixe-se dessas tretas. Até gosto do seu modo de escrever e vir aqui defender sondagens que erraram não faz sentido.

    As sondagens têm saído erradas ao longo de 2016. Nos momentos capitais erraram. Foi assim com o Brexit, foi assim com o Acordo de Paz com as FARC na Colômbia e foi agora com as presidenciais norte-americanas.

    Claro que não erraram todas nem todos. A maioria das sondagens errou de forma inequívoca.

  10. Maria João Marques

    Miguel Madeira, sim, também é isso. Mas é certo que houve sondagens para todos os gostos, ninguém mandou toda a gente ignorar aquelas que tinham o resultado indesejado. E mesmo as que davam vitória a Hillary, geralmente tinham margens de 1,2, ou 3%.

    Luckyluck, os jornalistas tentam passar a culpa das sondagens para se desculparem dos seus próprios falhanços.

    Mas, por mim, que ia vendo todas as sondagens, e que achava, como toda a gente, uma probabilidade grande a vitória de Hillary (sobretudo por causa das notícias do early vote latino) na verdade achei também sempre que a eleição não estava segura nem que a probabilidade de Hillary ganhar estivesse nos 60%, menos ainda nos 80% – e precisamente por ver as sondagens. Acho que estava à vista de toda a gente a possibilidade de vitória de Trump.

  11. Luis

    Acha piada qur digam que o Sanders se calhar teria vencido. A América protestante e puritana não morreu. Um socialista fracturante daquele calibre não teria qualquer hipótese. Ficaria 60/40.

  12. Luis

    Já agora. O Labour esta em mínimos históricos no Reino Unido… parece que so aqui e na Grécia é que a comunada tem voz.

  13. Luis

    No café da esquina esta manha no Porto o povo estava a elogiar o Trump … o meio lisboeta parece um mundo distante do país real… há mais sapos para os jornaleiros engolirem aguardem…

  14. …Eis algo cada vez mais claro: a “democracia” só existe e só é boa quando os eleitores escolhem a opção preferida por determinada classe de intelectuais e políticos. Quando os eleitores escolhem candidatos ou resultados não chancelados pela elite progressista, bom, aí a tal democracia saiu do controle e o povo demonstrou suprema ignorância…As pernas dos sapos serão mais ou menos digestivas que as das rãs?

  15. Manuel Assis Teixeira

    Já cá faltava o Marques Mendes, outro opinador pago e bem pago, mas com objectivos diferentes! Visa muito mais alto! Mas de facto cada vez menos os eleitores ligam a estes opinadores cata-vento! O que se passa com os eleitorados ê passo a passo a rejeiçao desta malta que há demasiados anos anda por aqui! Estao a ” finar-se” e ainda nao deram por isso! Por muitos road maps ou piruetas que ainda façam…

  16. lucklucky

    Não é o mesmo Marques Mendes. Mas não anda longe do dito que existe para agradar à esquerda jornalista. Trump um Neo-Nazi com uma filha Judia…pois.

    “Luckyluck, os jornalistas tentam passar a culpa das sondagens para se desculparem dos seus próprios falhanços.”

    Maria João, são a mesma classe cultural lá como cá os vasos comunicantes entre sondagens e campanhas são muito fluídas. Nos EUA havia apenas duas sondagens que davam a possibilidade de vitória a Trump: a do Los Angeles Times e a do IDB.

    A reacção que fica bem de um deles:
    http://americanlookout.com/wow-prominent-pollster-admits-failure-i-have-omelet-on-my-face-video/

  17. “Nos EUA havia apenas duas sondagens que davam a possibilidade de vitória a Trump: a do Los Angeles Times e a do IDB.”

    No caso da Pensilvânia e do Michigan (que, no fundo, acho que foram quem “desempatou” a favor de Trump), penso que os único que acertaram foi o Trafalgar Group (que suponho associado aos Republicanos).

