Um burro com um diploma

el-burro-y-al-familia

Vamo lá a ver. O escândalo todo que se montou à volta da licenciatura do Relvas teve que ver exclusivamente com uma coisa: a possibilidade de parte substancial da RTP ser privatizada concorrendo com TVI e SIC pelo mercado publicitário. E isso não podia acontecer. Foi um trabalho bem feito, sendo certo que o erro foi por um lado da lei que permitia equivalências absurdas, por outro da Universidade de faz de conta que as concedeu. No entanto, o Relvas não mentiu, não aldrabou, não cometeu qualquer ilegalidade. Mas não tinha o cartão do partido certo, já sabemos.

Já a do Coiso, que mete exames ao Domingo e o caralho, é outro assunto. Configura aldrabice pura do “licenciado” e de um dito “professor” que fez de conta que o suposto “aluno” teria feito as cadeiras que não fez.

Fast forward para o caso recente de dois burros, inacreditavelmente burros, dois calhaus com olhos absolutamente surreais. Tanto o Rui Roque como o Nuno Félix se há coisa que revelam é a total e absoluta falta de inteligência, leva-me a duvidar sequer se podem ser considerados vida inteligente ou se são uns vegetais, tipo alfaces com pernas. Então o segundo, p’amordedeus! Duas licenciaturas? E o primeiro que com, foda-se, 4 cadeiras feitas reencaminha a dúvida para a Universidade de Coimbra? Como é que é possível ser tão, mas tão burro? (Embora vá, tudo isto pareça é uma guerra intestina dentro do PS entre socretinos e adeptos do Alguidar de Banha.)

Enfim, enquanto durou só deu mordomias, se calhar mantêm amigos (e o ministro da educação sai disto como?) in high places que lhe continuarão a garantir o sustento. Já não percebo nada disto, eu tinha vergonha sequer de sair à rua após uma merda destas. Não sei como é que estes gajos encaram amigos, vizinhos ou família. Não percebo, de todo.

Vou contar-vos uma história. Andei três anos a pastar no IST, fiz umas quantas cadeiras (essencialmente matemáticas) mas aquilo não era pra mim, não pedi adiamento e fui incorporado no Exército. Há uns anos quando me convidaram (através deste blogue) para escrever no Diário Económico telefonaram-me do jornal uma data de vezes porque não acreditavam que a profissão junto ao nome fosse “comerciante”. Fartei-me de explicar que não, não sou licenciado, sei umas cenas, sou curioso e gosto de estudar e de ser ensinado. Não acreditavam, era Dr praqui, Dr prali. Tive quase que exigir que em frente ao nome pusessem “comerciante”. Ora foda-se mais o sr doutor. Mandem-me gestores licenciados, pode ser que aprendam alguma coisa porque do que vejo não valem grande coisa nem se percebe o que lhes ensinam. E cheira-me que se o Observador e outros merdia desatam a indagar meia AR demite-se.

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16 pensamentos sobre “Um burro com um diploma

  1. Euro2cent

    O problema disto tudo é o apixonamento pela educação.

    Os inefáveis semi-educados vêm países ricos com muita gente instruída, então pensam que se instruirem gente, ficam ricos.

    Chama-se “cargo cult”, qualquer nativo de sítios primitivos desenvolve o “raciocínio”.

    (Os tipos das universidades aproveitam, não são suficientemente burros para não esticar uma colher quando chove sopa.)

  2. Euro2cent a paixão pela educação não tem mal nennhum e faz falta (fica a falhar a paixão pelo capital para poder usá-la), o que há não é isso, é apaixonamento pelos títulos. Um atavismo de uma elite feita de gente inacreditavelmente burra que mais que educação valoriza um simulacro desta, presumem que se um burro é doutor é porque sabe alguma coisa mais que os outros. Nem os que o são dão essa garantia quanto mais os que fingem que o são.

  3. mariofig

    Claro que enfrentam os amigos e família e sei lá quem mais vier. Afinal não somos nós o país que promove a chico-espertice e a cunha? São tão queridos na nossa sociedade que nenhum deles irá ver um dia que seja atrás das grades pelo crime de ter prestado falsas declarações académicas.

  4. Euro2cent

    > a paixão pela educação não tem mal nenhum e faz falta

    Desculpe contrariá-lo, mas se pensar bem vê que não faz falta nenhuma, e fez muito mal.

