A recuperação económica de Obama

Miguel Monjardino, no Expresso, 24 de Setembro de 2016, antevendo a vitória de Donald Trump. De certa forma, a Administração Obama foi um falhanço, e a recuperação económica que a Europa crê ter acontecido nos EUA, inexistente.

Donald Trump pode ganhar as eleições presidenciais a 8 de novembro. Chegou a altura de escrever isto. A estrada política para a Casa Branca é muito estreita mas as últimas semanas mostraram que a sua vitória deixou de ser impensável.

A um mês e meio das eleições, praticamente todas as sondagens apontam para um resultado final muito disputado, especialmente no caso de Gary Johnson do Partido Libertário e Jill Stein dos Verdes continuarem na corrida. Trump está à frente em estados cruciais como Ohio ou Florida.

À entrada da reta final da campanha eleitoral, a onda política e emocional parece favorecer o candidato apoiado por uma nova coligação de republicanos.

Vista do lado de cá do Atlântico, este estado de coisas é chocante. A taxa de desemprego nos EUA está nos 4,9 por cento. Nos últimos seis anos, foram criados mais de 14 milhões de empregos. A economia recuperou da grande recessão de 2008-2009.

Washington pode não ser uma capital omnipotente como foi no final dos anos 90 mas, mesmo assim, continua a ser respeitada e indispensável a nível internacional. As suas universidades e empresas são as melhores do mundo.

Nos últimos anos, os EUA transformaram-se numa potência energética, um acontecimento que terá enormes consequências daqui para a frente.

Como é que se explica então o enorme sucesso da campanha de insurreição política liderada por Donald Trump desde o ano passado? Quais são as suas fontes a nível interno e externo? Começando pelo primeiro ponto, a taxa de desemprego é um número enganador. Como Nicholas Eberstadt chamou a atenção no início do mês no “Wall Street Journal”, cerca de 7 milhões de homens entre os 24-54 anos deixaram de procurar emprego nos EUA. A tecnologia, os baixos níveis de crescimento económico e a evolução da sociedade norte-americana ajudam a explicar estes números.

Trump tem vindo a convencer muitos americanos que coisas como o discurso politicamente correto, a viragem dos democratas à esquerda, a imigração ilegal, o comércio livre, e a estratégia adotada por democratas e republicanos desde o final da Guerra Fria em 1989 minaram a vitalidade da sociedade e da economia do país.

Segundo a CNN, o candidato dos republicanos é mais credível do que Clinton a nível económico (56%-41%). Estes números podem mudar até novembro mas, dão-nos uma ideia do desapontamento ou da ansiedade de metade do eleitorado norte-americano.

Passando ao segundo ponto, Trump acha que a ordem liberal internacional construída por Washington já não serve os interesses dos EUA. Uma administração Trump seria tentada a renegociar os principais tratados comerciais internacionais e prestaria muito menos atenção à segurança e defesa da Europa e do leste da Ásia. A única exceção seria o Médio Oriente onde Trump tem ideias muito diferentes das de Obama em relação às insurreições da Al-Qaeda e do Daesh e às ambições estratégicas de Teerão.

Portugal, tal como a maior parte dos países europeus atlânticos, venera os EUA de Barack Obama. A derrota de Hillary Clinton é simplesmente inconcebível para nós. Trump, todavia, pode ganhar.

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7 thoughts on “A recuperação económica de Obama

  1. AB

    Ainda a trapalhada CGD.
    Depois das declarações azelhas dos eurodeputados do PS – a CGD precisará, eventualmente, dum bail-in, ou seja, os depositantes com mais de cem mil que se cuidem – fiquei de queixo caído. Não morro de amores pela CGD ou pela coisa pública, mas demais é demais.
    Vou partir do princípio que sou eu o PM.
    Portanto a CGD está em apuros, é o maior banco a operar em Portugal e é público. Dada a importância do caso, até para as convicções que apregôo, não entrego o assunto ao ministro das finanças, muito menos a este ministro das finanças. Chamo a mim o dossier e trabalhamos em conjunto.
    Precisamos dum tipo competente. Há um tipo competente, mas só aceita o cargo se lhe pagarmos bem e lhe concedermos a equipa que ele quer, e mais umas quantas condições.
    Antes sequer de lhe dizer que sim a tudo, tiro uns dias e avalio o que me é pedido. Falo com os parceiros de coligação, com a oposição, com o PR, BdP, CMVM, TdC, TC – em resumo, procuro saber onde pode esbarrar a minha escolha. Porque o assunto é delicado demais para criar uma polémica.
    Chamo o tal tipo competente e transmito-lhe as conclusões. Sim, básicamente a gente diz que sim a tudo, mas tens de entregar a declaração de património no TC. Essa condição até ta dava, mas mais ninguém a aceita, por isso, ou entregas a coisa ou nada feito.
    O tipo competente diz que não entrega. Então nada feito, e partimos para a busca de outro tipo competente que esteja disposto a cumprir as condições mínimas para ser aceite sem polémicas de maior.
    Do modo como o processo tem sido apresentado, parece que ninguém falou com ninguém. Nem sei o que chamar a isto, mas política não é.
    Agora temos mais um problema a juntar ao que já existia na CGD. Pior, já por aí se diz que o tal tipo competente não quer que vejam a declaração porque há indícios de inside trading. Já se diz que os depositantes estão em risco. Já se arranjou uma trapalhada tal, que, mesmo que o tipo competente aceite e seja impingido no cargo, leva já uma bagagem de suspeitas inaceitável. E a CGD acabará por sofrer com isso.
    O funcionamento da geringonça é mesmo uma geringonça. Costa soube acusar o governo anterior pela forma como lidou com bancos privados, mas nem sabe lidar com o único banco público?
    É mau demais para ser verdade, e no entanto, há 11 meses que a novela se arrasta. É mau demais e é verdade.

  2. JP-A

    Avisa-se os camaradas cansados do BE que estão a faturar deprimidos na TV, mais a “Associação Recreativa dos Grandoleiros e das Amélias de Serviço Permanente Semanal da TV” (ARGASPS-TV), que vai decorrer no grande auditório mais um encontro em dia a combinar, subordinado ao seguinte tema que hoje apareceu na comunicação social:

    “Responsáveis do Financial Times e da Bloomberg Media acreditam que a eleição de Donald Trump poderá ter beneficiado das redes sociais, alertando hoje, durante a Web Summit 2016, para a crescente importância do jornalismo sério e independente.
    (Notícias ao Minuto)

  3. Porque é que nunca falam dos défices constantemente elevados e aumento da dívida assustador (43%) sob o regime de Obama? Para mim, isso por si só seria suficiente para votar em Trump. Deverá haver milhões e milhões de americanos com a mesma preocupação.

  4. Tina,

    Trump tem planos para aumentar a dívida, não para a diminuir. Na campanha ele anunciou um mega pacote de estímulos, keynesian style!

  5. A.R

    Esta da economia é um enorme bluff: Os pretos estão mais pobres, mais a esmolas, com menos casa própria. As pessoas perderam em média mais de 4% de valor real de salários durante o mandato Obama. A % de pessoas a trabalhar na América desceu 6% o que explica o suposto baixo desemprego.

  6. A.R.,

    Em 2008-2009 o que aconteceu na América e no resto do mundo?

    Esse tipo de argumento é o mesmo que alguns usam para atacar Passos Coelho, de que no final do mandato em 2015 os portugueses estavam mais pobres, tinham perdido os empregos e as casas. Bem, e o que aconteceu em 2011?

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