  18. Ainda em defesa das sondagens, veja-se que comparando o mapa eleitoral do RCP (que suponho tenha sido feito de acordo com as sondagens) com o resultado real, só há um estado em que se enganaram (o Wisconsin, previsto para a Hillary mas ganho pelo Trump):

    http://www.realclearpolitics.com/epolls/2016/president/2016_elections_electoral_college_map.html

    Mesmo com o mapa sem toss-ups (mais sujeito a erros, porque aí tem que se ignorar margens de erro, oscilações de sondagem para sondagem, etc., para não deixar estados em aberto), em 50 estados, houve 3 erros a favor da Hillary (Wisconsin, Michigan e Pensilvania) e 1 a favor do Trump (Nevada).

    http://www.realclearpolitics.com/epolls/2016/president/2016_elections_electoral_college_map_no_toss_ups.html

    Ou seja, as sondagens parecem, no agregado, ter acertado os estados quase todos (incluindo os casos em que pelo menos não falharam porque eram demasiado dispares e/ou apertadas para se poder fazer uma previsão).

    Suspeito que o problema foi mesmo dos jornalistas (talvez muitos com desafios a matemática?), que criaram a ideia que as sondagens diriam que a Hillary ia ganhar, esquecendo-se de 3 coisas:

    a) As sondagens têm margens de erro

    b) Mesmo as margens de erro têm elas próprias uma espécie de “margens de erro” – se lermos com atenção a ficha técnica de uma sondagem, com supostamente uma margem de erro de 3%, o que normalmente lá diz é algo como “a margem de erro é de 3%, com um nível de confiança de 95%” (ou seja, continua a haver a possibilidade de o erro real ser maior que os 3%)

    c) Em 51 eleições separadas, mesmo uma pequena probabilidade de erro em cada votação é suficiente para virar alguns estados

  19. Miguel Madeira,

    «Ainda em defesa das sondagens»

    Eu posso começar uma frase escrevendo em defesa de António Costa, mas isso vai suscitar justamente ao leitor a impressão completamente atendível e justificada de que eu sou a versão mais apurada, modelar e paradigmática de palonço.

  20. Marques Mendes,

    Lendo com alguma atenção o que escreveu, fico com a a impressão completamente atendível e justificada de que eu sou a versão mais apurada, modelar e paradigmática de palonço.

    E não precisou de iniciar uma frase com em defesa de António Costa.

    Mas isso é apenas uma impressão, a qual, decerto, o Marques Mendes não deixará de compreender e não levará a mal de eu a ter.

  21. “Vendo todas as sondagens […] achava, como toda a gente, uma probabilidade grande a vitória de Hillary [mas não achava que] a probabilidade de Hillary ganhar estivesse nos 60%”.

    As duas proposições não me parecem conciliáveis.

  22. A Feminista Maria João, que sem qualquer sofismo aprecio ler.

    Montou a sua posição em torno do facto dos democratas terem uma mulher a concorrer para a presidência.

    Este argumento é por si só em politica um argumento irracional.

    Como foi irracional os negros votarem em Obama só porque era de cor, (os conflitos raciais foram re-inventados nos últimos 8 anos, e só serve a uma porção da raça que são marginais e que querem lá ficar como marginais, existem muitos negros nos EUA que não se reveem nas politicas derivadas da escola de franckfurt, que o Obama inflamou).

    Na politica a raça e o género não deve ser justificação, (se não temos o fascismo)

    A FEMINISTA se se quiser nivelar os géneros deve começar a lutar por quotas em todas as profissões, (construção, metalurgia, finanças, saúde) e depois vamos ver como estão os géneros.

    A FEMINISTA Maria João, em primeiro vai ter muitas mulheres que lhe dizem que a carreira não é tudo. em segundo vai ter muitas mulheres que estão em profissões de baixa escolaridade, que não quererão mudar para profissões de baixa escolaridade predominantemente executadas por homens, por motivos físicos.
    Em terceiro tem profissões na saúde e na administração que são actualmente executadas por mulheres onde essas mulheres não vão querer sair de lá.

    A verdadeira Igualdade passa primeiro por aceitar as diferenças.

  23. Pingback: sócrates e Gabriela Canavilhas fazem escola nos Estados Unidos – O Insurgente

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