    O que podia ter sido gasto a desenvolver a industria nacional, foi estoirado em educação sem proveito.

    Á conta dessa parvoíce agora exportamos licenciados que bem nos custaram a formar para os países que os podem pôr a render e se ficam a rir com a borla.

    De passagem destruiu-se o ensino profissional, que agora passados quarenta anos estão a reconstruir com hotelaria e cabeleireiros.

    Foi com o lema da igualdade, como a Zazie apontou.

  5. Euro2cent, o erro foi ao mesmo tempo que se estoirava em educação fazia-se o possível para impedir a formação de capital e um sem o outro não servem de nada. O que os pastores ainda não perceberam é que a educação é importante apenas e só na medida em que exista capital que a possa usar. sem ele, tanto dá formar engenheiros como trolhas, é igual

  6. Manuel Assis Teixeira

    Ó Caro Comerciante: o Socrates e as suas atitudes academicas, este adjunto do Costa e as suas atitudes academicas e outras atitudes academicas de outros ” sucias” não branqueiam a inaceitavel atitude do Relvas de obter uma licenciatura obtida por equivalencias… o senhor, qye estudou no Tecnico, deve lembrar-se bem do que lhe deve ter custado fazer as cadeiras que fez, para agora aceitar de bom grado as “relvisses”… eu pelo menos não aceito! Uma licenciatura dá muito trabalho para se aceitarem de animo leve estas ” falcatruas” mais ou menos legais venham da direita ou da esquerda!

  7. O erro está em pensar que socialistas dos nossos precisam de licenciaturas.
    Eles estudam afincadamente o povo, não perdem tempo com questões estúpidas, deixam isso para quem paga impostos. Alguns têm num sítio escondido o carisma, o carismas trás amigos, os amigos dão carisma e assim sucessivamente.

  8. Manuel Assis Teixeira

    Pois… caro Helder Ferreira! Se calhar nao li bem! Fiquei tao espantado com o que vi há pouco sobre o chefe de gabinete do tipo da educaçao que me pareceu ler alguma brandura com o Relvas! E sinceramente Relvas Socrates e outros serventuarios menores todos contribuiram para o desprestigio da classe politica. Cumprimentos

  9. lucklucky

    “Fiquei tao espantado com o que vi há pouco sobre o chefe de gabinete do tipo da educaçao que me pareceu ler alguma brandura com o Relvas!”

    Basta ver o silencio do Insurgente sobre o PSD e CDS e o amor do Presidente Marcelo do PSD com um Ditador Comunista.

    Ao invés se Fidel fosse à Festa do Avante teríamos muitas e muitas criticas justamente.

  10. Tudo tem a haver com “uma das características estruturais da sociedade portuguesa” identificada pelo Prof. António José Saraiva: a Diplomocracia. Conforme Saraiva sabiamente indicou a génese do Diploma em Portugal:

    • “Não para ter mais conhecimento ou serem mais esclarecidos, mas não serem menos que os outros. Não era a igualdade que se buscava, mas a igualdade de estatuto, através da posse do diploma”.

    Esta é uma característica das nossas Elites predominantes que as tornam sempre indigentes com o que vem de fora com p.e. a idolatria dos Bezerros de Ouro das Europas das Luzes: não querendo ser, só podem querer ter.

    Razão tinha António José Saraiva quando em reunião em 1975 (no PREC…) do Departamento da Faculdade, em que “depois de ouvir longos debates e acesas discussões sobre o que se pretendia com a avaliação dos alunos”, “pediu a palavra, se levantou com cuidado e disse, num tom de voz resguardado (que contrastava com as vozes alteadas dos contendores que o tinham antecedido):

    “Eu queria propor que se desse o diploma de licenciatura aos alunos quando eles fossem admitidos na Faculdade. Depois, só cá ficavam os que queriam mesmo aprender…”. E sentou-se. Fez-se silêncio na sala. Era uma frase radical, na realidade ninguém sabia como reagir a ela.”

    Era fácil de fazer, barato e satisfazia em pleno o que as Elites idolatram: aparências!

  11. Aguardemos que o governo aprove a exemplo do que fez para as viagens da galp do Besunta um normativo que sane todas estas ocorrências ou seja todos os jo tas socialistas que tenham ido a uma rave no Campus académico são considerados Ab initio licenciados. Tudo como dantes quartel general dos ABRANTES.

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