caos nos hospitais

“Ao PÚBLICO vários médicos do CHSJ [Centro Hospitalar de São João] deram conta do “caos” que se vive no serviço e o recurso a internos. O médico Fernando Abelha admitiu estar muito “preocupado” com a saída dos colegas. Na sexta-feira, alguns blocos operatórios não funcionaram de manhã por falta de especialistas. Foi o que aconteceu na sala 3 de Cirurgia Geral e na sala 10 de Cirurgia Vascular, apurou o PÚBLICO. Também nessa manhã, um dos blocos da Cirurgia Torácica não esteve disponível. Nesta semana, a situação complicou-se. Na manhã de segunda-feira não houve cirurgias na Ortopedia. Não havia anestesistas escalados. O problema não é exclusivo do São João. A falta de anestesistas tem vindo a agravar-se em todo o país.  No ano passado, a direcção do Colégio de Anestesiologia da OM divulgou os resultados de um levantamento exaustivo sobre as necessidades nos hospitais públicos (Censos 2014) e os resultados foram preocupantes: segundo os directores dos serviços das 52 instituições que responderam ao inquérito, faltavam então 467 especialistas. Um número que Paulo Lemos, presidente do colégio da especialidade da OM, considera poder ser “um pouco ambicioso”, porque acredita que com mais 300 especialistas seria já possível aliviar a situação dos hospitais públicos, que “é pior no Sul e no interior” do país.”, no Público de 19/10.

É curioso: passou mais de um mês desde que aqui dei conta que a OCDE deixara de publicar a estatística relativa ao número de médicos em exercício em Portugal porque, segundo a mesma, os dados para Portugal eram erróneos e sobre-estimavam o número efectivo de médicos em exercício no nosso país em 30%. E o que é que sucedeu desde então? Nada. Que eu tivesse visto ou ouvido, não houve uma única notícia sobre o assunto. Terei sido o único a falar do assunto. Extraordinário. Quanto à Ordem dos Médicos, a sua posição é deveras curiosa. Por um lado, ainda vai dizendo que não há falta de médicos em Portugal. Por outro lado, também vai dizendo que não há capacidade formativa para formar mais especialistas. Ora, juntando uma e outra, a primeira que é falsa e a segunda que é polémica, de facto, temos aqui a melhor forma de garantir no futuro uma escassez cada vez maior de médicos. Go figure!

11 pensamentos sobre “caos nos hospitais

  1. Lembram-se quando iam para a FMUP, que fica localizada dentro do Centro Hospitalar de São João, cantar a “Grândola Vila Morena” ao Ministro da Saúde do PSD-CDS?
    Pois…

  2. Manuel Assis Teixeira

    Imagine-se que isto era no governo anterior? Ui ui! Já estava tudo aos gritos! Os sindicatos as televisoes sobretudo a TVI com o sonso do Jose Alberto Carvalho e a inenarravel gagá Constança Cunha e Sá, a surzirem! Mas não ! Está a esquerda a mandar. Tudo caladinho. Com o ministro com aquele seu ar sapiencia e enorme superioridade sobre todos nós, a continuar a gozar da imunidade que é dada não só pelo absoluto controlo sindical do partido comunista que os manda estar quietinhos, mas tambem pelo manto silencioso de quase toda a imprensa tem em relaçao e este governo e aos seus apaniguados parlamentares!

  3. Onde estão agora as esganiçadas, os bebedolas e demais esquerdalhos que há pouco mais de um anos andavam por toda a parte a cantar “Grândola Vila Morena”?
    Será que Grândola já não é morena, avermelhou como governo?

  4. Á medida que as clínicas privadas vão ficando mais populares, o nível dos hospitais públicos vai diminuindo. Agora já não se diz “se for um caso difícil é melhor ir ao estado” pois agora nem anestesistas têm!..

  5. Quem se indigna com tudo isto é o senhor bastonário da OM e dos Enfermeiros também….
    Ainda agora os vi de pau ma mão a correr para a manif que convocaram para protestar contra o status quo.
    Não levavam bandeira porque ficaram todas esfarrapadas com os protesto dos últimos 4 anos.
    Sobrou o pau
    Já não é mau de todo

  6. A saúde tem sido dominada por ideologias serôdias que já estão a dar os seus frutos. Em pouco tempo veremos o SNS de esquerda desertado pelos melhores especialistas jovens. Restará ao costa fechar as instituições privadas, as culpadas de tudo, e proíbir os médicos de sair. A catarina fala-lhe ao ouvido todos os dias. Os médicos cubanos estão lá para serem exportados.
    Pode ser que o infiel, como muito afeto, peça isso ao fidel na próxima visita a cuba. Nosso amigo, ele não recusará.

  7. “A saúde tem sido dominada por ideologias serôdias que já estão a dar os seus frutos.”

    O Bastonário dos médicos faz lembrar o Cunha Rodrigues na procuradoria-geral, não abria nenhuns casos, nunca ia atrás de ninguém, não fazia nada, nem deixava fazer. É incrível o tanto mal que um homem incompetente e estúpido, numa posição de poder, pode fazer à sociedade.

  8. Ontem o PM Costa dizia que não arriscava a gestão da CGD num funcionário público, justificando assim o alto salário de um gestor que foi buscar ao sector privado ( esquecendo-se dos vários administradores propostos que não tem curriculum na banca e tiveram que ir a correr tirar um curso gestão bancária ). Mas não há um jornalista que lhe pergunte em que ficamos ? afinal a aversão da esquerda ao privado ( desde escolas, transportes, hospitais, empresas etc ) não é uma contradição com esta explicação ?. Não há gestores competentes na administração pública ? e os administradores dos hospitais já podem ser pagos por baixo. Afinal a saúde não é igualmente importante ?

  9. Pingback: o diabo da saúde – O Insurgente

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