a house of cards

“One day, the house of cards will collapse,” said Professor Otmar Issing, the ECB’s first chief economist and a towering figure in the construction of the single currency. (…) Prof Issing lambasted the European Commission as a creature of political forces that has given up trying to enforce the rules in any meaningful way. “The moral hazard is overwhelming,” he said. (…) “The Stability and Growth Pact has more or less failed. Market discipline is done away with by ECB interventions. So there is no fiscal control mechanism from markets or politics. This has all the elements to bring disaster for monetary union.”The no bailout clause is violated every day,” he said” (via The Telegraph)

Há mais de vinte anos (1994) era lançado em Portugal um “single” que rapidamente fez furor nas pistas de dança por esse mundo fora. Chamava-se “So Get Up” (Underground Sound of Lisbon) e começava assim: “The end of the earth is upon us, pretty soon it’ll all turn to dust, so get up, forget the past, go outside and have a blast, the end of the earth is upon us, pretty soon it’ll all turn to dust, go a thousand miles in a jet airplane, go out of your mind, go insane, to a place you never been before…”. Assim se fazia house music naqueles anos pré-euro, quiçá, já a pensar no pós-euro. É nisto que tenho andado a pensar nos últimos dias. Parece que o Prof. Issing também.

Quem ao longo dos anos me tem seguido, nos blogues, nos jornais, na televisão, quem leu o meu livro de 2012 “As contas politicamente incorrectas da economia portuguesa”, bem saberá que eu nunca morri de amores pela moeda única. Porque amarra países que, culturalmente, economicamente, pouco têm em comum. Porque não é uma zona óptima. Mas nunca fui ao ponto de defender a saída de Portugal do euro. Sempre me pareceu que os custos de uma saída seriam superiores aos de uma permanência, ainda que de custos se tratassem. E sempre tive a certeza que uma saída nunca seria da nossa iniciativa. Renzi disse hoje que não cederá aos tecnocratas de Bruxelas. It’ll all turn to dust!

10 pensamentos sobre “a house of cards

  1. JMS

    Ricardo,

    Entendo que vc não tenha passado pelo primeiro resgate (1977), eu passei mas não liguei nenhuma, estudava no liceu e estava em casa dos meus pais.

    O segundo resgate foi em 1983 e já estava a trabalhar há 2 anos. A inflação chegou aos 30%/ano. Para si talvez não queira dizer nada mas estávamos sujeitos a dois factores: o “soberano” escudo, e a imbecilidade e facilitismo de qualquer governo que tivéssemos na altura. Qualquer coisa parecida com o que se passa na Venezuela hoje em dia mas não tão grave. Mesmo a trabalhar continuava em casa dos meus pais. Não posso dizer que tenha sofrido na pele essa segunda desgraça.

    Em 2011 tivemos o terceiro resgate e, continuei a fazer a minha vida normalmente, a trabalhar e, fora da casa dos meus pais. Carregaram-me de impostos, é certo, mas não tive inflação! E sabe melhor do que eu o que isso quer dizer.

    Não houve inflação porque estamos no euro.

    Obrigado €!

    Embora reconheça e entenda a sua preocupação por estarmos no euro, não posso, de maneira nenhuma, concordar na totalidade com a sua idéia da nossa desgraça ser o euro. Já imaginou o que teriam sido estes 4 últimos anos com moeda própria? Nem quero sequer pensar nisso…

    Claro que 16 anos de governação socialista
    não têm nada a ver com o terceiro resgate. Era o que faltava!

    🙂

  2. Marco

    “Porque amarra países que, culturalmente, economicamente, pouco têm em comum. Porque não é uma zona óptima.”

    Eu acrescento mais … : Porque de união a UE não tem nada. Fizeram uma casa de papel numa zona de tornados. A culpa ? Começa na escumalha política que cada país deita para o topo … e acaba nos que os elegem, nos que não exigem competência, honestidade e dedicação …

    Até lá … salve-se quem puder …

  3. “Prof Issing lambasted the European Commission as a creature of political forces that has given up trying to enforce the rules in any meaningful way.”

    Os dirigentes da UE são como os licenciados que seguem investigação e desenvolvimento, escolheram esse caminho porque não havia alternativa melhor. Não há convicção, nem ideais, foi só uma opção de carreira mais fácil. Não vale a pena maçarem-se muito com nada, pois mesmo que alguma coisa corra mal nunca poderão ser culpados de nada. O sistema não está dirigido à obtenção de resultados, é tudo muito vago e diluído. O que interessa é que o seu salário está garantido por uns anos, depois logo se vê.

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