Sim, havia alternativa

catarina_martins_e_antonio_costa_assinam_acordo20375132Afinal, havia outra. Alternativa, claro está. A Geringonça está a demonstrar que havia uma alternativa à austeridade. Ao contrário do que prometeram, essa alternativa não passa pelo consumo interno e pelo crescimento, porque aí falharam redondamente. A alternativa à austeridade reformista chama-se compra de votos. Para comprar votos é preciso fingir que as pessoas têm mais dinheiro (em particular funcionários públicos e pensionistas), mesmo que depois o gastem noutro lado ou sofram de outra forma. Para isso, corta-se nas carruagens para pagar mais aos maquinistas, cobra-se aos donos de casas para aumentar uma miséria aos reformados, corta-se nos funcionários das escolas para pagar mais aos professores, enfim deterioram-se os serviços públicos para colocar mais dinheiro numa faixa do eleitorado.

Mas a eficácia desta estratégia depende em muito de uma crença profunda que parece existir à esquerda: a de que os portugueses são burros. A Geringonça acredita que um pensionista com mais 5€ no bolso não se importará em esperar mais 10 minutos pelo metro ou mais 6 meses por uma operação. A Geringonça acredita que a troco de mais 20€ por mês os professores não se importarão de ficar mais uns minutos nas escolas a arrumar o lixo. A Geringonça acredita que os maquinistas lhes agradecerão nas urnas o dinheiro extra, mesmo que este acabe por voltar ao estado quando estes abastecem os seus automóveis ou pagam o IMI das suas casas. A Geringonça acredita, e provavelmente bem, que os comentadores televisivos com reformas milionárias agradecerão as centenas de euros a mais no final do mês com comentários positivos à sua actuação.

A seu tempo veremos se estas crenças se revelarão correctas. Mas o que é certo hoje é que a alternativa está à vista de todos e não é o crescimento: é a compra de votos a preparar 2018.

5 pensamentos sobre “Sim, havia alternativa

  1. JP-A

    Estamos hoje exatamente como estávamos em 1978 ou por aí, quando os juros pagos pelos bancos aos depositantes eram exorbitates, mas a inflação superior. As pessoas tinham a sensação de estar a enriquecer, alicerçando essa crença numa ignorância tão profunda que até custa a acreditar. Salvo exceção, é exatamente este tipo de gente que nós andámos este tempo todo a fabricar nas nossas escolinhas, enquanto as entretínhamos com computadores oferecidos pelo sócrates, isto é, pelo Estado, isto é pela UE da bruxa da senhora Merkel.

    E é a esse tipo de gente que o PS dirige o seu discurso, porque o PS (e às tantas outros marquinhos virão) é dessa gente e para essa gente. Não admira que queiram aliviar-lhes o fardo da educação das costas, não vão eles cansar-se ou começar a abrir um olho. Por desgraça, estamos hoje num mundo totalmente globalizado, coisa boa para quem anda para a frente.

  2. JP-A

    Era para ser “exorbitantes”, mas também pouco importa, porque a gente agora liga a TV e vê um ministro qualquer no parlamento a dizer “cidadões” e já nem liga. Deve ser um acordo novo 🙂

  3. Já não digo nada sobre as estratégias da esquerda. Ontem vi o novo cartaz propagandistico do Bloco. É ternurento, tem um cidadão de terceira idade, e diz qualquer coisa como dar mais pensões a quem mais trabalhou.
    É giro ver o Bloco a cativar os velhinhos, mas os votos, tal como o dinheiro, têm de se ir buscar onde estiverem, e a vergonha é para esquecer. E o Bloco gosta de colocar cartazes em rotundas, o que é uma idéia excelente, dado que numa rotunda há tempo para olhar, mas não há tempo para pensar.
    Acontece que pensando bem, a frase tem tanto de cativante como de falsa. É costume nos cartazes do Bloco, mas lá está – o efeito rotunda até parece funcionar.
    A carreira contributiva não tem a ver com o trabalho, nunca teve, tem a ver com os descontos. É este pormenor de mestre que denuncia ao mesmo tempo a mestria e a demagogia do Bloco.
    Mestria porque mudar a frase para a verdade; mais pensões para quem mais descontou, não tem o impacto devido. Além disso até os velhinhos sabem que há reformados a ganhar mais de reforma que eles, e que muitos deles foram uns parasitas que nunca mexeram uma palha na vida laboral. Políticos, funcionários públicos, até banqueiros – mas descontaram.
    Demagogia porque o Bloco nunca especifica que esse aumento, agora e para comprar votos, é pago por quem trabalha e desconta, hoje, e nunca verá a sombra duma reforma amanhã.
    São dignos de apreciação, sim, os cartazes do Bloco. O tal contra as escolas privadas, que não especifica que o estado até gasta menos por aluno no privado. O tal contra meter dinheiro na banca, porque há crianças com fome, e que, à luz dos últimos desenvolvimentos na CGD é, digamos, hipócrita – as crianças com fome devem aplaudir os milhares de milhões lá enterrados e a enterrar.
    A avaliar pelas sondagens a coisa resulta. O Bloco vende a imagem de partido solidário, que se preocupa com os assuntos do momento. Basta uma cavadela mental e desmonta-se o logro – mas os cartazes estão onde não há tempo para pensar.

  4. Um défice de 2,5% não é a mesma coisa depois de um aumento brutal das receitas e um aumento brutal das despesas.
    Ainda não li nada acerca do que os economistas têm a dizer sobre estas disparidades…..

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